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Elon Musk afirmou que apoia a possibilidade de unir SpaceX e Tesla, após a empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial divulgar lucro líquido de US$ 4,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026. A proposta ainda está em análise e não existe acordo definitivo entre os dois grupos controlados ou liderados pelo bilionário.

Os conselhos das companhias criaram comitês especiais de diretores independentes para estudar uma eventual operação. Musk reconheceu que não pode conduzir pessoalmente as negociações devido ao conflito de interesses entre suas posições nas duas empresas, mas afirmou acreditar em potenciais benefícios da combinação.

Fusão ainda depende de acordo

Durante conversa com analistas em 20 de outubro, Musk descreveu a delicadeza de tratar do assunto e disse considerar positiva a hipótese de integrar as operações. Ele deixou claro, porém, que os comitês não haviam acertado condições de uma transação.

O executivo reconheceu o conflito de interesse decorrente de suas participações acionárias e cargos. A análise independente é uma etapa relevante porque qualquer negociação precisa considerar os interesses dos investidores de cada empresa, incluindo acionistas que não participam da administração.

A estrutura de uma eventual união não foi definida publicamente. Entre as possibilidades estudadas no mercado estão formas de aquisição ou combinação societária, mas nenhuma foi anunciada como decisão final pelos comitês.

Uma operação dessa dimensão dependeria de procedimentos societários, votação de acionistas e análise regulatória. O debate envolve avaliações elevadas e negócios que atuam em setores com exigências diferentes, da indústria automobilística às atividades espaciais e militares.

Lucro da SpaceX surpreende

O balanço divulgado pela SpaceX revelou receita trimestral de aproximadamente US$ 14,58 bilhões, avanço anual de 161%. O lucro líquido foi de US$ 4,4 bilhões, enquanto no mesmo período de 2025 havia sido registrado prejuízo de cerca de US$ 1,1 bilhão.

A empresa registrou seu primeiro trimestre lucrativo desde que estreou na bolsa americana. O crescimento superou as expectativas do mercado e impulsionou negociações das ações após a divulgação das informações e dos comentários de Musk sobre a possível fusão.

O segmento de inteligência artificial, chamado pela companhia de Super Intelligence, teve receita de aproximadamente US$ 7,56 bilhões, mais de nove vezes superior à de um ano antes. Esse negócio passou a representar a maior fonte de faturamento da empresa no trimestre.

Números do trimestre da SpaceX
Indicador Resultado
Receita total US$ 14,58 bilhões
Variação anual da receita +161%
Lucro líquido US$ 4,4 bilhões
Receita em inteligência artificial US$ 7,56 bilhões
Investimento de capital US$ 19,6 bilhões

Fonte: SpaceX, resultados do terceiro trimestre de 2026.

Apesar do lucro, a expansão exige investimentos expressivos. Os gastos de capital chegaram a US$ 19,6 bilhões no trimestre, quase três vezes o valor de um ano antes, em meio à construção de infraestrutura computacional e ao desenvolvimento de sistemas espaciais.

A SpaceX reúne serviços de lançamento de foguetes, conectividade por satélites e capacidade de processamento para clientes de tecnologia. O Starlink encerrou o período com 13,6 milhões de assinantes, enquanto sua receita média por usuário recuou em razão da expansão internacional.

Na área de inteligência artificial, a companhia passou a oferecer capacidade de centros de dados para grandes clientes de tecnologia. O crescimento do segmento contribuiu decisivamente para transformar o prejuízo anterior em lucro, mas amplia a necessidade de novos investimentos.

Uma união com a Tesla poderia conectar os sistemas de armazenamento de energia e os equipamentos de automação da montadora à infraestrutura espacial e computacional da SpaceX. Musk também citou oportunidades em robótica, projeto de chips e serviços de comunicação.

O argumento financeiro inclui a possibilidade de compartilhar pesquisa, processos industriais e capital. Ainda assim, sinergias projetadas não equivalem a economias ou receitas já realizadas, e sua concretização dependeria do modelo final de negócios.

Regulação será obstáculo importante

A Tesla possui operações industriais e comerciais internacionais, com presença relevante na China. Já a SpaceX mantém contratos estratégicos com o governo dos Estados Unidos, incluindo atividades espaciais e serviços de comunicação que podem envolver questões de segurança nacional.

Uma combinação societária desse porte pode despertar questionamentos concorrenciais e geopolíticos. Autoridades precisariam avaliar como as operações e tecnologias das duas empresas seriam administradas e quais dados, capacidades e relações contratuais poderiam ser compartilhados.

Também há dúvidas sobre governança. O papel de Musk em empresas de grande porte já é assunto recorrente entre investidores, e qualquer fusão precisaria detalhar controle acionário, participação dos minoritários e responsabilidades dos conselhos.

A SpaceX passou a ser negociada na Nasdaq em junho de 2026, depois de uma oferta pública inicial. A eventual fusão não tem data de conclusão anunciada e permanece sob avaliação dos comitês independentes constituídos nas duas empresas.

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