IFI vê déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027 e distância de R$ 104,8 bilhões para projeção do governo

Órgão ligado ao Senado calcula necessidade de congelar ao menos R$ 35,7 bilhões em despesas para cumprimento formal da meta fiscal

Da
Redação
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IFI, órgão vinculado ao Senado, divulgou nova avaliação das contas públicas para 2027.Senado Federal
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A Instituição Fiscal Independente, órgão vinculado ao Senado Federal, projeta déficit primário de R$ 86,1 bilhões para o governo central em 2027. A estimativa contrasta com o Projeto de Lei Orçamentária Anual enviado pelo Executivo ao Congresso, que prevê superávit primário efetivo de R$ 18,6 bilhões no próximo ano.

A diferença entre as duas projeções chega a R$ 104,8 bilhões. No Relatório de Acompanhamento Fiscal de setembro, a IFI afirma que o cumprimento formal da meta poderá exigir congelamento de pelo menos R$ 35,7 bilhões em despesas, além de depender do desempenho das receitas e das exclusões legalmente permitidas no cálculo fiscal.

Projeções divergem em R$ 104,8 bilhões

O contraste entre governo e IFI nasce de premissas diferentes para crescimento, arrecadação e despesas obrigatórias. O PLOA trabalha com cenário mais favorável para a atividade econômica e para algumas fontes de receita.

A IFI projeta crescimento real do PIB de 1,8% em 2027. Um ritmo menor de atividade tende a reduzir a base de arrecadação e amplia a distância em relação ao cenário usado pelo governo.

Para a instituição do Senado, a combinação de receitas menores e despesas obrigatórias mais altas torna improvável o superávit efetivo indicado no projeto enviado pelo Executivo.

A distância entre a projeção da IFI e a do governo supera R$ 100 bilhões antes mesmo de incorporar o novo reajuste do Bolsa Família anunciado nesta quinta-feira.

Projeções divergem em R$ 104,8 bilhões
Resultado primário de 2027 Valor
Projeção do PLOA Superávit de R$ 18,6 bilhões
Projeção da IFI Déficit de R$ 86,1 bilhões
Diferença entre projeções R$ 104,8 bilhões
Contingenciamento estimado Pelo menos R$ 35,7 bilhões

Fonte: IFI e PLOA 2027.

Crescimento menor reduz receita

A IFI estima crescimento de 1,8% do PIB em 2027 e inflação de 4%. Também projeta taxa Selic de 12% ao fim do ano e câmbio de R$ 5,20 por dólar.

A instituição calcula que a dívida bruta poderá chegar a 86,4% do PIB em 2027. Os juros nominais líquidos ficariam em 8,5% do PIB, mantendo elevada a pressão financeira sobre as contas públicas.

Esses parâmetros integram o cenário macrofiscal usado pela IFI para avaliar receitas, despesas e trajetória da dívida, e podem variar ao longo do tempo conforme novos dados sejam incorporados.

Crescimento menor reduz receita
Projeções da IFI para 2027 Estimativa
Crescimento real do PIB 1,8%
IPCA 4,0%
Selic no fim do período 12,0%
Câmbio no fim do período R$ 5,20/US$
Dívida bruta 86,4% do PIB
Resultado do governo central -0,6% do PIB

Fonte: IFI.

Meta pode exigir bloqueio

A meta de resultado primário admite intervalo de tolerância previsto no arcabouço fiscal. Ainda assim, a IFI calcula que o resultado projetado exigiria bloqueio relevante de despesas para que o governo se aproximasse formalmente do limite permitido.

O contingenciamento estimado em R$ 35,7 bilhões funcionaria como instrumento de execução orçamentária para conter despesas discricionárias ao longo do ano.

Esse tipo de bloqueio pode atingir investimentos, custeio administrativo e políticas que não tenham execução constitucional ou legalmente obrigatória. A distribuição exata só seria definida durante a execução do Orçamento.

A IFI também chama atenção para receitas condicionadas e para a rigidez crescente das despesas obrigatórias, fatores que reduzem o espaço de manobra fiscal.

Bolsa Família adiciona pressão

O cálculo de R$ 86,1 bilhões não incorpora o reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo nesta quinta-feira. A medida deverá elevar em cerca de R$ 22 bilhões o gasto do programa em 2027, segundo estimativas oficiais divulgadas separadamente.

O Ministério do Planejamento afirmou que o PLOA será modificado durante a tramitação para acomodar o custo adicional dentro do espaço fiscal. A forma exata do remanejamento ainda não foi definida.

Isso significa que o quadro orçamentário analisado pela IFI já estava pressionado antes do novo anúncio. O Congresso ainda terá de discutir tanto a proposta original quanto as mudanças que o Executivo pretende incorporar.

As projeções da IFI não são um resultado realizado nem uma previsão inevitável. Elas representam um cenário técnico construído com premissas próprias e servem para medir riscos para as contas públicas.

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