O plano de prevenção contra arboviroses em São Paulo foi elaborado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) diante da possibilidade de o El Niño provocar períodos de calor e chuva favoráveis à proliferação do Aedes aegypti. A estratégia busca preparar municípios e serviços de saúde para uma eventual alta de dengue, chikungunya e zika nos próximos meses.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para esse período, a previsão indica temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado paulista.
São Paulo reforça a prevenção
A SES-SP estruturou um Plano Estadual de Preparação e Resposta em Saúde para orientar as ações conforme o nível de risco identificado em cada território. O documento considera os possíveis efeitos do fenômeno climático sobre a saúde da população.
Entre as medidas previstas estão o fortalecimento da vigilância epidemiológica, o acompanhamento de indicadores, o controle do vetor e a organização da rede assistencial. Dessa forma, os municípios podem ajustar a resposta conforme a evolução das condições climáticas e epidemiológicas.
O planejamento também pretende antecipar riscos relacionados ao aumento da procura por atendimento. O governo estadual aponta a possibilidade de crescimento das internações caso a transmissão das arboviroses avance nas áreas mais expostas.
Calor e chuva elevam o risco
A combinação de temperaturas elevadas e chuva pode ampliar as condições para a reprodução do mosquito transmissor. Por isso, o governo paulista relaciona a previsão meteorológica à necessidade de intensificar ações de prevenção e monitoramento.
O plano foi organizado para responder a quatro cenários: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses. Cada situação exige medidas específicas, mas pode produzir impactos simultâneos sobre os serviços públicos e a rede de saúde.
Nas áreas com previsão de mais chuva e calor, a administração estadual considera possível o aumento da transmissão de dengue, chikungunya e zika. Além disso, a maior circulação do vírus pode pressionar unidades de atendimento e elevar a demanda por internações.
Onze regiões entram na prioridade
As regiões prioritárias para o reforço das ações são Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.
Nesses territórios, o planejamento prevê atenção ampliada aos indicadores epidemiológicos e às condições que favorecem a presença do mosquito. O acompanhamento deve apoiar decisões locais sobre vigilância, controle do vetor e atendimento à população.
A adoção das medidas dependerá do nível de risco identificado em cada área. Assim, a resposta poderá variar entre os municípios e acompanhar a evolução dos cenários previstos no plano estadual.
Estado registra queda na dengue
Apesar do alerta para os próximos meses, São Paulo apresenta melhora no cenário epidemiológico da dengue em 2026. Até a 35ª semana epidemiológica, o estado registrou 58.271 casos.
No mesmo período de 2025, foram contabilizados 855.132 casos. A diferença representa uma redução de 93,2%, com quase 797 mil registros a menos em relação ao ano anterior.
A queda atual não elimina a necessidade de vigilância, especialmente diante da previsão de mudanças nas condições de temperatura e chuva. Por isso, o plano combina o acompanhamento da situação presente com a preparação para possíveis alterações nos próximos meses.
Moradores devem eliminar criadouros
A SES-SP recomenda que moradores façam uma vistoria semanal em casas e apartamentos, com atenção redobrada depois das chuvas. A orientação inclui verificar quintais, varandas, ralos e áreas de serviço.
Caixas-d’água e outros reservatórios devem permanecer fechados. Também é necessário retirar folhas e materiais que impeçam o escoamento da água pelas calhas, além de manter lixeiras fechadas e o lixo em sacos plásticos.
Nos vasos de plantas, a recomendação é preencher os pratos com areia até a borda. Já os vasos com plantas aquáticas devem ter a água trocada e ser lavados com escova, água e sabão pelo menos uma vez por semana.
Garrafas e recipientes precisam ser guardados com a abertura voltada para baixo. Pneus, embalagens e outros objetos que possam acumular água devem ser descartados corretamente.
Sintomas exigem atenção médica
A primeira manifestação da dengue costuma ser febre alta, acima de 38°C, com início repentino e duração de dois a sete dias. Também podem surgir dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza e mal-estar.
Náuseas, vômitos, manchas vermelhas e coceira na pele estão entre os demais sintomas descritos pela Secretaria de Saúde. A presença desses sinais deve levar o paciente a procurar um serviço de saúde.
A orientação é evitar a automedicação durante a suspeita de dengue ou de outra arbovirose. A avaliação profissional ajuda a definir a conduta adequada e a acompanhar a evolução do quadro.
Para Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, a participação dos moradores é parte central da prevenção. A secretaria recomenda que a vistoria dos imóveis faça parte da rotina semanal, sobretudo após períodos de chuva.


