A percepção da opinião pública sobre a cúpula do Judiciário brasileiro sofreu uma guinada expressiva nos últimos meses, segundo os dados de um novo levantamento nacional. Divulgada nesta terça-feira (22 de setembro de 2026), a pesquisa da AtlasIntel aponta que 85,1% dos brasileiros acreditam em envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal com o extinto Banco Master. O índice revela um crescimento considerável em comparação com o estudo anterior realizado em março, quando o patamar alcançava 66,1% dos entrevistados.
Enquanto a parcela que enxerga forte conexão entre os magistrados e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro disparou, o grupo que descarta qualquer ligação despencou de forma acentuada. Atualmente, apenas 4,4% dos participantes afirmam não ver vínculo direto da Suprema Corte no caso, ao passo que, no início do ano, essa fatia representava 14,9% do total. Além disso, o percentual de eleitores que preferiram a resposta não sabe recuou de 18,9% para 10,5% na medição atual.
Fonte: AtlasIntel
| Evolução da percepção pública sobre o caso Master | ||
|---|---|---|
| Percepção sobre os ministros | Pesquisa de Março | Pesquisa de Setembro |
| Vê envolvimento direto | 66,1% | 85,1% |
| Não vê ligação direta | 14,9% | 4,4% |
| Não sabe | 18,9% | 10,5% |
Crise institucional impacta Supremo
O levantamento de opinião foi realizado em meio a uma crise sem precedentes dentro do Supremo Tribunal Federal, agravada nas últimas semanas após o ministro André Mendonça decidir derrubar o sigilo de relatórios da Polícia Federal. Os documentos revelam uma intensa troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. A revelação pública gerou forte repercussão política, trocas de ofícios e intensas discussões internas sobre a condução das investigações.
Desde a abertura dos relatórios, a Corte tem vivenciado um clima de forte tensão institucional, marcado por embates abertos entre os magistrados e disputas jurídicas pelo acesso às provas acumuladas. O desgaste respingou diretamente na imagem do tribunal, impulsionando a percepção desfavorável captada pelo instituto de pesquisas e acirrando os debates sobre os rumos dos inquéritos conduzidos nos gabinetes.
A gravidade da situação institucional mobilizou os ministros em sessões extraordinárias para tentar conter o avanço do desgaste político. No entanto, os encontros públicos têm escancarado divisões internas profundas, com placares apertados e pedidos de vista que paralisam provisoriamente o andamento dos processos mais sensíveis na pauta do plenário.
Sessões tensas revelam divisões
Na terça-feira da semana passada, os ministros se reuniram em plenário para debater o envolvimento de Alexandre de Moraes com o caso do Banco Master. A sessão foi marcada por bate-bocas acalorados e troca de acusações entre os integrantes da Corte, refletindo o grau de animosidade provocado pelas revelações recentes e pela disputa em torno da relatoria dos processos.
O julgamento acabou interrompido após um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que suspendeu a análise do caso. Até o momento da interrupção, o placar parcial registrava 4 votos a 3 favoráveis a manter separada a análise jurídica envolvendo as condutas de Moraes e de André Mendonça nas investigações decorrentes do escândalo financeiro.
A cisão interna também provocou alterações no cronograma de julgamentos da Suprema Corte. O ministro Edson Fachin decidiu adiar a análise do processo que avaliaria formalmente a conduta de André Mendonça, cuja apreciação estava inicialmente agendada para esta quarta-feira, devendo ser remarcada futuramente pelo tribunal.
Metodologia detalha o levantamento
Para mensurar o impacto da crise na opinião pública, a AtlasIntel ouviu um total de 1.852 adultos distribuídos por todas as regiões do país. A coleta de dados foi efetuada por meio de recrutamento digital aleatório, metodologia conhecida como Atlas RDR, durante o período compreendido entre os dias 17 e 21 de setembro.
O instituto de pesquisa estabeleceu uma margem de erro estimada em dois pontos percentuais, para mais ou para menos, assegurando um nível de confiança estatística de 95% para os resultados divulgados. A iniciativa e a contratação do levantamento partiram do grupo Estado de S. Paulo, que acompanhou os desdobramentos do inquérito.
A consistência estatística da amostra reforça o salto na curva de rejeição institucional observada entre os eleitores brasileiros. Com o avanço das investigações sobre o Banco Master e a exposição pública de mensagens trocadas entre figuras centrais da República, o tema consolidou-se como um dos principais focos de atenção da opinião pública nacional.
Desdobramentos e repercussão política
A repercussão dos dados divulgados pelo instituto consolida o momento de forte escrutínio sobre o poder judiciário brasileiro. Analistas políticos apontam que a exposição de conversas privadas e o embate aberto entre os magistrados colocam à prova a capacidade de autoregulação e a estabilidade institucional da mais alta corte de justiça do país.
As discussões sobre os rumos das investigações continuam mobilizando parlamentares, juristas e a sociedade civil organizada, que acompanham de perto os próximos passos dos inquéritos. A expectativa gira em torno de novas deliberações do plenário e de como o tribunal planeja gerenciar a crise de imagem perante a opinião pública.
Enquanto os ministros buscam um entendimento sobre a condução processual, a pressão externa exercida pelos índices desfavoráveis impõe um ritmo acelerado aos debates internos. A prioridade declarada por alas do tribunal é restaurar a previsibilidade jurídica e pacificar o ambiente de trabalho nos gabinetes.


