O jornalista e advogado Márcio Chaer, fundador e diretor da revista eletrônica Consultor Jurídico (ConJur), morreu aos 71 anos em São Paulo, após sofrer um mal súbito decorrente de esforço físico. O profissional foi vítima de um roubo nas proximidades da estação Armênia do Metrô, na região central da capital paulista, quando teve seu aparelho celular levado de dentro do veículo em que estava.
De acordo com registros da Polícia Militar, o episódio ocorreu na Avenida Pedro Vicente. Imagens de segurança obtidas pela imprensa registraram o momento em que o jornalista desceu do carro e correu atrás do suspeito por algumas centenas de metros. Durante a perseguição, Chaer apresentou sinais de cansaço extremo, sentou-se na calçada e sofreu uma parada cardiorrespiratória, vindo a falecer no local apesar do atendimento prestado por populares e equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Polícia investiga circunstâncias do caso
A Polícia Militar e a Polícia Civil iniciaram diligências imediatas para esclarecer os fatos e localizar os responsáveis pela investida criminosa. O caso foi oficialmente registrado no 8º Distrito Policial, localizado no Brás. As autoridades estão analisando imagens de câmeras de monitoramento instaladas nas imediações para identificar o autor do furto do celular e apurar todas as circunstâncias que antecederam o mal súbito.
A região onde ocorreu a ocorrência, próxima à estação Armênia e às avenidas Pedro Vicente e Cruzeiro do Sul, tem sido alvo de registros recorrentes de furtos e episódios de violência urbana. A apuração policial busca determinar a dinâmica exata da abordagem e o trajeto percorrido durante a tentativa de recuperar o aparelho levado do interior do automóvel.
Embora a suspeita médica e policial aponte para um infarto fulminante gerado pelo esforço físico intenso, a causa exata do falecimento aguarda os laudos periciais definitivos emitidos pelo Instituto Médico Legal. As autoridades seguem colhendo depoimentos de testemunhas e analisando vestígios para concluir o inquérito instaurado sobre o caso na capital paulista.
Jornalista construiu pioneirismo jurídico
Nascido e consolidado como uma das principais referências do setor, Márcio Chaer marcou a história da imprensa nacional ao fundar o site Consultor Jurídico em 1997. A publicação transformou-se em um marco na cobertura especializada do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos debates constitucionais no Brasil, oferecendo um acompanhamento diário e aprofundado das decisões dos tribunais superiores.
Antes de empreender com o veículo digital e com a agência de comunicação Original 123, Chaer acumulou passagens por redações de grande circulação no país. Ele atuou em veículos tradicionais como os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil, Gazeta Mercantil, Jornal da Tarde e a revista Veja, construindo uma sólida carreira marcada pelo rigor na apuração e pela defesa intransigente das liberdades democráticas.
Colegas de profissão e especialistas em direito destacam que o legado do jornalista permaneceu intimamente ligado à modernização da comunicação judiciária. Ao longo de quase três décadas à frente do ConJur, ele abriu espaço para o debate crítico e transparente sobre o funcionamento das instituições republicanas, tornando-se figura indispensável para entender a evolução institucional do país.
Autoridades lamentam perda trágica
A morte do fundador do ConJur repercutiu fortemente entre ministros de tribunais superiores, magistrados, parlamentares e entidades representativas da advocacia. O Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu uma nota oficial de pesar assinada pelo presidente da corte, Edson Fachin, ressaltando a relevância histórica do jornalista para a cobertura dos tribunais brasileiros e prestando solidariedade aos familiares e colegas de redação.
O jornalista, que nos deixa de forma trágica neste sábado, era um profundo conhecedor dos temas afeitos à justiça e ao direito no país.”
Cristiano Zanin
Diversos ministros do STF manifestaram publicamente suas condolências e lembraram a trajetória de independência de Chaer. O ministro Gilmar Mendes destacou a amizade de longa data e o pioneirismo do colega na imprensa especializada. Já Alexandre Moraes pontuou que, em um cenário de desinformação, o jornalista representava o melhor da profissão, unindo competência, inteligência e seriedade na cobertura dos fatos políticos e jurídicos.
O decano e outros magistrados, como Dias Toffoli e Cristiano Zanin, enfatizaram a lealdade e a integridade de Chaer na defesa do Estado Democrático de Direito. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, também se manifestou, afirmando que o jornalista ajudou a aproximar a sociedade das decisões da Justiça brasileira por meio de um trabalho profissional e dedicado.
Instituições reconhecem legado nacional
O impacto da morte de Márcio Chaer mobilizou lideranças de diferentes esferas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. O advogado-geral da União, Jorge Messias, utilizou as redes sociais para exaltar a contribuição inestimável deixada pelo jornalista na difusão da cultura jurídica nacional, manifestando solidariedade aos familiares, amigos e à equipe do portal de notícias.
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luís Felipe Salomão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) emitiram notas oficiais prestando homenagens póstumas e reconhecendo o papel fundamental desempenhado pelo fundador do ConJur na consolidação de um jornalismo livre, plural e comprometido com a ética.
As manifestações de pesar uniram juristas, advogados e profissionais da comunicação em torno do reconhecimento à trajetória de Chaer. As homenagens destacaram que sua contribuição para o debate público e institucional brasileiro continuará viva através das bases que ele ajudou a construir no jornalismo especializado ao longo de sua carreira.


