O Barclays anunciou nesta quinta-feira (22) um plano para eliminar aproximadamente 5 mil postos de trabalho ao longo de 2026, o equivalente a cerca de 5% de sua força de trabalho. O banco britânico relaciona a redução do quadro à simplificação de processos e à adoção de ferramentas tecnológicas, incluindo inteligência artificial, com o objetivo de diminuir despesas permanentes e elevar a rentabilidade.
A decisão acompanha a apresentação dos resultados do terceiro trimestre, período em que a instituição registrou lucro antes de impostos de cerca de 2,32 bilhões de libras, 12% acima do obtido um ano antes. O avanço, porém, não alcançou a expectativa de 2,42 bilhões de libras reunida pelo próprio banco, pressionado por receitas menores na negociação de produtos de renda fixa.
Funções de apoio atingidas
A diretora financeira Anna Cross informou que aproximadamente 60% das vagas afetadas pertencem a funções de apoio. Nesse grupo estão atividades de desenvolvimento de sistemas, nas quais o banco considera que os ganhos de produtividade com novas tecnologias permitirão trabalhar com estruturas mais enxutas.
Segundo a executiva, cerca de mil posições já foram eliminadas. A previsão anunciada é concluir os demais cortes até o encerramento de 2026, o que representa aproximadamente quatro mil postos adicionais em relação aos desligamentos já contabilizados.
O plano não significa que todas as posições serão substituídas diretamente por um programa de IA. A estratégia também envolve reorganização interna, modernização de plataformas e simplificação operacional. O banco descreve essas iniciativas como medidas estruturais, com efeitos esperados sobre as despesas nos próximos períodos.
No terceiro trimestre, o Barclays contabilizou 201 milhões de libras em ações de redução estrutural de custos e indicou intenção de aplicar outros 300 milhões de libras em iniciativas semelhantes no último trimestre. Essas despesas de reestruturação fazem parte da reorganização necessária antes da obtenção integral das economias pretendidas.
Lucro supera ano anterior
Apesar do anúncio das demissões, o banco manteve crescimento do resultado trimestral. A receita total atingiu aproximadamente 7,37 bilhões de libras, aumento de 3% ante os 7,17 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O lucro antes dos impostos aumentou de 2,08 bilhões para 2,32 bilhões de libras na comparação anual. O resultado ficou abaixo da projeção de analistas reunida pela instituição e ajuda a explicar por que a divulgação não foi recebida de maneira uniformemente positiva pelos investidores.
| Indicador | 3º trimestre de 2026 | Comparação |
|---|---|---|
| Lucro antes de impostos | £ 2,32 bilhões | Alta de 12% em um ano |
| Receita do grupo | £ 7,37 bilhões | Alta de 3% |
| Receita do banco de investimentos | £ 3,1 bilhões | Estimativa de £ 3,3 bilhões |
| Cortes de postos de trabalho | Cerca de 5 mil em 2026 | Aproximadamente 5% do quadro |
Fonte: divulgação de resultados do Barclays e dados do consenso reunidos pelo banco.
A melhora nas contas do grupo convive, portanto, com pressões distintas entre divisões. O crescimento em determinadas atividades não compensou integralmente o desempenho mais fraco de operações consideradas importantes para a rentabilidade do braço de investimentos.
Renda fixa decepciona
O banco de investimentos gerou receita de cerca de 3,1 bilhões de libras no trimestre, inferior à previsão de 3,3 bilhões. A principal fraqueza ocorreu nas negociações de renda fixa, moedas e commodities, que tiveram recuo de 19% na comparação anual.
Em sentido oposto, a receita com negociação de ações cresceu 47%. A diferença entre as duas áreas chama atenção porque demonstra que o desempenho da divisão não foi homogêneo e que condições de mercado e composição dos negócios influenciaram os resultados.
O presidente-executivo C. S. Venkatakrishnan manifestou insatisfação com o rendimento das mesas de renda fixa. Ele atribuiu parte do problema à volatilidade e à atividade mais fraca em produtos de juros e crédito, destacando que a área receberia atenção da administração.
Os números ajudam a separar a questão do emprego do desempenho comercial do trimestre. A reestruturação apresentada pelo Barclays abrange o conjunto da operação, enquanto a frustração específica de receitas foi concentrada em determinadas atividades do banco de investimentos.
Automação e custos futuros
A direção da instituição tem apresentado a atualização tecnológica como componente de uma estratégia de vários anos. Ela inclui mudanças em infraestrutura e sistemas internos, necessárias para que diferentes equipes trabalhem com processos mais integrados e menos tarefas manuais.
Em declaração pública sobre o uso da inteligência artificial, Venkatakrishnan ressaltou que a tecnologia depende de uma infraestrutura modernizada para produzir ganhos significativos. Dessa forma, os cortes anunciados não devem ser interpretados como resultado isolado de uma ferramenta digital, mas como parte de um programa mais amplo de eficiência.
O Barclays projetou custos de aproximadamente 18,5 bilhões de libras em 2026, com redução para cerca de 18,4 bilhões no ano seguinte. A trajetória efetiva dependerá da execução das medidas e das condições de mercado enfrentadas pelo grupo.
Além dos custos operacionais, o setor bancário britânico acompanha as definições tributárias do orçamento do Reino Unido previsto para 28 de outubro, tema capaz de alterar as expectativas de rentabilidade das instituições financeiras.
