Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O México suspendeu a importação de carne de frango e de outros produtos avícolas procedentes do Brasil depois da confirmação de um foco da doença de Newcastle em Santa Catarina. A medida foi anunciada na segunda-feira (19) pela Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural mexicana, por meio do serviço sanitário Senasica.

A restrição não se limita ao frango destinado ao consumo. Também impede a entrada de miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos com até três dias e determinadas categorias de aves vivas vindas do Brasil, enquanto as autoridades avaliam as condições sanitárias do foco.

México interrompe compras de aves

O governo mexicano justificou a suspensão como medida preventiva para proteger sua produção avícola, uma vez que considera seu território livre da enfermidade. As restrições alcançam operações comerciais e produtos transportados por viajantes.

A duração da medida ainda depende da análise das informações sanitárias encaminhadas pelo Brasil. O fechamento afeta um mercado importante para exportadores brasileiros, embora não signifique que outros países tenham automaticamente adotado a mesma decisão.

Quais produtos tiveram entrada suspensa
Produto Situação
Carne e miúdos de aves Entrada suspensa
Ovos férteis e pintinhos Entrada suspensa
Aves ornamentais e outras aves vivas Entrada suspensa

Fonte: Secretaria de Agricultura do México / Senasica

Foco foi identificado em perus

O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou a ocorrência em uma granja comercial de perus de corte em Nova Itaberaba, no oeste catarinense. A suspeita foi investigada pelo serviço veterinário oficial de Santa Catarina e confirmada por laboratório federal de referência.

O estabelecimento foi interditado, e a movimentação de aves passou a ser controlada como parte das ações de contenção. O plano sanitário prevê procedimentos de investigação epidemiológica e medidas de erradicação, conforme o risco identificado.

O ministro da Agricultura, André de Paula, informou que o governo adotou providências sanitárias logo após a confirmação. A região concentra atividade avícola relevante e a resposta envolve estabelecimentos próximos ao foco, além de autoridades estaduais e federais.

O Brasil deve comunicar ocorrências dessa natureza à Organização Mundial de Saúde Animal e aos parceiros comerciais, conforme compromissos internacionais de transparência. A notificação permite que cada importador avalie suas próprias exigências sanitárias.

Doença afeta sistema das aves

A doença de Newcastle é uma enfermidade viral altamente contagiosa que pode atingir aves domésticas e silvestres. Dependendo da cepa e das condições da criação, ela provoca sinais respiratórios, digestivos e neurológicos, além de perdas na produção e mortalidade elevada.

A infecção é acompanhada por serviços de defesa agropecuária porque pode se disseminar entre plantéis e provocar restrições ao comércio internacional. Medidas como controle de trânsito, isolamento e limpeza de instalações fazem parte dos protocolos utilizados.

O Ministério da Agricultura esclareceu que produtos avícolas submetidos à inspeção sanitária oficial permanecem seguros para consumo humano. A existência do foco em uma granja não deve ser interpretada como comprovação de contaminação da carne vendida nos estabelecimentos comerciais.

Exportadores aguardam reavaliação mexicana

O embargo preventivo ilustra como notificações veterinárias podem ter consequências imediatas para as vendas externas. Importadores podem exigir informações sobre a abrangência do foco, as ações de controle e as garantias apresentadas pelo país exportador antes de reabrir o mercado.

As autoridades brasileiras buscam demonstrar o alcance geográfico das medidas de contenção, estratégia conhecida como regionalização sanitária. Ela permite discutir restrições limitadas às áreas afetadas, em vez de suspensões nacionais, quando os protocolos bilaterais aceitam esse procedimento.

No caso mexicano, o Senasica suspendeu os documentos zoossanitários necessários à entrada das categorias abrangidas. A retomada dependerá de uma nova decisão da autoridade do México, com base nos dados recebidos sobre o foco registrado em Nova Itaberaba.

WhatsAppFacebook