Flávio diz que SC “não é estado de fascistas” e mira Lula em Joinville

Candidato do PL exaltou Santa Catarina, criticou o governo federal e vinculou a crise no STF ao presidente durante agenda de campanha

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Redação
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Rebeca Ligabue/Metrópoles
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O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado, 19 de setembro, em Joinville, que Santa Catarina “não é um estado de fascistas”. A declaração foi feita durante agenda de campanha no estado, em um discurso que combinou elogios ao perfil econômico catarinense com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao Supremo Tribunal Federal.

Flávio descreveu Santa Catarina como um estado que prospera, onde as leis funcionam e onde a população, segundo ele, valoriza trabalho, produtividade e mérito. O senador também apresentou Joinville como exemplo de desenvolvimento e disse que pretende usar experiências catarinenses como referência nacional caso seja eleito.

Na mesma fala, o candidato voltou a explorar politicamente a crise envolvendo o STF e o caso Banco Master. Ele atribuiu responsabilidade ao governo Lula e associou integrantes da administração federal e do sistema de Justiça ao episódio, em uma linha de campanha que tem ganhado espaço nas últimas semanas.

Flávio exalta Santa Catarina

Durante o compromisso em Joinville, Flávio procurou reforçar uma identificação política com o eleitorado catarinense. O estado tem sido um dos principais territórios eleitorais da direita nos últimos ciclos e recebe atenção especial da campanha do PL.

Santa Catarina não é um estado de fascistas, é um estado que prospera, um Estado onde a lei funciona.

Flávio Bolsonaro

Em outro trecho do discurso, ele afirmou que o povo catarinense é trabalhador, produtivo e orientado pelo mérito. A fala foi usada para rejeitar caracterizações negativas sobre o estado e construir uma narrativa de eficiência econômica e institucional.

A mensagem central de Flávio foi transformar Santa Catarina em vitrine de um modelo político que ele diz querer levar para o governo federal.

Joinville entra no discurso de campanha

Flávio também citou Joinville como exemplo de sucesso administrativo e econômico. Segundo o candidato, a trajetória do município reforçaria sua tese de que políticas associadas à direita produzem melhores resultados.

O senador destacou a infraestrutura e a capacidade de escoamento da produção como pontos positivos do estado. A campanha procura aproximar esse discurso de temas econômicos e de gestão pública.

Ele defendeu ainda um “pacto” com Santa Catarina e elogiou o governador Jorginho Mello (PL), candidato à reeleição. Flávio disse que, se eleito, pretende ampliar parcerias e concessões com o governo estadual.

A estratégia busca vincular a candidatura presidencial a administrações estaduais do mesmo campo político, apresentando-as como exemplos de cooperação federativa.

Candidato volta a atacar Lula

O discurso também teve críticas diretas ao presidente Lula, que disputa a reeleição. Flávio afirmou que o petista representa ideias antigas e um modelo de governo que, em sua avaliação, não responde aos problemas atuais do país.

Ele também acusou o governo de incompetência e mencionou casos de corrupção de forma genérica. As declarações fazem parte do confronto eleitoral entre os dois campos e devem ser entendidas como críticas de campanha, não como conclusões independentes sobre a administração federal.

Flávio afirmou que pretende “cuidar de quem precisa” e disse que seu projeto busca potencializar capacidades dos brasileiros. O argumento foi usado para contrapor sua candidatura à de Lula.

Ao longo da campanha, o senador tem procurado combinar pautas econômicas, críticas institucionais e referências ao legado político de Jair Bolsonaro para consolidar seu espaço na disputa presidencial.

Caso Master aparece no palanque

O candidato também abordou a crise relacionada ao Banco Master e ao Supremo Tribunal Federal. Ele responsabilizou politicamente o governo Lula pelo ambiente de crise e citou Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Flávio fez referência a uma fotografia de Gonet ao lado de Daniel Vorcaro e outras pessoas em um encontro social em Londres. O procurador-geral reconheceu o encontro, mas afirmou que o contato com Vorcaro foi brevíssimo e negou relação de proximidade com o ex-banqueiro.

A existência da foto e de contatos revelados em investigações tem alimentado debates políticos e institucionais, mas não equivale, por si só, à comprovação de irregularidade por parte de Gonet.

O uso do episódio em comícios mostra como o caso Master passou a ser incorporado ao discurso eleitoral do PL contra integrantes do STF e contra o governo federal.

STF ganha espaço na eleição

Nas últimas semanas, Flávio passou a intensificar referências ao Supremo e, especialmente, a Alexandre de Moraes. A campanha procura associar decisões da Corte ao governo Lula, apesar de os ministros atuarem em um Poder independente.

Essa estratégia acompanha iniciativas de parlamentares aliados no Congresso para alterar regras relacionadas a pedidos de impeachment de ministros e discutir mudanças no funcionamento do tribunal.

Ao mesmo tempo, o candidato mantém interlocução com setores do Judiciário e evita apresentar sua campanha como um rompimento integral com a Corte.

O tema deve continuar presente porque combina críticas institucionais, mobilização da base bolsonarista e disputas em torno de casos de grande repercussão política.

Agenda catarinense segue com Chapecó

Depois do compromisso em Joinville, a programação de Flávio previa um novo ato em Chapecó, no oeste de Santa Catarina. A passagem pelo estado faz parte de uma ofensiva para consolidar apoio em uma região historicamente favorável à direita.

Santa Catarina também é relevante para a campanha por concentrar eleitores que deram forte votação a Jair Bolsonaro nas últimas eleições presidenciais.

Ao transformar o estado em referência de seu discurso, Flávio procura preservar essa conexão eleitoral e, ao mesmo tempo, apresentar propostas de parceria com governos locais.

A fala em Joinville, portanto, reuniu dois eixos centrais de sua campanha: a valorização de administrações alinhadas ao PL e o confronto político com Lula e com integrantes do STF.

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