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O governo federal tenta viabilizar a votação da proposta de emenda à Constituição da Segurança Pública no Senado antes do segundo turno da eleição presidencial, previsto para 25 de outubro. A articulação esbarra na disputa sobre a redução da maioridade penal, que parlamentares da oposição querem associar à análise da PEC.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disse que a intenção é buscar uma votação na semana seguinte à declaração feita na quinta-feira (15). O calendário, porém, permanece condicionado a entendimentos no Senado, onde não houve consenso para concluir a análise antes do fim daquela semana.

Governo busca votação antes do pleito

A estratégia governista é manter a PEC de segurança concentrada nas mudanças institucionais e discutir a idade de responsabilização criminal em tramitação separada. A oposição, por sua vez, defende aproveitar a proposta para apreciar regras mais rigorosas para adolescentes envolvidos em determinados crimes.

O texto já passou pela Câmara e se encontra no Senado. Como se trata de mudança constitucional, não basta a intenção do Executivo: é necessário obter o apoio qualificado dos parlamentares e respeitar os turnos de deliberação previstos na Constituição.

Maioridade penal divide as articulações

A Constituição estabelece atualmente a inimputabilidade penal de menores de 18 anos, sujeitos a responsabilização por atos infracionais sob normas específicas. Alterar esse limite exigiria mudança constitucional e aprovação pelo Congresso.

Entre propostas debatidas por grupos políticos há a redução para 16 anos em crimes hediondos e formatos mais amplos que contemplam responsabilização a partir de 14 anos em situações graves. São alternativas em discussão, não novas regras já aprovadas.

O governo busca evitar que divergências sobre essa pauta impeçam a votação dos dispositivos de segurança pública que têm apoio de sua bancada. Mesmo entre aliados do Executivo, a redução da maioridade provoca posições diferentes, o que complica um acordo.

Pontos centrais da tramitação

Fonte: Congresso Nacional.

Votação depende de acordo no Senado

A expectativa de apreciação da PEC na quinta-feira (15) não se concretizou. O assunto foi retirado da pauta após conversas entre representantes do governo e a presidência do Senado, liderada por Davi Alcolumbre.

Governistas defenderam a aprovação sem alterações, para evitar que o texto precise retornar à Câmara dos Deputados. Modificações substanciais exigiriam nova apreciação dos pontos alterados, afetando o calendário pretendido.

José Guimarães indicou que a redução da maioridade penal poderia avançar em outra PEC, discussão que não foi encerrada pela decisão de separar as pautas. A divergência sobre o momento de votar cada medida segue no centro da negociação.

Proposta ainda enfrenta etapas legislativas

A PEC da Segurança trata do arranjo constitucional para políticas e estruturas de segurança pública. A tramitação busca estabelecer mecanismos de atuação do Estado, mas a aplicação de mudanças depende da redação aprovada e de etapas posteriores de implementação.

A proximidade do segundo turno ampliou a pressão por uma definição. Tanto o governo quanto a oposição procuram estabelecer prioridades legislativas, embora a votação da PEC não represente por si só a aprovação de todas as medidas debatidas durante a campanha.

Não há confirmação de que a proposta será votada e promulgada antes da eleição. A agenda do Senado e o conteúdo final dependerão das negociações, do texto submetido ao plenário e dos votos necessários em cada turno.

A discussão sobre idade penal também permanece juridicamente distinta da organização das forças de segurança. Confundir os dois temas pode transmitir ao público a impressão incorreta de que um voto sobre a PEC resolveria automaticamente ambas as questões.

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