O apoio à pena de morte nos Estados Unidos chegou a 55% em pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira, 20 de outubro de 2026. Embora a maioria continue favorável à punição para condenados pelos crimes mais graves, o índice caiu oito pontos percentuais em relação a 2017, quando era de 63%.
No levantamento atual, 31% disseram ser contrários à pena capital e 13% não souberam responder ou não apresentaram posição. A sondagem entrevistou 1.679 adultos americanos e tem margem de erro de aproximadamente dois pontos percentuais, segundo os responsáveis pela pesquisa.
Apoio diminui desde 2017
A queda na proporção favorável à pena capital ocorre em um país onde as regras de execução variam entre estados. Parte deles aboliu a prática e outros seguem prevendo a punição em legislação local ou federal.
A pesquisa usa uma pergunta sobre a aplicação da pena de morte a pessoas condenadas pelos crimes de maior gravidade, o que permite observar a evolução do apoio nos dois levantamentos da Reuters/Ipsos.
O resultado de 55% significa que o apoio ainda supera a oposição, mas também demonstra que uma parcela expressiva dos entrevistados não aprova a medida. A distância entre favoráveis e contrários é de 24 pontos percentuais.
A margem de erro da amostra deve ser levada em conta para interpretar pequenas diferenças, mas não explica sozinha a redução de oito pontos entre os percentuais divulgados em 2017 e 2026.
Nova execução divide americanos
A pesquisa perguntou o que deve ocorrer quando a primeira tentativa de executar uma pessoa condenada fracassa. Aproximadamente um terço dos entrevistados apoiou uma segunda tentativa.
Outros 39% preferem a substituição por prisão perpétua e 26% não manifestaram escolha definida. A questão distingue o apoio genérico à pena capital da aceitação de procedimentos repetidos após falhas graves.
| Como mudou o apoio à pena capital | |
|---|---|
| Indicador | Percentual |
| Apoio em 2017 | 63% |
| Apoio em 2026 | 55% |
| Contrários em 2026 | 31% |
| Sem resposta em 2026 | 13% |
O debate ganhou força com episódios de execução malsucedida por injeção letal. Os casos expuseram dificuldades médicas, controvérsias jurídicas e limites operacionais de um método adotado em diferentes estados.
Caso no Tennessee reacende discussão
A condenada Christa Pike sobreviveu a uma tentativa de execução por injeção letal no Tennessee, em setembro de 2026. Segundo o relato disponível, ela precisou ser hospitalizada após o procedimento e recuperou a consciência dias depois.
O episódio levantou dúvidas sobre uma nova data para execução e sobre a resposta que tribunais devem dar quando o estado não consegue concluir o procedimento previsto.
O caso difere de condenações inicialmente comutadas por decisão judicial: a questão discutida envolve a tentativa de aplicar uma sentença que já havia sido autorizada, e não uma nova condenação criminal.
Transmissão pública é rejeitada
Outra pergunta examinou a ideia de transmitir execuções ao vivo. A rejeição alcançou 71% dos entrevistados, indicando que a maioria contrária à exposição pública é maior do que a parcela contrária à própria pena capital.
A proposta ganhou atenção após declarações do secretário de Defesa Pete Hegseth sobre a execução planejada do ex-militar Nidal Hasan, condenado pelos assassinatos na base de Fort Hood, no Texas.
O levantamento também captou diferenças entre eleitores associados aos dois principais partidos políticos americanos. No caso de Hasan, o respaldo à execução por fuzilamento foi mais elevado entre republicanos do que entre democratas.
Os Estados Unidos continuam divididos entre jurisdições com e sem pena de morte. As disputas sobre métodos de execução e recursos judiciais acontecem dentro desse quadro, no qual regras estaduais e decisões federais coexistem.
