A Polícia Federal enviou nesta quinta-feira a íntegra dos dados extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aos ministros Luiz Fux e André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Os pedidos de liberação foram formalizados diretamente pelos magistrados à corporação, ampliando o grupo de autoridades que monitoram o conteúdo das investigações em curso.
Além de Fux e Mendonça, outros nomes expressivos da corte máxima do país já contam com o material completo em mãos, a exemplo de Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Enquanto isso, o ministro Kassio Nunes Marques também sinalizou que fará a mesma solicitação formal à corporação nos próximos dias.
A entrega do conteúdo digital ocorre em meio a desdobramentos sensíveis que envolvem citações a familiares de magistrados nas conversas extraídas do dispositivo. A movimentação no STF ganhou forte impulso após pedidos iniciados por Cristiano Zanin e reforçados pelo decano Gilmar Mendes junto à presidência da corte.
Polícia Federal envia material
Inicialmente, André Mendonça assumia a relatoria do caso ligado ao Banco Master e adotava uma postura contrária à liberação irrestrita das informações. Naquela oportunidade, o ministro argumentava que o compartilhamento total dos dados poderia comprometer o avanço das diligências conduzidas pelos investigadores federais.
No entanto, o cenário mudou após pressões regimentais e pedidos colegiados para que o acesso fosse ampliado de maneira igualitária entre os integrantes da suprema corte. Com a intervenção do decano Gilmar Mendes junto ao presidente do tribunal, Edson Fachin, o entendimento jurídico prevaleceu para contemplar todos os gabinetes interessados.
Mensagens revelam proximidade
O avanço das consultas ao material ocorre logo após a vinda a público de diálogos que apontam relações próximas entre o investigado e pessoas ligadas a figuras do tribunal. No caso de Luiz Fux, as conversas revelaram laços de proximidade entre o ex-banqueiro e o advogado Rodrigo Fux, filho do magistrado.
Disponibilizar o acesso a todo o conteúdo poderia comprometer as investigações envolvendo o Master.”
André Mendonça
A revelação veio à tona dias antes do pedido formal de acesso protocolado pelo ministro junto aos órgãos de investigação. A exposição pública do teor das mensagens acelerou as tratativas para que o gabinete pudesse examinar diretamente os registros preservados no aparelho apreendido.
Paralelamente, os registros digitalizados também trouxeram menções a tratativas de pagamentos que seriam direcionados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques. As referências aumentaram o interesse político e jurídico em torno do conteúdo integral armazenado no dispositivo móvel.
Investigações continuam sob sigilo
Embora diversos gabinetes tenham obtido a cópia integral dos arquivos, as apurações centrais conduzidas pela Polícia Federal permanecem sob sigilo rigoroso nos tribunais. Os investigadores buscam esgotar todas as linhas de apuração sobre as operações financeiras e as conexões do Banco Master com diferentes setores.
A análise técnica do material digital é considerada estratégica para mapear eventuais repasses, reuniões e influências atribuídas ao empresário ao longo dos últimos anos. Com os dados pulverizados entre diferentes ministros, o julgamento de recursos e habeas corpus tende a sofrer novas movimentações processuais.
A expectativa nos bastidores de Brasília é que novos desdobramentos ocorram à medida que os gabinetes concluírem a triagem do volume de mensagens e arquivos repassados pelos peritos federais. A defesa do ex-banqueiro acompanha os desdobramentos enquanto o plenário monitora os reflexos políticos das revelações.
Supremo avalia próximos passos
Com o ingresso de Kassio Nunes Marques na lista de requerentes, a totalidade dos ministros envolvidos diretamente com as ramificações do caso passará a deter cópias idênticas do material periciado. A centralização das informações busca garantir transparência interna diante do impacto institucional gerado pelas revelações.
Especialistas em direito processual apontam que o compartilhamento interno é um direito inerente aos magistrados em casos de repercussão, mas ressaltam os desafios impostos pelo vazamento de trechos sigilosos. A corte agora avalia como blindar o fluxo de informações contra novas exposições na imprensa.
As defesas dos citados nos diálogos continuam avaliando medidas cabíveis para esclarecer o contexto das conversas e afastar qualquer ilação sobre interferência nos processos em andamento. O Supremo segue com sessões e análises técnicas voltadas a desvendar os meandros do caso Vorcaro.


