A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta terça-feira (22) a Operação Icarus com o objetivo de desarticular um canal estratégico de fornecimento de entorpecentes e lavagem de dinheiro vinculado ao Comando Vermelho. A mobilização policial cumpre dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão de forma simultânea em quatro estados brasileiros, abrangendo o território fluminense, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas.
As investigações apontam que a estrutura criminosa contava com ramificações complexas para garantir o abastecimento de comunidades dominadas pela facção. No centro do esquema estava a movimentação de cargas interestaduais de drogas e a utilização de empresas de fachada dos setores de transporte e logística para burlar a fiscalização e ocultar capitais ilícitos gerados pelo tráfico.
Até o momento, o balanço parcial confirmado pelas autoridades aponta a prisão de seis pessoas. Entre os detidos está o principal alvo da investigação, identificado como Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido pelo apelido de “Boss”, que foi localizado e preso pelas equipes policiais na cidade de Maceió, em Alagoas.
Investigação mapeia contabilidade do tráfico
O ponto de partida para a abertura das investigações foi a apreensão de cadernos de contabilidade e anotações manuscritas atribuídas a Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o “My Thor”, apontado como uma das lideranças da facção criminosa e que atualmente se encontra custodiado no sistema prisional do estado.
Nos registros analisados pelos investigadores do Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral e da Subsecretaria de Inteligência, foram identificados registros de pagamentos direcionados ao suspeito apelidado de “Boss”. A partir desses indícios, a polícia destrinchou a rede de cooperação e a divisão de tarefas entre operadores logísticos e transportadores.
A estrutura contava ainda com pessoas interpostas, conhecidas popularmente como laranjas, além de indivíduos encarregados de realizar cobranças e o recolhimento de valores. O uso de pessoas jurídicas sem atividade real servia para conferir aparência lícita aos recursos movimentados pelo esquema criminoso entre diferentes regiões do país.
Movimentação financeira atinge cifras milionárias
O avanço sobre o braço financeiro da organização revelou um volume expressivo de recursos movimentados em um curto intervalo de tempo. Conforme os relatórios integrados à investigação, as operações atípicas mapeadas pelas autoridades alcançaram a marca de R$ 70.497.597 em transações suspeitas.
Fonte: Polícia Civil do Rio de Janeiro
| Balanço da Operação Icarus | ||
|---|---|---|
| Fator analisado | Indicador principal | Contexto associado |
| Estados alcançados | 4 unidades federativas | RJ, SP, MG e Alagoas |
| Prisões iniciais | 6 pessoas detidas | Inclui principal alvo em Maceió |
| Movimentação atípica | R$ 70.497.597 | Movimentação financeira sob escrutínio |
Esse fluxo financeiro era alimentado pelo comércio ilegal de entorpecentes e posteriormente dissimulado por meio de contas de empresas de fachada. A apuração evidencia que o grupo operava com forte divisão de funções para blindar as lideranças centrais da facção e garantir a continuidade do fluxo de dinheiro e drogas.
Além das prisões, as equipes policiais cumpriram ordens judiciais de busca e apreensão voltadas ao recolhimento de aparelhos eletrônicos, documentos contábeis, veículos e valores em espécie. O material apreendido passa por perícia técnica para subsidiar as próximas fases do inquérito policial.
Apreensões anteriores revelam rota interestadual
O trabalho investigativo conseguiu conectar duas grandes apreensões de drogas realizadas no ano de 2024 ao mesmo esquema logístico comandado pela facção. A primeira ocorrência de destaque aconteceu em 2 de fevereiro daquele ano, quando forças de segurança interceptaram uma carga de 715,7 quilos de cocaína e maconha no município paulista de Guarulhos.
Meses mais tarde, em 31 de maio de 2024, uma nova operação resultou na localização de mais 73,8 quilos de cocaína na cidade de Seropédica, situada na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Somadas, as duas apreensões ultrapassam a marca de 789 quilos de entorpecentes retirados de circulação.
Para os investigadores, as duas cargas faziam parte da mesma rota sistemática de transporte interestadual utilizada para abastecer pontos de venda no território fluminense. A utilização de transportadoras de fachada era o principal mecanismo para burlar os bloqueios rodoviários entre São Paulo e o Rio de Janeiro.
Atuação integrada envolve diversos órgãos
A deflagração da Operação Icarus exigiu uma ampla articulação institucional entre diferentes esferas da segurança pública e do sistema de Justiça. A condução dos trabalhos ficou a cargo do Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral e da Subsecretaria de Inteligência do Rio de Janeiro.
A operação contou com o suporte operacional e de inteligência do Ministério Público, do Departamento-Geral de Polícia Especializada, da Corregedoria da Polícia Militar e da Polícia Penal. Houve também cooperação direta das polícias civis dos estados de São Paulo, de Minas Gerais e de Alagoas.
As autoridades continuam em diligências para cumprir eventuais mandados remanescentes e identificar outros participantes da rede criminosa. O material recolhido nos endereços vasculhados poderá apontar a participação de novos operadores e agentes públicos suspeitos de facilitar o esquema.


