A AfD, partido de extrema direita da Alemanha, ficou em primeiro lugar nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt realizadas no domingo (6). A legenda recebeu 44,4% dos votos, segundo pesquisa de boca de urna da emissora ARD, e abriu uma crise de incerteza entre organizações de migrantes no estado.
Embora tenha vencido, a AfD não havia confirmado maioria absoluta no Parlamento estadual quando a apuração ainda estava em andamento. Por isso, a formação do governo dependerá de negociações, enquanto os partidos tradicionais mantêm a recusa em formar uma coalizão com a legenda.
A AfD liderou a votação estadual
O resultado colocou a AfD à frente dos conservadores ligados ao chanceler Friedrich Merz, que obtiveram 18,3% dos votos na pesquisa de boca de urna. Social-democratas e Verdes também superaram o percentual mínimo necessário para conquistar cadeiras no Parlamento, conforme a mesma projeção da ARD.
O comparecimento às urnas ultrapassou 80%, de acordo com a emissora ZDF. A participação elevada reforçou o peso político da disputa, ainda que o resultado não tenha garantido à AfD o controle isolado do governo estadual.
A eleição representa um avanço expressivo para o partido, criado em 2013. A Saxônia-Anhalt fica no leste da Alemanha e tem pouco mais de 2 milhões de habitantes.
Migrantes relataram medo e incerteza
Undra Dressler, chefe da Rede Estadual de Organizações de Migrantes da Saxônia-Anhalt, afirmou que a entidade entrou em um período de desânimo após a eleição. Ela também disse que pessoas com histórico de migração convivem diariamente com discriminação e racismo no estado.
Uma pesquisa realizada pela organização apontou que mais de 80% dos entrevistados consideravam deixar a Saxônia-Anhalt. O material fornecido não informa o número de participantes nem a metodologia usada no levantamento.
Segundo Dressler, parte das pessoas ouvidas já teria feito planos concretos para sair do estado, enquanto outras já teriam deixado a região. A declaração expressa a percepção da organização sobre o ambiente entre as comunidades migrantes, mas não permite medir independentemente a dimensão desse movimento.
O partido defendeu restrições à imigração
O programa de governo da AfD prevê a redução do número de migrantes na Saxônia-Anhalt. A legenda também defende uma ofensiva de deportações e a chamada remigração.
Isso não é novidade para nós. A questão é: como isso vai evoluir?”
Undra Dressler, chefe da Rede Estadual de Organizações de Migrantes da Saxônia-Anhalt
Além da política migratória, o partido propõe abandonar o euro, restabelecer os laços com a Rússia e promover uma visão de patriotismo alemão sem constrangimentos.
Essas propostas ajudam a explicar por que a vitória gerou preocupação entre organizações de migrantes. No entanto, a adoção das medidas dependerá da composição do governo estadual e da capacidade da AfD de obter apoio parlamentar.
A legenda comemorou uma vitória histórica
A AfD celebrou o resultado em um teatro de Magdeburgo no domingo, após as primeiras projeções indicarem que o partido havia alcançado a liderança.
Ulrich Siegmund, candidato da legenda ao cargo de primeiro-ministro estadual, afirmou que o resultado representava um marco para o partido. Durante a campanha, ele apresentou a vitória regional como uma etapa para a conquista do poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.
A copresidente da AfD, Alice Weidel, também classificou o resultado como histórico e disse que a votação conferia à legenda um mandato para governar. Ainda assim, a AfD não atingiu, segundo os dados disponíveis, uma maioria que lhe permitisse governar sozinha.
Partidos tradicionais rejeitaram a coalizão
Os partidos tradicionais se recusaram a trabalhar com a AfD. A legenda foi classificada como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha.
Com a ausência de uma maioria absoluta confirmada, as negociações de coalizão se tornaram decisivas para definir o próximo governo da Saxônia-Anhalt. O material não informa quais acordos foram formalmente iniciados nem apresenta uma composição provável.
Uma possível alternativa mencionada no material seria uma parceria com o BSW, partido descrito como de extrema esquerda. Essa hipótese dependeria, porém, de a legenda atingir o percentual mínimo necessário para entrar no Parlamento estadual.
O resultado pressionou o governo federal
A vitória da AfD também representou um revés político para Friedrich Merz. O texto relaciona o desempenho eleitoral ao desgaste da aprovação pessoal do chanceler e à insatisfação com reformas planejadas para reanimar a economia alemã.
A economia do país enfrenta um ritmo lento de crescimento, segundo o material fornecido. O texto também cita críticas ao estilo de comunicação de Merz, marcado por frequentes gafes.
Por outro lado, a eleição estadual não determina sozinha o governo federal. Seu impacto nacional está ligado ao avanço da AfD e à forma como os partidos tradicionais responderão à expansão da legenda até as eleições federais previstas para 2029.


