AfD lidera eleição na Saxônia-Anhalt e propõe endurecer imigração e educação

Partido de extrema direita obteve 44,5% em pesquisa de boca de urna, mas ainda precisa definir se terá maioria para governar o estado alemão

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Redação
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A eleição na Saxônia-Anhalt pode ampliar a presença da AfD na política regional alemã e no Bundesrat.
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A AfD, partido de extrema direita da Alemanha, liderou as eleições estaduais da Saxônia-Anhalt neste domingo (6), segundo uma pesquisa de boca de urna divulgada pela emissora ARD. A legenda alcançou 44,5% dos votos, enquanto os conservadores ligados ao chanceler Friedrich Merz ficaram com 18,5%.

O resultado ainda não define quem governará o estado. A AfD precisa saber se conquistou cadeiras suficientes no Parlamento estadual para formar um governo sem coalizão. Em seu manifesto eleitoral, chamado “Visão 2026”, o partido apresentou medidas para deportações, escolas, religião, cultura, família e identidade de gênero.

AfD amplia vantagem na eleição estadual

A votação na Saxônia-Anhalt representa um avanço regional para a AfD. A pesquisa de boca de urna indica uma diferença de 26 pontos percentuais em relação aos conservadores do chanceler Friedrich Merz.

O dado, no entanto, não equivale ao resultado oficial da eleição. Além disso, a distribuição das cadeiras no Parlamento estadual será decisiva para determinar a capacidade de a legenda formar um governo.

Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD no estado, afirmou durante a campanha que a vitória representaria um primeiro passo para a conquista do poder nacional nas eleições federais previstas para 2029.

Resultado pode exigir acordo para governar

O sistema político alemão depende da composição dos parlamentos para definir a formação dos governos estaduais. Por isso, o primeiro lugar nas urnas não garante, por si só, o controle do Executivo regional.

Ainda não estava claro, conforme o material divulgado, se a AfD teria cadeiras suficientes para governar sozinha. Caso não alcance maioria, o partido precisará avaliar a possibilidade de buscar apoio ou coalizão com outras legendas.

A situação também tem impacto além da política local. Os governos estaduais têm assento no Bundesrat, a câmara alta do Parlamento alemão, e exercem amplos poderes sobre educação, segurança interna e cultura.

Partido promete acelerar deportações

Na área de imigração, o manifesto da AfD prevê uma ofensiva estadual de deportações. A legenda quer criar uma força-tarefa para agilizar expulsões de pessoas sujeitas a esse tipo de medida.

O partido também afirma que pretende estimular pequenas e médias empresas a adotar inteligência artificial e digitalizar processos. A proposta aparece como alternativa ao recrutamento de trabalhadores imigrantes qualificados de contextos descritos no manifesto como “culturalmente estranhos”.

Outra medida prevista envolve refugiados ucranianos. A AfD defende a revogação do status de refugiado de guerra concedido a esses cidadãos enquanto o conflito permanecer concentrado no leste da Ucrânia, argumentando que eles deveriam buscar proteção no oeste do país.

Propostas mudam regras para escolas

O manifesto prevê que filhos de refugiados sejam colocados em turmas separadas. Segundo a proposta, a medida transmitiria a ideia de que a permanência dessas crianças na Alemanha seria temporária e evitaria tensões atribuídas pelo partido ao convívio entre culturas diferentes.

A legenda também defende que crianças com deficiência deixem de estudar nas mesmas salas que os demais alunos. Elas seriam encaminhadas para escolas especiais, conforme o programa eleitoral.

Além disso, a AfD quer proibir bandeiras com as cores do arco-íris nas escolas. Em substituição, as instituições deveriam exibir diariamente a bandeira nacional alemã, enquanto alunos e funcionários cantariam o hino em celebrações escolares.

O partido propõe ainda alterar o currículo com uma política cultural patriótica. O conteúdo daria mais espaço a governantes medievais e a figuras da história alemã do século XIX, como Otto von Bismarck.

AfD quer restringir manifestações islâmicas

Na área religiosa, o partido afirma que usaria todos os recursos legais disponíveis para limitar manifestações islâmicas. Entre as medidas citadas está a proibição da chamada para a oração.

A legenda também pretende impor regras para a decoração de mesquitas. O material não detalha quais seriam os critérios ou procedimentos para aplicar essas restrições.

As propostas fazem parte de uma plataforma mais ampla de revisão das políticas de integração. A AfD afirma que eliminaria medidas de apoio social e psicológico, além de iniciativas destinadas à integração de imigrantes.

O partido também quer desmantelar a estrutura atual do sistema público de radiodifusão na Saxônia-Anhalt e retirar financiamento público de algumas instituições culturais.

Partido prioriza família tradicional

Para enfrentar o envelhecimento da população, a AfD rejeita a atração de mais imigrantes como solução principal. Em vez disso, propõe incentivos financeiros para que cidadãos alemães tenham filhos.

O partido associa a queda da natalidade à maior aceitação de “desvios sexuais e estilos de vida não reprodutivos”. Por isso, promete promover estruturas familiares formadas por mãe, pai e filhos.

A legenda também defende restrições ao acesso de crianças e adolescentes a bloqueadores de puberdade e terapias hormonais de afirmação de gênero. O manifesto apresenta a medida como resposta ao que chama de aumento da disforia de gênero.

O resultado eleitoral, contudo, ainda precisa ser convertido em capacidade de governo. A formação da maioria parlamentar definirá quanto dessas propostas poderá avançar no estado.

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