Integrantes do Supremo Tribunal Federal próximos ao ministro Alexandre de Moraes avaliam que a sessão extraordinária de terça-feira (15), embora encerrada sem uma decisão definitiva sobre a investigação relacionada ao Banco Master, alterou o equilíbrio da crise interna da Corte. Na leitura desse grupo, a pressão que estava concentrada sobre Moraes passou a alcançar com mais intensidade André Mendonça e a condução adotada pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
Essa avaliação é atribuída a ministros e interlocutores ouvidos por veículos de imprensa e não corresponde a um pronunciamento institucional do STF. O fato objetivo é que o julgamento foi interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, deixando sem conclusão a questão sobre a análise conjunta ou separada dos casos que envolvem Moraes e Mendonça.
Sessão termina sem desfecho
A sessão foi convocada para discutir se Moraes poderia ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Durante o julgamento, parte dos ministros defendeu que as suspeitas envolvendo Moraes fossem examinadas em conjunto com questionamentos sobre a atuação de Mendonça na condução de apurações relacionadas ao mesmo caso.
O placar parcial ficou em quatro votos a três pela manutenção dos processos separados, depois de o voto de Dino deixar de ser contabilizado em razão do pedido de vista. Pelas regras internas da Corte, o ministro pode manter o processo sob análise por até 90 dias antes de devolvê-lo ao plenário.
A interrupção impediu uma decisão imediata sobre a abertura ou o rito da investigação envolvendo Moraes. Ao mesmo tempo, o debate público passou a incluir acusações entre ministros sobre competência, imparcialidade, vazamentos e procedimentos adotados durante a apuração.
O resultado prático foi a suspensão de uma definição que poderia atingir Moraes diretamente e a ampliação do conflito para outros integrantes da Corte.
Mendonça vira novo foco
André Mendonça passou a receber críticas de ministros que questionam a forma como atuou quando teve contato com elementos da investigação do Banco Master. Gilmar Mendes e o próprio Moraes fizeram críticas públicas à atuação do colega durante a sessão, enquanto Mendonça rejeitou as acusações e disse ter agido dentro de suas atribuições.
A análise específica sobre Mendonça estava prevista para 23 de setembro. Reportagens publicadas após a sessão indicam, porém, que Fachin avalia adiar o julgamento enquanto o pedido de vista de Dino estiver pendente e enquanto a Corte tenta reduzir o grau de confronto interno.
Mendonça também divulgou nota negando ter promovido vazamentos e defendendo a apuração de eventuais divulgações indevidas. Não há decisão do Supremo que atribua ao ministro responsabilidade por vazamento de informações.
Fachin enfrenta pressão interna
A condução de Edson Fachin também se tornou alvo de divergências. Ministros questionaram a decisão do presidente de assumir a relatoria de procedimentos e criticaram a separação inicial entre os casos de Moraes e Mendonça.
Especialistas jurídicos ouvidos por diferentes veículos apresentaram interpretações divergentes sobre pontos do rito, inclusive sobre a participação de ministros interessados na votação e sobre os critérios para distribuição e julgamento dos procedimentos.
A crise chegou a alimentar discussões internas sobre adiamento de pautas e uso mais frequente do plenário virtual. O STF retomou as sessões regulares na quarta-feira (16), sem mencionar o embate do dia anterior na abertura dos trabalhos.
Até agora, não há decisão definitiva sobre a investigação de Moraes nem sobre eventual responsabilização de Mendonça. As versões apresentadas por ministros e seus aliados permanecem em disputa dentro e fora do tribunal.
Crise segue aberta
A avaliação de que o grupo próximo a Moraes saiu fortalecido decorre principalmente do fato de que a sessão não produziu a decisão esperada sobre sua investigação e ampliou o escrutínio sobre os procedimentos adotados por Mendonça e Fachin.
Essa percepção, contudo, pode mudar quando o julgamento for retomado. Dino ainda pode alterar ou confirmar seu entendimento, e o plenário terá de resolver a questão processual antes de avançar sobre o mérito das suspeitas.
A disputa ocorre em meio à campanha presidencial de 2026, o que aumenta a sensibilidade política do caso. Ministros têm afirmado que decisões devem ser tomadas com base nos autos, enquanto diferentes grupos políticos tentam incorporar a crise do Supremo ao debate eleitoral.


