El Niño pode provocar mais de 13 mil mortes por calor no Brasil até fevereiro

Estudo internacional aponta que o país figura entre os mais afetados pelo calor extremo durante o pico do fenômeno climático, que projeta centenas de milhares de óbitos no Sul Global.

Da
Redação
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Onda de calor extremo associada ao El Niño eleva riscos à saúde pública e projeta milhares de óbitos no Brasil e no mundo.
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O atual episódio do fenômeno El Niño tem potencial para provocar cerca de 451 mil mortes em decorrência de dias de calor extremo em todo o planeta, segundo estimativa divulgada pelo Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago. No Brasil, a projeção aponta para 13,3 mil óbitos decorrentes das altas temperaturas, com margem de erro estimada em 700 para mais ou para menos. Os dados colocam o território brasileiro na quinta posição global entre os países mais impactados pelos danos à saúde pública associados ao aquecimento excessivo nos próximos meses.

A modelagem matemática abrange o período de setembro de 2026 a fevereiro de 2027, fase em que o fenômeno climático deve atingir sua intensidade máxima. Por causa desse recorte cronológico, o levantamento exclui as dezenas de milhares de óbitos registrados durante o recente verão europeu que já vinham sendo creditadas às ondas de calor associadas ao aquecimento global e aos efeitos iniciais do El Niño. Especialistas ressaltam que o aquecimento atual funciona como um aviso sobre o futuro do clima terrestre caso medidas drásticas de adaptação não sejam adotadas pelas nações.

O impacto desproporcional sobre o Sul Global evidencia a vulnerabilidade de populações em países em desenvolvimento, onde a capacidade de adaptação infraestrutural e econômica é historicamente menor. Enquanto o Brasil e outras nações enfrentam estimativas alarmantes, o relatório serve, segundo os pesquisadores, como uma ferramenta para orientar governos na criação de políticas emergenciais de proteção à vida antes que os picos de temperatura causem perdas humanas irreversíveis em larga escala.

Universidade aponta impactos severos na saúde global

As projeções foram elaboradas com base em pesquisas do próprio laboratório que quantificam a relação entre temperatura e excesso de mortalidade em comparação à média histórica registrada entre 1996 e 2025. O levantamento levou em conta diferenças em clima local, vulnerabilidade e capacidade de adaptação dos países em dezenas de milhares de regiões ao redor do planeta.

Essas relações estatísticas foram aplicadas a previsões de temperatura de longo prazo para estimar o volume de vidas ameaçadas pelo aquecimento excessivo. Os autores do estudo detalham que a metodologia completa passará por publicação em um periódico científico com revisão por pares em breve.

A dimensão das 451 mil mortes projetadas globalmente equivale a dezenas de vezes o impacto humano de grandes desastres recentes, ilustrando a gravidade da crise climática em curso. O cofundador do laboratório, Michael Greenstone, destacou que o número representa vidas reais de familiares e trabalhadores.

Sul Global concentra a maior parte das vítimas previstas

Os maiores danos decorrentes do calor excessivo se concentrarão, em sua esmagadora maioria, no chamado Sul Global, onde a infraestrutura de proteção é mais limitada. Metade das mortes previstas está concentrada em apenas 50 países que enfrentam os maiores índices de vulnerabilidade climática.

Apenas no continente africano, a projeção aponta dezenas de milhares de óbitos, enquanto Ásia e América Latina também registram fatias expressivas das ocorrências. Entre as nações desenvolvidas, apenas os Estados Unidos e a Itália aparecem na relação dos locais mais impactados pelo aquecimento.

O relatório classifica o atual cenário como um aviso sobre as condições normais de temperatura que o planeta poderá enfrentar nas próximas décadas. A Organização Meteorológica Mundial aponta que este episódio do fenômeno climático pode se consolidar como o mais intenso já registrado na história.

Especialistas defendem adoção urgente de medidas preventivas

Diante do cenário projetado para os próximos meses, os pesquisadores reforçam a necessidade de implementação imediata de políticas públicas voltadas à proteção das populações mais vulneráveis. Entre as recomendações apontadas estão a criação de sistemas de alerta precoce e o mapeamento de áreas de risco.

O relatório também sugere visitas domiciliares a grupos de maior fragilidade, a instalação de centros de resfriamento em regiões urbanas e o estabelecimento de normas de proteção para trabalhadores expostos ao sol. A intenção é reduzir o impacto humano severo durante o pico de intensidade do fenômeno.

Tamma Carleton, chefe de pesquisa do laboratório e professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, alertou que os esforços emergenciais são vitais para o momento atual, mas ponderou que a sociedade não pode se habituar a um estado permanente de emergência climática.

Governos enfrentam desafio para evitar perdas humanas

A aplicação prática das projeções científicas busca fornecer aos gestores públicos dados precisos sobre onde concentrar esforços de resposta rápida. Com o avanço das temperaturas extremas, a capacidade de planejamento preventivo passa a ser tratada como fator determinante para salvar vidas.

O levantamento reforça que, ao contrário de outros aspectos das mudanças globais do clima, o avanço do calor extremo permite maior margem de tempo para obras de adaptação estrutural. Contudo, a falta de investimentos imediatos pode resultar em um cenário de graves perdas humanitárias nos países em desenvolvimento.

Com o Brasil posicionado entre os territórios mais vulneráveis do mundo, autoridades locais e órgãos de saúde Pública monitoram os alertas científicos para estruturar redes de atendimento e evitar o desfecho projetado para o início do próximo ano.

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