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Os alarmes de ataques aéreos passaram a determinar a rotina de alunos e professores de uma escola primária nos arredores de Kyiv, na Ucrânia. Quando as sirenes soam, crianças abandonam brinquedos e mochilas espalhadas pelo pátio e correm para o abrigo subterrâneo. Em 20 de outubro, a equipe da escola UMKA mostrou à agência AFP como o ensino continua em meio aos ataques russos.

A ameaça não é abstrata para a comunidade escolar. Dias antes da visita, um drone atingiu o parquinho da instituição, provocou uma bola de fogo e danificou salas. As crianças estavam protegidas no subsolo no momento do impacto; um avô que permanecia do lado de fora escapou por segundos.

Corrida ao abrigo

Professores recolhem os alunos que ainda estão no pátio e acompanham a descida para o abrigo. A equipe de limpeza verifica se ninguém ficou para trás. O procedimento é repetido mesmo quando as aulas ou brincadeiras são interrompidas poucos minutos após o retorno à superfície.

A diretora Valentyna Kurinna é responsável por organizar a resposta da escola aos alertas. Durante uma ocorrência, ela pediu em voz alta que todos fossem rapidamente ao local protegido, conduzindo as crianças para longe da área aberta.

Todos para o abrigo, rápido, rápido, rápido!”

Valentyna Kurinna, diretora da escola UMKA

No dia acompanhado pela reportagem da AFP, os alertas soaram cinco vezes entre 7h30 e 17h. Cada interrupção exige deslocar turmas, reorganizar atividades, conferir a presença das crianças e adaptar o trabalho dos educadores.

Os riscos aumentaram com a frequência de ataques diurnos. A capital ucraniana já estava habituada a alarmes noturnos, mas as ofensivas também durante o dia obrigam as escolas a manter a rotina de emergência continuamente preparada.

Drone atingiu o parquinho

Imagens de câmeras de segurança documentaram o ataque próximo ao espaço utilizado pelos alunos. Um homem idoso aparece olhando para o céu e correndo antes da explosão, que atinge brinquedos e estruturas coloridas onde as crianças costumam brincar.

Outra gravação mostra o efeito da onda de choque em uma sala vazia: janelas se rompem, cadeiras são deslocadas e fragmentos de vidro se espalham. O episódio ilustra por que os funcionários insistem na retirada imediata das crianças quando recebem os avisos.

A escola não abandonou suas atividades, mas precisou modificar os espaços utilizados para o ensino. O abrigo não serve apenas como ponto de espera; parte do conteúdo escolar é oferecida ali para que a rotina pedagógica possa continuar durante os períodos de risco.

O deslocamento constante impõe também exigências emocionais. Educadores precisam tranquilizar crianças assustadas, explicar procedimentos de proteção e administrar a ansiedade dos pais enquanto aguardam o fim dos alertas.

Aulas continuam no subsolo

A UMKA atende aproximadamente 130 alunos, segundo o relato divulgado pela AFP. As turmas utilizam um espaço subterrâneo preparado para receber atividades pedagógicas durante os ataques, com carteiras e materiais necessários para continuar as lições.

Professores tentam manter exercícios, explicações e convívio entre colegas mesmo quando a turma precisa deixar o ambiente principal. A continuidade das aulas evita interrupções totais, embora os procedimentos de segurança consumam tempo e atenção dos profissionais.

Os responsáveis recebem informações por grupos de mensagens, que permitem comunicar a localização e a situação dos estudantes. A transmissão rápida desses avisos ajuda a reduzir a incerteza durante ataques, sobretudo quando as famílias estão separadas de seus filhos.

Nem todas as escolas de Kyiv dispõem de estrutura equivalente. Estimativas citadas na cobertura indicam que apenas 40% contam com espaço suficiente de abrigo para os estudantes, e parte das instalações existentes enfrenta limitações de equipamentos e capacidade.

Guerra afeta o aprendizado

A invasão russa em grande escala começou em fevereiro de 2022 e já ultrapassava quatro anos e meio quando a AFP visitou a escola. Nesse intervalo, instituições de ensino em várias partes da Ucrânia enfrentaram destruição de instalações, deslocamento de famílias e períodos prolongados de aprendizagem remota.

Em Kyiv, a presença dos estudantes em salas convencionais depende não apenas da existência de professores e materiais, mas também de infraestrutura capaz de protegê-los. Escolas sem abrigo adequado precisam adotar alternativas de ensino e regras de presença mais restritivas.

A experiência da UMKA mostra como um ataque ao espaço de lazer transforma todo o funcionamento de uma instituição: a vigilância do céu, os sistemas de alarme e os percursos até o subsolo passaram a fazer parte do cotidiano escolar.

As fotografias feitas em 20 de outubro mostram crianças estudando em uma sala no porão da escola durante um alerta aéreo. O abrigo, com mesas e material escolar, continuava sendo utilizado para manter as atividades naquele dia.

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