A AfD venceu a eleição estadual na Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha, e passou a mirar pelo menos 40% dos votos na próxima eleição federal do país. A meta foi anunciada nesta segunda-feira (7) pela copresidente nacional da legenda, Alice Weidel, após o partido alcançar 44,4% no pleito estadual.
Apesar da primeira colocação, a legenda não conquistou maioria absoluta para governar sozinha. Por isso, o candidato da AfD ao governo estadual, Ulrich Siegmund, afirmou que conversará com grupos parlamentares e deputados individualmente para avaliar possíveis apoios.
AfD amplia força na Saxônia-Anhalt
A eleição ocorreu no fim de semana, e a AfD comemorou o resultado no domingo (6), em um teatro de Magdeburgo. Pesquisas de boca de urna divulgadas pela emissora ARD apontaram o partido na liderança do pleito.
Os números apresentados no material indicam 44,4% para a AfD. Os conservadores da CDU, ligados ao chanceler Friedrich Merz, ficaram com 18,3%, enquanto social-democratas e Verdes também superaram o percentual mínimo necessário para conquistar cadeiras no Parlamento estadual.
O texto, no entanto, apresenta os 44,4% ao lado da referência a uma pesquisa de boca de urna. Por isso, o resultado deve ser tratado conforme essa atribuição, sem confundir a projeção inicial com uma apuração oficial não detalhada no material.
Sven Schulze, líder da CDU na Saxônia-Anhalt e atual ministro estadual, reconheceu a derrota do partido e parabenizou o adversário. O resultado colocou a AfD diante da possibilidade de chegar ao governo estadual pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, segundo o material.
Partido busca apoio para governar
A vitória eleitoral não resolveu a formação do governo. Sem maioria absoluta, a AfD precisará encontrar parceiros ou obter apoio parlamentar suficiente para aprovar sua estrutura de administração estadual.
Siegmund disse que pretende conversar tanto com grupos parlamentares quanto com deputados individualmente. A estratégia busca identificar se existe disposição para apoiar a legenda na condução do governo local.
Os partidos tradicionais, segundo o material, recusaram-se a trabalhar com a AfD. Essa posição reduz as alternativas da legenda e pode prolongar as negociações após a eleição.
Uma possibilidade mencionada é o BSW, partido de esquerda. A eventual participação nas conversas, porém, dependeria de a legenda superar o percentual mínimo necessário para entrar no Parlamento estadual.
Meta federal chega após vitória estadual
Após o desempenho na Saxônia-Anhalt, Alice Weidel afirmou que a AfD pretende alcançar ao menos 40% na próxima eleição federal alemã. A declaração transforma o resultado estadual em argumento para ampliar a ambição nacional do partido.
A meta, contudo, é uma intenção política da liderança da legenda, não uma previsão de resultado eleitoral. O material não informa a data da próxima eleição federal nem apresenta pesquisas que sustentem esse percentual.
É claro que vamos conversar para saber se há — e esta é uma mensagem crucial hoje — grupos parlamentares ou deputados individualmente dispostos a se juntar a nós para enfrentar essa tarefa histórica”
Ulrich Siegmund, candidato da AfD ao governo da Saxônia-Anhalt
A AfD foi criada em 2013 e, desde então, ampliou sua presença política, de acordo com o texto. A Saxônia-Anhalt, que anteriormente fazia parte da Alemanha Oriental comunista, tem pouco mais de 2 milhões de habitantes e está entre os menores estados alemães.
O avanço no estado reforça a posição da legenda no leste do país. Ao mesmo tempo, a falta de maioria absoluta mostra que conquistar a primeira colocação não garante, por si só, o controle do governo estadual.
Legenda mantém agenda de ruptura
A AfD defende restrições severas à imigração, a retomada dos laços com a Rússia e o abandono do euro. O partido também promove uma forma de patriotismo alemão descrita no material como sem constrangimentos.
Essas propostas ajudam a explicar a distância entre a legenda e os partidos tradicionais. A recusa de cooperação anunciada por essas forças também interfere diretamente nas negociações para formar o governo da Saxônia-Anhalt.
O partido foi classificado como extremista de direita pelo escritório regional do serviço de inteligência interna da Alemanha, segundo o material. A classificação aparece como parte do contexto político da vitória, mas não altera o resultado eleitoral apresentado.
Com isso, a AfD enfrenta uma contradição política: obteve forte votação, mas permanece isolada entre as demais forças partidárias. A solução dessa disputa dependerá das conversas com bancadas e parlamentares individuais.
Resultado pressiona governo de Merz
Os conservadores ligados a Friedrich Merz terminaram a eleição estadual bem atrás da AfD, com 18,3% dos votos segundo os números apresentados. O resultado representa um revés para o chanceler e para a CDU na região.
O material também relaciona a derrota à queda da aprovação pessoal de Merz, descrita como historicamente baixa. Além disso, menciona o afastamento de eleitores em relação às reformas planejadas para reanimar a economia alemã.
A economia do país enfrenta um ritmo lento de crescimento, conforme o texto. O estilo de comunicação do chanceler, marcado por frequentes gafes, também é apontado como fator de desgaste político.
Embora a eleição tenha ocorrido em nível estadual, o resultado amplia a pressão sobre o governo federal. A AfD passou a usar a vitória como demonstração de força, enquanto a CDU terá de lidar com a perda de espaço para um adversário que os demais partidos dizem não aceitar em coalizões.
Negociações definirão próximos passos
A principal questão imediata é saber se a AfD conseguirá reunir apoio para governar. A legenda venceu, mas ainda precisa transformar a vantagem eleitoral em maioria parlamentar ou em acordos suficientes para formar uma administração.
As negociações podem ser longas, segundo o material. Enquanto isso, a possibilidade de um governo liderado pela AfD permanece condicionada à posição dos demais partidos e ao desempenho do BSW na obtenção de cadeiras.
O episódio também abre uma disputa sobre a interpretação do resultado. Weidel classificou a votação como histórica e disse que ela deu ao partido um mandato claro para governar, mas a ausência de maioria absoluta limita a aplicação imediata dessa reivindicação.
Para a política nacional, a AfD pretende aproveitar o impulso e projetar uma votação de 40% na próxima eleição federal. Até que a data do pleito e os acordos estaduais sejam definidos, porém, o resultado da Saxônia-Anhalt representa uma vitória importante, mas ainda não assegura o poder executivo local.


