Operação contra Milton Leite expõe elo de OS de saúde com o PCC

Investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta conexões de suspeitos de ligação com a facção no setor de transportes com o Iase, organização alvo de tribunais.

Da
Redação
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Investigação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo cumpriu mandados em várias cidades do estado.
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A operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público que mirou o ex-vereador Milton Leite e mais 15 pessoas investigadas por supostos elos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transportes revelou ramificações em outro setor sensível. A investigação aponta conexões entre alvos da ofensiva policial e o Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase), entidade que operava sob o nome de Aceni até o ano de 2022 e que já acumula um histórico de problemas com órgãos de controle e na Justiça.

A ofensiva policial cumpriu mandados de prisão temporária e de busca e apreensão em diversas cidades paulistas, incluindo a capital, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. Enquanto autoridades aprofundam a apuração sobre o suposto esquema na área de transportes, os investigadores identificaram que nomes ligados à cúpula e ao entorno da organização social de saúde também aparecem no radar das autoridades por suspeitas de envolvimento em atividades ilícitas.

A entidade investigada tem enfrentado questionamentos recorrentes de tribunais de contas e procuradorias em virtude de contratos firmados com o poder público municipal e federal.

Investigados no radar da polícia

Segundo as autoridades policiais, dois alvos específicos da operação recente possuem ligações diretas com o histórico da organização social. Um deles é José Daniel Satilite, apontado como integrante da facção criminosa e que atuou como conselheiro da então Aceni no ano de 2017, conforme apontam os registros levantados durante as diligências.

O segundo nome é Paulo Korek, que se entregou às autoridades após passar dias considerado foragido pela Justiça. Investigações apontam que o irmão e o sogro dele também integraram o conselho da mesma entidade de saúde, ampliando as conexões sob escrutínio dos investigadores.

Em interceptações telefônicas obtidas no curso das apurações, Satilite aparece discutindo a abertura de organizações não governamentais e mencionando a presença de nomes de seu círculo na composição de conselhos de entidades parceiras do poder público.

Defesa nega acusações

A defesa dos investigados tem rebatido as imputações levantadas pelas autoridades policiais e pelo Ministério Público ao longo das diligências conduzidas no estado de São Paulo.

Não existe imputação feita a ele. O que ali é dito são terceiros falando, diálogos de terceiros citando pessoas.”

Roberto Vasco

Não existe imputação feita a ele. O que ali é dito são terceiros falando, diálogos de terceiros citando pessoas.

Roberto Vasco

Representantes da entidade citada nas investigações não se pronomearam sobre os apontamentos recentes, mas em ocasiões anteriores negaram irregularidades e classificaram as acusações como especulações baseadas em conversas de terceiros.

A apuração conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público segue em andamento para esclarecer a extensão do suposto esquema e a eventual participação de outros agentes nas irregularidades apontadas.

Histórico em tribunais de contas

O Iase e sua antecessora, Aceni, acumulam decisões desfavoráveis em órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e o Tribunal de Contas da União. Contratos firmados pela entidade em municípios paulistas foram rejeitados por falta de comprovação de capacidade técnica e por falhas estruturais nos serviços prestados.

Em Arujá, um contrato firmado em 2019 foi questionado pelo tribunal estadual, que apontou incompatibilidade na estrutura física apresentada pela entidade. Já em Guarujá, repasses realizados durante o período da pandemia de Covid-19 foram considerados irregulares devido a indícios de sobrepreço em aquisições.

As irregularidades atribuídas à atuação da organização social também respingaram em gestões municipais, tornando a entidade alvo recorrente de apurações sobre desvios de verbas públicas destinadas ao setor da saúde.

Desdobramentos em Sorocaba

A entidade também está no centro de investigações federais que envolveram a administração municipal de Sorocaba e resultaram no afastamento temporário do prefeito Rodrigo Manga, que posteriormente retornou ao cargo amparado por decisão judicial.

As apurações do Ministério Público Federal apontam que a prefeitura firmou contratos sem licitação e com direcionamento de editais com a organização social, gerando esquemas de desvios por meio de fornecedores ligados à diretoria da própria entidade.

A Polícia Civil e o Ministério Público continuam cruzando os dados obtidos nos mandados cumpridos para dimensionar o impacto das suspeitas sobre os contratos de saúde mantidos pelo grupo em território paulista.

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