Anúncios favoráveis a Augusto Cury (Avante) somaram cerca de US$ 66 mil em gastos nas plataformas da Meta, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) apareceu como principal alvo de peças negativas associadas ao mesmo ecossistema de impulsionamento. O levantamento foi publicado pela coluna de Lauro Jardim, que analisou dados disponíveis na Biblioteca de Anúncios da empresa.
A ferramenta da Meta reúne informações sobre propaganda política, eleitoral e de temas sociais, incluindo faixa de gasto, período de veiculação, página responsável e alcance estimado. Esses registros permitem acompanhar campanhas pagas no Facebook e no Instagram, mas os valores aparecem em intervalos e não substituem a prestação de contas oficial entregue à Justiça Eleitoral.
O volume chama atenção porque Cury passou a combinar crescimento nas redes sociais com avanço nas pesquisas durante a campanha. Desde o fim de agosto, o candidato do Avante multiplicou seguidores, ampliou o alcance de vídeos e se consolidou como terceiro colocado em diferentes levantamentos.
Flávio vira alvo principal
A análise publicada por O Globo aponta que Flávio Bolsonaro concentra a maior parte das críticas entre as peças examinadas. O foco coincide com um momento em que Cury passou a disputar eleitores da direita e de segmentos que antes apareciam mais próximos do candidato do PL.
Levantamentos de intenção de voto divulgados desde o fim de agosto indicaram que o crescimento de Cury retirou proporcionalmente mais apoio de Flávio do que de Lula. Pesquisas diferentes variam na magnitude dessa movimentação, mas registraram avanço do candidato do Avante em segmentos não polarizados e entre eleitores mais jovens.
A mudança também alterou a estratégia dos adversários. Campanhas de Lula e Flávio passaram a acompanhar mais de perto a expansão de Cury, embora tenham evitado, em diferentes momentos, concentrar ataques diretos nele para não afastar possíveis eleitores de segundo turno.
O levantamento sobre anúncios não demonstra, por si só, que todas as peças tenham sido contratadas diretamente pela campanha de Cury. A identificação do pagador, da página responsável e da regularidade de cada impulsionamento depende da análise individual dos registros.
Meta exibe faixas de gasto
A Biblioteca de Anúncios informa valores em faixas, e não necessariamente o desembolso exato de cada anúncio. Para propaganda política, a plataforma também mostra período de veiculação, impressões e recortes demográficos de alcance.
Os dados ficam disponíveis por anos e são usados por pesquisadores, campanhas, jornalistas e órgãos de fiscalização para acompanhar estratégias digitais. A Meta exige identificação específica para anunciantes de conteúdo político e eleitoral.
O total de US$ 66 mil divulgado no levantamento representa a soma estimada das faixas associadas ao conjunto analisado. Conversões para reais variam conforme a cotação do dólar e o momento de cada pagamento.
Impulsionamento tem regras eleitorais
No Brasil, a legislação permite propaganda paga na internet por meio de impulsionamento contratado por candidatos, partidos, federações, coligações e seus representantes autorizados. A identificação do responsável e a observância das regras de prestação de contas são obrigatórias.
Reportagens anteriores identificaram mais de 60 anúncios pró-Cury impulsionados por terceiros, situação que levantou questionamentos jurídicos porque pessoas sem vínculo formal com a campanha não podem financiar propaganda eleitoral paga em benefício de candidato. A campanha afirmou, à época, não ter conhecimento desses impulsionamentos.
A existência de peças irregulares depende de análise da Justiça Eleitoral, que pode avaliar autoria, financiamento, eventual coordenação e alcance. A presença de um anúncio na Biblioteca da Meta não equivale a uma decisão de ilegalidade.
Cury amplia presença digital
Cury já havia investido diretamente em impulsionamento após o primeiro debate presidencial. Em uma das ações de agosto, cerca de R$ 15 mil foram destinados a um vídeo de sua fala final no encontro, que ultrapassou 20 milhões de visualizações.
Em outra janela de poucos dias, a campanha pagou milhares de reais para promover carrosséis com propostas e mensagens apresentadas no debate. O crescimento digital acompanhou a passagem do candidato de patamares próximos de 2% para dois dígitos em algumas pesquisas.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Até lá, gastos com propaganda digital continuam sujeitos à fiscalização da Justiça Eleitoral e à transparência exigida das plataformas e das campanhas.


