Casas Bahia chama acionistas para validar recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões

Assembleia extraordinária deverá ratificar pedido protocolado em agosto, que envolve a companhia e nove subsidiárias

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Redação
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Grupo Casas Bahia busca ratificação formal do pedido de recuperação judicial em assembleia de acionistas.Bloomberg
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O Grupo Casas Bahia convocou uma Assembleia Geral Extraordinária para ratificar o pedido de recuperação judicial apresentado em agosto. A deliberação formaliza perante os acionistas uma decisão que já havia sido tomada pelo conselho de administração e pelo acionista controlador em caráter de urgência.

O pedido foi protocolado em 16 de agosto no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo. O valor da causa informado no processo é de aproximadamente R$ 17,3 bilhões e o procedimento envolve a holding e nove empresas do grupo.

A companhia afirma que a recuperação judicial é necessária para reorganizar passivos, preservar operações e buscar uma solução ordenada para suas obrigações. A empresa também diz que pretende manter lojas, comércio eletrônico e demais canais em funcionamento durante o processo.

Assembleia ratifica decisão urgente

A convocação da assembleia cumpre uma etapa societária prevista depois do ajuizamento. Como o pedido foi apresentado em caráter de urgência, a administração decidiu primeiro protocolar a recuperação judicial e depois submetê-la à ratificação dos acionistas.

A pauta da reunião deve se concentrar na validação dessa decisão e nos atos relacionados ao processo. A ratificação não substitui as decisões judiciais que ainda precisam ser tomadas no âmbito da recuperação.

Em 31 de agosto, a companhia comunicou ao mercado o deferimento de tutela de urgência vinculada ao processo. A recuperação segue agora o rito legal, com análise de credores, elaboração de plano e futuras deliberações.

A assembleia não cria um novo pedido de recuperação, mas confirma uma medida que já produz efeitos no processo judicial.

Processo envolve nove subsidiárias

Além do Grupo Casas Bahia, o pedido inclui ASAP Log Logística e Soluções, ASAP Log, CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística, Cntlog Express, Globex Administração e Serviços, Cnova Comércio Eletrônico, Integra Soluções para Varejo Digital, Casas Bahia Tecnologia e Indústria de Móveis Bartira.

A inclusão de diferentes empresas procura concentrar a reestruturação de obrigações dentro de um único processo. O grupo atua em varejo físico, comércio eletrônico, logística, tecnologia e fabricação de móveis.

Segundo informações divulgadas quando o pedido foi apresentado, a empresa atribuiu a deterioração financeira a juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro, pressão sobre o consumo e dificuldades para concretizar alternativas de liquidez.

Indicador e Informação
Indicador Informação
Data do pedido 16 de agosto de 2026
Valor da causa Cerca de R$ 17,3 bilhões
Subsidiárias incluídas 9
Foro Central Cível de São Paulo
Objetivo da AGE Ratificar o ajuizamento

Fonte: Grupo Casas Bahia e CVM.

Prejuízo agravou a situação

O pedido de recuperação judicial ocorreu depois de a companhia divulgar prejuízo de aproximadamente R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado incluiu efeitos contábeis e reforçou dúvidas sobre a capacidade de continuidade das operações sem uma reestruturação mais ampla.

A empresa também confirmou fechamento de centenas de lojas e redução de estrutura. O movimento faz parte de um plano para concentrar recursos em unidades e canais considerados mais rentáveis.

O Grupo Casas Bahia já havia passado por recuperação extrajudicial em 2024, quando renegociou cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas com grandes credores. A nova crise mostrou que a reorganização anterior não foi suficiente para resolver todos os desequilíbrios financeiros.

Plano ainda será negociado

A recuperação judicial abre espaço para a companhia negociar condições com credores dentro de um ambiente supervisionado pelo Judiciário. O plano deverá definir prazos, descontos, formas de pagamento e eventuais conversões de dívida.

Credores terão direito a analisar e votar a proposta em assembleia própria, etapa diferente da reunião de acionistas agora convocada. A aprovação do plano dependerá das classes de credores previstas em lei.

Até que esse processo avance, a administração afirma que continuará operando normalmente e priorizando atendimento a clientes e fornecedores. A preservação do negócio é um dos objetivos declarados do pedido.

O andamento da recuperação será acompanhado tanto pelo Judiciário quanto pelo mercado, já que as ações da companhia são negociadas na B3. Novas informações relevantes devem ser comunicadas à Comissão de Valores Mobiliários e aos investidores.

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