O Canal do Panamá transportou 521 milhões de toneladas CP/SUAB no ano fiscal de 2026, encerrado em setembro, superando o recorde anterior de 518 milhões registrado em 2022. O resultado foi favorecido pelo desvio de parte do comércio marítimo após a interrupção do tráfego no estreito de Hormuz, no Oriente Médio, mas também refletiu a recuperação das condições operacionais da passagem interoceânica.
A Autoridade do Canal do Panamá informou nesta quarta-feira (21) que o volume cresceu 6,5% em relação ao ano fiscal anterior, quando foram transportadas 489,2 milhões de toneladas. No mesmo período, a receita avançou 16,6%, para 6,6 bilhões de balboas, moeda equivalente ao dólar americano.
Crise desloca rotas marítimas
A interrupção da navegação pelo estreito de Hormuz, em fevereiro de 2026, obrigou transportadoras de petróleo, gás natural e outras mercadorias a reconsiderar rotas de longo curso. O corredor no Oriente Médio é uma passagem estratégica para parte expressiva do fornecimento global de energia, e mudanças no seu funcionamento afetam custos, prazos e decisões logísticas.
Nesse ambiente, operadores buscaram alternativas disponíveis. O Canal do Panamá, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, recebeu demanda adicional, sobretudo de segmentos ligados ao transporte energético. A administração ampliou temporariamente a capacidade de atendimento diário de 36 para 41 passagens.
O deslocamento de navios não explica isoladamente todo o recorde. A autoridade do canal também atribui o desempenho a condições de navegação que permitiram manter maior capacidade de carga nos navios e à resistência do fluxo de contêineres no período.
A rota panamenha tem cerca de 80 quilômetros e reduz a necessidade de contornar a América do Sul em diversas viagens entre a Ásia e a costa leste dos Estados Unidos. O valor econômico dessa ligação aumenta quando outros corredores enfrentam restrições.
Tonelagem atinge novo máximo
O total de embarcações que cruzaram a hidrovia também cresceu. Foram 13.951 trânsitos durante o ano fiscal de 2026, ante 13.404 no exercício anterior, alta de 4,1%, conforme o comunicado da Autoridade do Canal do Panamá.
O crescimento da tonelagem foi proporcionalmente maior que o número de travessias, indicando contribuição relevante dos grandes navios. As eclusas Neopanamax responderam por 52,2% do volume total medido pela metodologia CP/SUAB e registraram alta anual de 8,2% nesse indicador.
O padrão de medição CP/SUAB é próprio da hidrovia e não equivale diretamente ao peso físico de todas as mercadorias. Por isso, a comparação correta é com resultados divulgados pela mesma autoridade e calculados com o mesmo sistema.
Seca continua sendo desafio
O aumento da movimentação coincidiu com dificuldades relacionadas à disponibilidade de água. O Canal do Panamá utiliza lagos artificiais que alimentam suas eclusas; períodos de pouca chuva obrigam a administração a avaliar restrições ao calado e ao número de navios autorizados a atravessar.
Durante a estação seca de 2026, a autoridade informou que conseguiu manter o calado máximo de 50 pés, condição que favoreceu a passagem de embarcações com maior carga e ajudou a preservar a competitividade da rota.
O fenômeno El Niño figura entre os fatores climáticos acompanhados pela administração. A necessidade de usar água doce nas eclusas expõe a operação às oscilações de precipitação, mesmo em momentos em que a demanda internacional por transporte cresce.
Receita financia próximos projetos
A arrecadação anual alcançou 6,6 bilhões de balboas, segundo os dados oficiais. A receita maior acompanha o avanço de tonelagem e trânsito, mas também depende das tarifas e da composição dos tipos de embarcação que utilizaram a hidrovia.
Na apresentação dos resultados, a administração detalhou iniciativas previstas em sua estratégia para 2025 a 2035, incluindo o projeto do lago do rio Indio, voltado a ampliar a disponibilidade de recursos hídricos para a operação e as comunidades envolvidas.
Executivos da autoridade participaram de reunião com analistas de mercado organizada pelo Bank of America Merrill Lynch. Estiveram presentes a administradora Ilya Espino de Marotta, o subadministrador Miguel Lorenzo e o vice-presidente de Finanças Juan Mojica.
O período fiscal analisado vai de outubro de 2025 a setembro de 2026. A administração destacou que a recuperação da demanda ocorreu apesar das incertezas no comércio mundial e da necessidade permanente de administrar os efeitos do clima sobre os lagos do canal.
| Canal amplia movimento em 2026 | ||
|---|---|---|
| Indicador | 2025 | 2026 |
| Tonelagem CP/SUAB | 489,2 milhões | 521 milhões |
| Travessias de navios | 13.404 | 13.951 |
| Variação de receita | Base anterior | +16,6% |
| Variação de tonelagem | Base anterior | +6,5% |
Fonte: Autoridade do Canal do Panamá.
