Uma nova frente das revelações sobre o Banco Master passou a envolver Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal. Reportagem do Estadão afirma que Daniel Vorcaro contratou Feitosa e que ele atuou para viabilizar uma reunião relacionada aos interesses do banco com um ministro.
O vínculo aparece em meio à divulgação de mensagens, documentos e contatos do ex-controlador do Master com integrantes do meio jurídico e político. A existência de uma relação profissional com parente ou ex-parente de autoridade, por si só, não demonstra irregularidade. O ponto relevante é entender quais serviços foram prestados e se houve influência indevida.
Reportagem aponta contratação
Vorcaro contratou Chiquinho Feitosa, ex-cunhado de Gilmar Mendes. A reportagem atribui a ele atuação em tratativas destinadas a viabilizar uma reunião ligada ao Banco Master.
Como a apuração original está baseada em informações exclusivas do veículo, detalhes sobre o escopo contratual e a atuação de Feitosa devem ser atribuídos à reportagem e não tratados como conclusão independente de investigação.
Não há, nas fontes públicas consultadas para esta matéria, decisão judicial que conclua que o vínculo entre Feitosa e Vorcaro tenha configurado crime ou infração.
O fato documentado pela reportagem é a existência de uma relação profissional; qualquer conclusão sobre irregularidade depende de prova adicional e apuração das autoridades competentes.
Gilmar já reagiu ao tema
Antes da publicação mais recente, Gilmar Mendes já havia reagido a informações de que poderia ser pressionado ou constrangido por causa de uma suposta relação entre seu ex-cunhado e Vorcaro.
O ministro transmitiu a interlocutores uma reação dura diante da possibilidade de uso dessa conexão para constrangê-lo. O episódio ocorreu no contexto das tensões internas do STF em torno do caso Master.
Gilmar não é apresentado nas fontes consultadas como contratante de Feitosa nem como parte de um contrato entre o ex-cunhado e Vorcaro.
Vorcaro buscou outras aproximações
Em 2025, Vorcaro também procurou Guiomar Feitosa, então esposa de Gilmar Mendes, para discutir uma possível contratação jurídica. Segundo relato da própria advogada ao SBT News, o negócio não avançou.
Guiomar afirmou que Vorcaro não apresentou processos específicos e que, em sua avaliação pessoal, ele parecia interessado em criar uma aproximação. Essa percepção foi apresentada pela advogada e não constitui conclusão judicial.
O episódio se soma a outras relações profissionais e contatos revelados desde que o conteúdo do celular de Vorcaro passou a ser analisado por investigadores.
Reportagens recentes também mostraram mensagens relacionadas a ministros do STF e a familiares de magistrados, ampliando o debate sobre potenciais conflitos de interesse.
Caso exige distinção entre vínculos
As revelações sobre o Master envolvem relações de natureza diferente: contratos advocatícios, contatos sociais, pedidos de reunião, patrocínios e comunicações privadas. Cada caso precisa ser analisado de forma individual.
Ter relação pessoal ou profissional com uma autoridade não constitui, isoladamente, prova de tráfico de influência. Para caracterizar irregularidade, é necessário demonstrar conduta específica, vantagem indevida ou interferência incompatível com a lei.
A Polícia Federal e outras autoridades seguem apurando diferentes aspectos do caso Master. Parte das informações já foi remetida ao Supremo por envolver pessoas com foro ou possíveis conexões com integrantes da Corte.
A nova reportagem adiciona mais um vínculo à rede de contatos de Vorcaro, mas não encerra a análise sobre a natureza ou os efeitos dessa relação.


