A AfD, partido Alternativa para a Alemanha, venceu a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, na Alemanha, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas no domingo (6). O resultado foi expressivo, mas não surpreendeu completamente analistas que acompanham a política do país.
Em entrevista ao Hora H, o especialista Thiago de Aragão afirmou que a vitória no estado já era esperada por setores da política alemã. A análise atribui o desempenho do partido a características demográficas, a um sentimento histórico de marginalização e ao ambiente econômico desfavorável na Europa.
A AfD avança na Saxônia-Anhalt
A vitória ocorreu nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, conforme indicaram as pesquisas de boca de urna mencionadas no material. O texto não informa o percentual obtido pela AfD, a distribuição das cadeiras no parlamento estadual nem a confirmação final do resultado oficial.
Aragão relatou ter conversado com deputados da CDU durante uma visita a Berlim, dois meses antes da eleição. Segundo ele, esses interlocutores consideravam provável o sucesso da AfD em uma parte específica do leste alemão.
O especialista também afirmou que o resultado não deve ser interpretado como uma surpresa completa. A avaliação, contudo, foi apresentada como análise política, e não como uma explicação oficial do processo eleitoral ou como uma projeção detalhada do desempenho dos demais partidos.
O perfil do estado favorece o partido
De acordo com Aragão, a Saxônia-Anhalt reúne fatores demográficos que ajudam a explicar a força eleitoral da AfD. Ele citou a idade média elevada da população, uma composição proporcionalmente mais masculina e a menor presença de imigrantes entre os estados alemães.
Além disso, o analista mencionou um sentimento histórico de marginalização entre moradores da região. Na avaliação dele, essa percepção se combina com temas centrais da comunicação da AfD e cria condições favoráveis para o partido.
O material também registra uma correlação apontada por Aragão em diferentes países: lugares com menor presença de imigrantes podem apresentar temor mais acentuado em relação à imigração. Ele comparou o fenômeno com estados norte-americanos como Mississippi e Alabama, sem apresentar dados estatísticos para medir essa relação.
A economia amplia o espaço da extrema direita
Aragão relacionou o crescimento da extrema direita europeia a um ambiente econômico instável desde a pandemia de Covid-19. Segundo ele, expectativas negativas favorecem discursos que oferecem explicações políticas simples para problemas econômicos e sociais.
Essa leitura também foi aplicada a outros países europeus, especialmente à França, onde movimentos de direita ganharam espaço. O especialista não apresentou, no entanto, números comparativos sobre o desempenho eleitoral desses grupos ou sobre a evolução da economia no período citado.
Para Aragão, o ressentimento ocupa papel central na estratégia desses partidos. A narrativa apresentada por ele sustenta que grupos tradicionais estariam perdendo espaço para outros, principalmente imigrantes, e que essa mensagem pode ampliar o apoio político à direita radical.
O resultado pressiona a política alemã
A vitória da AfD na Saxônia-Anhalt reforça a presença do partido em uma disputa estadual alemã. Por isso, o resultado pode ser lido como um sinal de pressão sobre os partidos tradicionais, embora o material não informe as negociações posteriores nem as possibilidades de formação de governo.
A análise apresentada também diferencia a força regional da AfD de uma conclusão nacional mais ampla. O fato ocorreu em um estado específico, e os dados fornecidos não permitem medir, por si só, uma mudança no equilíbrio político de toda a Alemanha.
O material menciona ainda uma possível confusão entre Saxônia-Anhalt e Saxônia nas declarações reproduzidas. Aragão citou “a Saxônia” ao comentar o local onde a vitória seria esperada, enquanto a eleição descrita na pauta ocorreu na Saxônia-Anhalt. Sem dados oficiais adicionais, não é possível esclarecer se ele se referia ao estado da eleição ou à Saxônia em sentido estrito.


