Kassio amplia acesso interno ao caso Master e solicita íntegra dos dados de Vorcaro

Ministro pediu à Polícia Federal cópia completa do material extraído do celular do ex-banqueiro, já compartilhado com Zanin, Gilmar, Moraes, Mendonça e Fux

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Ministro pediu à Polícia Federal cópia completa do material extraído do celular do ex-banqueiro, já compartilhado com Zanin, Gilmar, Moraes, Mendonça e Fux
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O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, pediu à Polícia Federal acesso à íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material já havia sido entregue a Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes e, nesta quinta-feira (17), também foi encaminhado aos gabinetes de André Mendonça e Luiz Fux.

O pedido amplia o número de ministros com acesso direto ao conjunto bruto de mensagens, documentos e outros arquivos obtidos pela PF. A movimentação ocorre em meio à crise interna do Supremo sobre a condução das investigações do caso Master, especialmente depois da divulgação de conversas que mencionam ministros, familiares e outros personagens do Judiciário.

Pedido busca acesso integral

Kassio solicitou à Polícia Federal uma cópia completa do conteúdo do aparelho de Vorcaro para compreender os diálogos considerados relevantes para os procedimentos em curso. O ministro passou a ter interesse direto no conjunto dos dados depois da divulgação de mensagens que citam seu filho, Kevin Nunes Marques.

As mensagens mencionam pagamentos ligados a uma consultoria tributária que teria prestado serviços em negócios relacionados ao Banco Master. Kevin nega ter recebido recursos diretamente de Vorcaro e afirma que os valores se referiam a trabalho prestado à consultoria, sem relação irregular com o ex-banqueiro.

Até o momento, a existência dessas referências não equivale a uma acusação criminal contra Kassio Nunes Marques ou seu filho. O contexto e a natureza dos pagamentos ainda são analisados a partir dos documentos e das versões apresentadas pelos envolvidos.

O pedido de Kassio amplia a circulação do material dentro do Supremo e reduz a concentração de acesso aos dados que alimentaram a crise interna da Corte.

PF distribui cópias idênticas

A Polícia Federal informou ao presidente do STF, Edson Fachin, que mantém sob sua custódia o conteúdo original extraído do celular de Vorcaro e que possui condições técnicas para produzir cópias idênticas aos ministros que formalizem solicitação. A PF também destacou que o material original permaneceu lacrado e sob controle da instituição.

Na segunda-feira (14), os gabinetes de Cristiano Zanin e Gilmar Mendes confirmaram o recebimento da íntegra. Alexandre de Moraes também pediu acesso aos dados. Depois da sessão extraordinária do Supremo sobre a investigação envolvendo Moraes, André Mendonça e Luiz Fux apresentaram pedidos semelhantes.

Nesta quinta-feira, a PF entregou a Mendonça e Fux cópias do mesmo conjunto compartilhado com os demais ministros. A padronização das cópias é relevante para preservar a cadeia de custódia e evitar questionamentos sobre diferenças entre versões do material distribuído.

Crise expõe conflitos de interesse

O acesso aos dados ganhou importância depois que mensagens do aparelho de Vorcaro passaram a citar ministros e familiares de integrantes do Supremo. Além das referências ao filho de Kassio, foram divulgadas conversas relacionadas a Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux, e elementos envolvendo outros membros da Corte.

Kassio se declarou impedido de participar de uma sessão que discutia possíveis providências sobre Alexandre de Moraes, depois que surgiram informações capazes de atingir sua família. O afastamento daquela deliberação foi adotado para evitar questionamentos sobre imparcialidade.

Luiz Fux também passou a pedir acesso integral aos arquivos depois da divulgação de mensagens envolvendo seu filho. Até agora, as referências encontradas nos dados não significam automaticamente participação dos ministros em ilícitos e precisam ser analisadas dentro de cada procedimento.

Disputa segue no Supremo

A discussão sobre quem poderia consultar os dados começou quando Zanin tentou obter o material diretamente do gabinete de André Mendonça, então relator do caso Master. Mendonça respondeu que o conteúdo necessário ao julgamento já estava disponível e sustentou que a liberação da íntegra poderia tumultuar a sessão.

Posteriormente, a PF esclareceu que mantinha o material e poderia produzir novas cópias sem afetar a cadeia de custódia. A partir dessa informação, diferentes ministros passaram a encaminhar pedidos diretamente à corporação.

O movimento reduz a assimetria de acesso entre os gabinetes, mas não encerra as divergências sobre sigilo, competência e uso dos dados. A crise do caso Master continua produzindo embates internos no STF, enquanto a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República avaliam diferentes frentes de investigação relacionadas a Daniel Vorcaro e ao antigo banco.

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