A American Airlines registrou prejuízo líquido de US$ 269 milhões no terceiro trimestre de 2026, mais que o dobro da perda de US$ 114 milhões apurada um ano antes, mesmo com aumento de 19,3% na receita. A companhia aérea norte-americana divulgou os resultados nesta quinta-feira (22) e reduziu suas expectativas para o fechamento do ano diante do encarecimento do combustível.
O faturamento alcançou US$ 16,3 bilhões entre julho e setembro, acima da faixa indicada anteriormente pela empresa. Entretanto, as despesas com combustível aumentaram US$ 1,9 bilhão na comparação anual, crescimento de 67,5%, comprimindo as margens e levando a empresa a projetar uma perda ajustada por ação em 2026.
Combustível pressiona resultado
O avanço nas receitas não foi suficiente para neutralizar a elevação de gastos operacionais. No comunicado divulgado aos investidores, a empresa informou que a despesa com combustível cresceu US$ 1,9 bilhão em relação ao terceiro trimestre do ano passado, uma variação considerada decisiva para o desempenho financeiro.
A perda contábil de US$ 269 milhões equivale a US$ 0,41 por ação diluída. Desconsiderando itens especiais, o prejuízo ajustado foi de US$ 182 milhões, ou US$ 0,28 por ação, número que permite observar o efeito das operações recorrentes sob outra métrica.
O resultado líquido negativo supera os US$ 114 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. A deterioração ocorreu apesar do avanço da demanda e do reajuste de tarifas em diferentes rotas, evidenciando a intensidade da pressão exercida pela energia sobre os custos de operação.
Robert Isom, presidente-executivo da American Airlines, destacou que a companhia obteve receitas trimestrais recordes, mas reconheceu que os preços historicamente elevados do combustível afetaram de modo significativo as contas. A administração mantém a recuperação da lucratividade como objetivo.
Receita cresce em várias rotas
O transporte de passageiros respondeu por cerca de US$ 14,9 bilhões das receitas, crescimento anual de 19,5%. A receita proveniente de assentos premium aumentou 22,9%, enquanto a cabine principal teve expansão de 19,5%, de acordo com o balanço.
A companhia registrou crescimento de 14,5% na receita unitária total. No mercado doméstico, o indicador avançou 13,6%; nas operações internacionais, a elevação foi de 16,4%, com destaque para a região da América Latina.
| Indicador | 3º trimestre de 2026 | Variação anual |
|---|---|---|
| Receita total | US$ 16,3 bilhões | +19,3% |
| Prejuízo líquido | US$ 269 milhões | Ante US$ 114 milhões |
| Prejuízo líquido ajustado | US$ 182 milhões | Comparação ajustada com 2025 |
| Despesa com combustível | Aumento de US$ 1,9 bilhão | +67,5% |
| Receita premium | Avanço das vendas | +22,9% |
Fonte: American Airlines Group, resultados financeiros do terceiro trimestre de 2026.
A receita proveniente de viagens corporativas administradas cresceu 27,6% na comparação anual, completando seis trimestres consecutivos de expansão de dois dígitos nessa categoria. As inscrições no programa de fidelidade AAdvantage aumentaram 27,4%.
Projeção anual piora
A American Airlines passou a projetar prejuízo ajustado de US$ 1 a US$ 1,60 por ação no ano de 2026. Na estimativa anterior, a administração trabalhava com um intervalo entre perda de US$ 0,65 e ganho de US$ 0,65 por ação.
A revisão reflete a combinação entre combustíveis mais caros e dificuldade para elevar as tarifas no mesmo ritmo. O encarecimento do querosene de aviação, em ambiente de volatilidade internacional, afeta diretamente as margens porque combustível representa uma despesa importante das companhias aéreas.
Para o quarto trimestre, a companhia prevê que a receita continue crescendo, mas isso não equivale a uma expectativa de retomada imediata do lucro. A orientação de resultado por ação permanece negativa, segundo as projeções divulgadas.
As ações da empresa recuaram nas negociações anteriores à abertura do mercado após a atualização das perspectivas. A resposta dos investidores ocorreu mesmo com o faturamento elevado, pois a rentabilidade e a geração de resultados também são determinantes para a avaliação financeira.
Setor enfrenta custos elevados
O impacto da energia não se restringe à American Airlines. Outras grandes empresas aéreas norte-americanas também enfrentam dificuldades para absorver aumentos de custos e têm considerado ajustes de oferta para preservar margens operacionais.
No caso da American, a empresa destacou que a receita no terceiro trimestre superou a parte superior da orientação financeira divulgada anteriormente. Ainda assim, a diferença entre faturamento e lucro demonstra que expansão comercial não garante melhora imediata das contas.
O segundo trimestre de 2026 havia encerrado com lucro líquido de US$ 71 milhões e receita de US$ 16,7 bilhões. A comparação sequencial mostra uma mudança relevante no resultado final, embora os períodos sejam afetados por fatores sazonais e níveis distintos de despesa.
Os documentos apresentados à autoridade reguladora do mercado norte-americano registram também aumento de gastos com salários e outros custos operacionais, parcialmente compensado por maior receita com passagens. O exercício de 2026 permanece sujeito ao desempenho do último trimestre e aos preços efetivamente pagos pelo combustível.
