A caça aos 9 milhões de votos que vai decidir a eleição

Candidatos intensificam estratégia nos maiores colégios eleitorais para atrair eleitores de oponentes derrotados.

Da
Redação
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Eleitores comparecem às urnas para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2026.
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O primeiro turno das eleições presidenciais consolidou um cenário de forte polarização entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT). Com a menor diferença percentual em um primeiro turno desde a redemocratização, as urnas registraram 47,03% dos votos válidos para o candidato do PL e 45,16% para o atual chefe do Executivo. Os 7,81% restantes foram distribuídos entre os presidenciáveis dos demais partidos na disputa.

Diante do resultado apertado, os dois finalistas iniciaram a disputa do segundo turno com foco estratégico na conquista dos eleitores que escolheram candidatos da terceira via e no combate à abstenção recorde. O pleito registrou 33,4 milhões de eleitores ausentes em todo o país, um indicador que mobiliza as equipes de campanha em busca de caminhos para virar ou consolidar a vantagem na corrida presidencial.

Especialistas apontam que a alta taxa de abstenção tende a penalizar de forma mais intensa a base de apoio de Lula, que possui forte concentração histórica em faixas de menor renda e escolaridade. Dados de pleitos anteriores indicam que o absenteísmo é maior entre homens jovens e eleitores idosos, além de registrar índices expressivos entre analfabetos. Há uma insatisfação com a economia e a percepção de que ela não melhorará, avalia o cientista político Antônio Lavareda, presidente da Abrapel.

Candidatos buscam apoios decisivos

Para o candidato do PL, o principal desafio no segundo turno consiste em garantir a migração de votos de lideranças que integraram o segundo pelotão da disputa. Nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) já declararam preferência por Flávio Bolsonaro na nova etapa, enquanto outros concorrentes derrotados optaram por manter neutralidade em relação aos finalistas.

Ao todo, mais de 9,3 milhões de votos da terceira via estão em disputa no segundo turno eleitoral. A maior fatia desse eleitorado concentra-se nos principais colégios eleitorais do país, com destaque para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estados onde Flávio superou o adversário petista no primeiro turno.

Por outro lado, a campanha de Lula voltou atenções para a expressiva abstenção registrada em estados nordestinos, onde a região somou cerca de 8 milhões de ausências. Ferramentas digitais de mobilização foram estruturadas por apoiadores para mapear seções eleitorais com maior número de faltantes e eleitores que votaram em concorrentes eliminados na primeira etapa.

Eleitorado movimenta grandes estados

Os três maiores colégios eleitorais do país lideram também os índices absolutos de abstenção verificados no último domingo. São Paulo registrou mais de 7,6 milhões de ausentes, o equivalente a 22,5% do eleitorado apto, enquanto Minas Gerais contabilizou 3,7 milhões de faltantes e o Rio de Janeiro marcou 23,3% de abstenção.

A abstenção vai prejudicar Lula porque ele tem menos votos entre os menos escolarizados do que tinha em 2022.”

Antônio Lavareda, presidente da Abrapel

Analistas ponderam que a taxa de ausência nesses grandes centros pode se manter estável no segundo turno, uma vez que as disputas pelos governos estaduais já foram definidas na primeira votação. No Rio de Janeiro, contudo, o cenário ainda aguarda definições judiciais sobre candidaturas locais que podem influenciar a mobilização do eleitorado.

Nas regiões Sul e Norte, o comportamento do eleitorado da terceira via também apresentou variações importantes. Enquanto o Sul concentrou cerca de 1,5 milhão de votos em candidatos eliminados, estados nortistas como o Amapá registraram empate técnico entre os dois finalistas na primeira votação.

Campanhas intensificam mobilizações digitais

A mobilização de eleitores que não compareceram às urnas tornou-se prioridade nos discursos dos candidatos logo após a divulgação dos resultados oficiais. O presidente Lula questionou publicamente os motivos que levaram milhões de brasileiros a se absterem da votação, apontando a necessidade de convencimento dessa parcela da população.

Apoiadores do petista intensificaram o uso de plataformas digitais para alcançar eleitores ausentes e simpatizantes da terceira via. A estratégia busca reverter o quadro de abstenção em redutos estratégicos e ampliar o diálogo com eleitores que demonstraram insatisfação com os principais polos da disputa política.

A campanha de Flávio Bolsonaro aposta na consolidação do apoio de governadores e lideranças partidárias da direita para manter a vantagem obtida nas urnas. O alinhamento com forças políticas tradicionais do setor conservador é visto pela equipe como ferramenta essencial para atrair o eleitorado moderado no segundo turno.

Aliados discutem reformas constitucionais

Em paralelo à articulação eleitoral, o avanço da direita no Congresso Nacional tem impulsionado debates sobre propostas de alteração na Constituição defendidas por aliados de Flávio Bolsonaro. O candidato já sinalizou a intenção de promover mudanças institucionais caso saia vitorioso da disputa presidencial.

A discussão sobre reformas constitucionais coloca no centro do debate político o alcance das propostas defendidas pela base aliada do senador no Poder Legislativo. O tema ganha relevância na agenda de campanha à medida que os candidatos buscam atrair o eleitorado preocupado com os rumos econômicos e institucionais do país.

A definição sobre os rumos do país passa, portanto, tanto pela capacidade dos candidatos de atrair os milhões de eleitores que decidiram não votar quanto pela habilidade de absorver o capital político dos concorrentes derrotados na primeira etapa do pleito.

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