Lula acusa Mendonça de usar relatoria do caso Master para atuação política

Presidente diz que divulgação de informações teria sido seletiva; ministro do STF já negou conivência com vazamentos e defendeu sua condução do processo

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
4 min leitura
Lula falou sobre o caso Master e criticou André Mendonça durante entrevista à Rádio Itatiaia.Reprodução / CNN Brasil
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou nesta quinta-feira (17) o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de ter usado a posição de relator das investigações ligadas ao Banco Master para atuação política e divulgação seletiva de informações. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Itatiaia e ocorre em meio à crise interna do STF sobre a condução do caso.

Lula afirmou que Mendonça teria divulgado apenas conteúdos que considerava convenientes e disse que a situação mudou depois que outros ministros passaram a ter acesso aos autos. As declarações representam a avaliação política do presidente. Mendonça já negou ter promovido vazamentos e afirma que determinou investigação sobre divulgações indevidas.

Lula acusa divulgação seletiva

Na entrevista, Lula disse considerar comprovado que Mendonça utilizou a relatoria para fazer política e realizar denúncias seletivas. O presidente também afirmou que o ministro concentrava acesso a determinados materiais, incluindo mensagens relacionadas ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O presidente mencionou que outros integrantes do Supremo, entre eles Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, passaram a ter acesso a documentos antes concentrados na relatoria. Para Lula, isso reduz a possibilidade de divulgação parcial.

Não existe, até o momento, decisão institucional do STF que conclua que Mendonça utilizou o cargo para finalidade político-eleitoral. A acusação foi feita pelo presidente no contexto da disputa pública envolvendo ministros e o caso Master.

A fala de Lula adiciona pressão política externa a uma crise que já vinha produzindo embates públicos entre integrantes do Supremo.

Mendonça rejeita acusações

O ministro divulgou nota nesta semana negando conivência com vazamentos. Seu gabinete afirmou que, ao identificar suspeita de divulgação indevida de dados por um servidor, determinou uma etapa específica de investigação.

Mendonça também sustentou que a publicidade de procedimentos seguiu critérios jurídicos e que pedidos mais amplos de retirada de sigilo partiram de outros integrantes da Corte.

O ministro criticou declarações públicas de colegas e defendeu regras de conduta mais claras para o STF. Ele afirma que divergências são naturais, mas rejeita tentativas de constrangimento entre magistrados.

Caso Master divide Supremo

A crise se intensificou depois que investigações sobre Daniel Vorcaro passaram a citar políticos, empresários e pessoas ligadas ao Judiciário. O STF precisou discutir competência, sigilo e procedimentos para casos envolvendo seus próprios membros.

Sessões recentes foram marcadas por divergências entre Mendonça, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e outros ministros. Flávio Dino pediu vista em uma das discussões, suspendendo temporariamente uma decisão.

O presidente da Corte, Edson Fachin, também enfrenta questionamentos internos sobre a condução dos processos e a forma de organizar os julgamentos.

Tema entra na campanha

O caso Master passou a ocupar espaço na eleição presidencial. Lula e Flávio Bolsonaro utilizam diferentes elementos da investigação para atacar adversários e questionar relações políticas e institucionais.

A proximidade do primeiro turno amplia a repercussão de qualquer nova divulgação. Ao mesmo tempo, parte dos fatos continua em investigação e não equivale a condenação de pessoas citadas nos autos.

A tensão entre Executivo e Judiciário também aumenta o peso institucional do episódio. Novas decisões do STF e eventuais manifestações da Procuradoria-Geral da República deverão definir os próximos passos jurídicos do caso.

WhatsAppFacebook
Share This Article
1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *