Flávio Bolsonaro acusa Dino de perseguição e ataca inquérito de emendas

Durante agenda no Maranhão, o candidato à Presidência chamou a investigação conduzida pelo ministro do STF de 'inquérito do fim do mundo'.

Da
Redação
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O senador Flávio Bolsonaro durante agenda de campanha em São Luís, no Maranhão.
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O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, criticou duramente nesta terça-feira, 22, a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e o inquérito que apura supostas irregularidades no uso de emendas parlamentares. Durante visita a São Luís, no Maranhão, o parlamentar acusou o magistrado de utilizar a investigação de forma seletiva para atingir adversários políticos.

As declarações fazem parte de uma sequência de manifestações públicas da campanha contra decisões da Suprema Corte. Para o senador, a condução das apurações perdeu o caráter estritamente técnico e passou a servir como instrumento de pressão política, ecoando insatisfações de setores da oposição no Congresso Nacional.

Críticas e o inquérito

Flávio Bolsonaro classificou a medida como um novo inquérito do fim do mundo, fazendo menção a investigações anteriores conduzidas no âmbito da corte. Em conversa com jornalistas na capital maranhense, o candidato cobrou postura de magistrado e afirmou que a atuação de Dino ultrapassaria os limites institucionais esperados para a função.

O inquérito em questão foi determinado em agosto, quando o ministro ordenou que a Polícia Federal apurasse a existência de indícios de crimes na execução das chamadas emendas Pix, modalidade de transferência especial de recursos federais para estados e municípios brasileiros.

Relatório do TCU

A decisão da Suprema Corte ocorreu após o recebimento de um relatório técnico encaminhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no final de julho. O documento apontou falhas graves na destinação dos valores repassados e indicou riscos de prejuízos aos cofres públicos em diferentes regiões do país.

De acordo com o levantamento do tribunal, a fiscalização em cem emendas que totalizam quase duzentos milhões de reais revelou problemas como ausência de transparência, dificuldades de rastreabilidade, fraudes em licitações e irregularidades na execução contratual de obras.

Reação de aliados

O coordenador da campanha presidencial do PL, senador Rogério Marinho, também reforçou as críticas à condução das apurações pelo tribunal. Para o parlamentar potiguar, a tramitação atual gerou distorções estruturais no sistema de justiça e na distribuição de competências entre órgãos fiscalizadores.

Aliados do grupo político sustentam que a fiscalização de recursos públicos deve seguir fluxos regulares sem interferências que ampliem poderes investigativos de ministros de forma isolada, defendendo mudanças institucionais para frear o que classificam como abusos.

Desdobramentos políticos

A ofensiva verbal contra o Judiciário acirra o clima político na pré-campanha e coloca o debate sobre o orçamento impositivo e as transferências parlamentares no centro das discussões nacionais. A oposição busca mobilizar base parlamentar em torno do tema.

Enquanto os trabalhos da Polícia Federal avançam com base nas diretrizes estabelecidas pelo STF, parlamentares governistas e o próprio tribunal defendem a necessidade de rigor na apuração do destino de verbas públicas bilionárias enviadas a redutos eleitorais.

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