TRE-MG mantém cassação de vereadores de BH, mas afasta inelegibilidade

Tribunal Regional Eleitoral confirmou as sentenças contra Leonardo Ângelo e Lucas Ganem, mas afastou a inelegibilidade de ambos

Da
Redação
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Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais confirmou as cassações dos mandatos de Leonardo Ângelo e Lucas Ganem.
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O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) confirmou a cassação dos mandatos dos vereadores de Belo Horizonte Leonardo Ângelo e Lucas Ganem. As decisões colegiadas julgaram recursos contra sentenças proferidas inicialmente pela 29ª Zona Eleitoral da capital mineira. Os processos foram relatados pelo desembargador Sálvio Chaves, vice-presidente do tribunal e corregedor regional eleitoral.

Apesar de o tribunal ter mantido a perda dos mandatos em ambas as ações, a Corte acolheu parcialmente os pedidos das defesas para afastar a inelegibilidade dos políticos. Como ainda cabem novos recursos nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral, os dois parlamentares permanecem exercendo seus mandatos na Câmara Municipal enquanto os processos não transitam em julgado.

As acusações contra Leonardo Ângelo envolveram o reconhecimento de abuso de poder econômico, corrupção e fraude. A Corte apontou a utilização de recursos e da estrutura de campanha de um candidato majoritário de outra coligação, além de tratativas com outra candidata para que ela desistisse da disputa em troca de promessa de emprego.

Corte Eleitoral aponta fraude em domicílio eleitoral de parlamentar

No caso de Lucas Ganem, o tribunal confirmou a cassação devido a uma fraude relacionada à transferência de seu domicílio eleitoral para a capital mineira. Conforme a decisão, o político utilizou um endereço na cidade onde nunca teria residido para viabilizar sua candidatura nas eleições municipais de 2024.

Investigadores e o morador verdadeiro do imóvel confirmaram a irregularidade durante apurações anteriores sobre o caso. A defesa argumentou que o conceito de domicílio eleitoral seria mais amplo do que a exigência estrita de residência física, mas o entendimento foi desconsiderado pela Corte na esfera eleitoral.

Além da cassação do mandato na esfera eleitoral, Lucas Ganem também enfrentou desdobramentos na Justiça criminal pelo mesmo episódio. O vereador acabou condenado pelo crime de falsidade ideológica à pena de um ano e seis meses de prisão, que foi posteriormente substituída por prestação de serviços e pagamento de multa pecuniária.

Defesas anunciam novos recursos nas instâncias superiores

Diante das decisões desfavoráveis proferidas pelo tribunal mineiro, as defesas dos dois parlamentares informaram que pretendem esgotar os recursos disponíveis. Como a legislação eleitoral assegura o direito de ampla defesa até o trânsito em julgado definitivo, ambos seguem com suas atividades legislativas normais na Câmara Municipal.

A defesa afirmou que a decisão criminal é contrária ao que foi demonstrado no processo e que iria recorrer.”

Defesa de Lucas Ganem

As discussões jurídicas em torno dos mandatos ainda devem passar por análises adicionais em tribunais superiores. Enquanto isso, a situação política dos parlamentares permanece estabilizada de forma provisória, aguardando os próximos passos dos recursos protocolados pelos advogados de defesa.

Os desdobramentos desses processos exemplificam o rigor aplicado pela Justiça Eleitoral na fiscalização de irregularidades durante as campanhas e na verificação de requisitos legais para o registro de candidaturas. A atuação da corte estadual reforça o monitoramento constante sobre o cumprimento das normas vigentes no pleito municipal.

Câmara Municipal acompanha desdobramentos judiciais dos casos

A permanência temporária dos vereadores cassados nos cargos gera repercussão direta no ambiente político da Câmara Municipal de Belo Horizonte. A Casa legislativa acompanha os desdobramentos dos processos enquanto aguarda a comunicação oficial definitiva sobre o esgotamento de todas as possibilidades de recurso na Justiça.

No caso específico de Lucas Ganem, além da ação eleitoral e da condenação criminal por falsidade ideológica, o vereador também é alvo de um processo de natureza política na própria Câmara Municipal. Esse procedimento interno avalia se a conduta do parlamentar violou o código de ética da instituição.

As decisões do TRE-MG consolidam o entendimento de primeira instância sobre a gravidade das irregularidades constatadas, embora a supressão da inelegibilidade represente um fôlego jurídico para os políticos. A continuidade dos mandatos depende exclusivamente do ritmo dos recursos nas instâncias superiores.

Justiça Eleitoral mantém rigor contra irregularidades em campanhas

A atuação do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais nos processos evidenciou o rigor na apuração de desvios relacionados ao abuso de poder econômico e à lisura no registro de candidaturas. As sentenças confirmadas reforçam a necessidade de cumprimento estrito das regras estabelecidas pela legislação eleitoral brasileira.

Especialistas em direito eleitoral destacam que a jurisprudência atual tende a punir com rigor fraudes documentais e desvios de finalidade na utilização de estruturas partidárias. O afastamento da inelegibilidade, por outro lado, demonstra a análise individualizada de cada penalidade aplicada inicialmente pelos juízes zonais.

Com os processos ainda em aberto nas instâncias superiores, o cenário político da capital mineira segue sob atenção de eleitores e observadores da política local. O desfecho final caberá aos tribunais superiores em Brasília, que darão a palavra definitiva sobre a validade dos mandatos.

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