A primeira dama Janja da Silva direcionou críticas ao bolsonarismo e fez uma referência à ex primeira dama Michelle Bolsonaro durante um ato de campanha realizado na noite de quarta feira (16), na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, no Distrito Federal. Ao defender a rejeição eleitoral a integrantes da família Bolsonaro e às ideias que associa ao grupo, Janja afirmou que era necessário “combater o bolsonarismo como um todo”.
Sem mencionar Michelle pelo nome naquele momento do discurso, Janja disse que havia uma “Bolsonara” em Ceilândia. A referência foi dirigida à ex primeira dama, que nasceu na região administrativa e disputa uma vaga no Senado pelo Distrito Federal nas eleições de 2026.
A fala colocou Michelle no centro das críticas de Janja justamente em Ceilândia, território ligado à trajetória pessoal da candidata do PL. O episódio ocorreu durante o evento eleitoral “Brasil Pronto pra Mais”, que contou também com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de candidatos apoiados pelo campo governista no Distrito Federal.
Janja pede combate político
Durante o discurso, Janja afirmou que o enfrentamento eleitoral ao grupo ligado ao ex presidente Jair Bolsonaro não deveria se limitar à disputa pela Presidência da República. Na avaliação apresentada por ela no palanque, a eleição também envolve candidatos que carregam o sobrenome Bolsonaro ou defendem ideias identificadas com o bolsonarismo.
É sobre combater o bolsonarismo como um todo.
Janja da Silva
Janja também pediu que o público não apoiasse eleitoralmente candidatos ligados à família. A manifestação foi feita em um contexto explicitamente partidário, diante de apoiadores e candidatos aliados ao presidente Lula, durante a campanha para as eleições gerais de outubro.
Em outro trecho, a primeira dama afirmou que o país não deveria, na visão dela, retornar ao que classificou como um período de retrocesso. Ela utilizou a expressão “trevas” ao se referir ao governo e à família Bolsonaro, apresentando essa caracterização como parte de seu discurso político no evento.
Michelle vira alvo da fala
A referência a Michelle apareceu quando Janja mencionou diretamente o cenário eleitoral de Ceilândia. A primeira dama afirmou que havia uma “Bolsonara” na região e pediu aos presentes que rejeitassem candidaturas relacionadas ao sobrenome e ao movimento político liderado pelo ex presidente.
Michelle Bolsonaro é candidata ao Senado pelo Distrito Federal. Por ter nascido em Ceilândia, a menção feita por Janja foi interpretada no próprio evento e nas reportagens sobre o discurso como referência direta à ex primeira dama, apesar de seu nome não ter sido pronunciado na frase.
A expressão utilizada por Janja acrescentou um componente pessoal à disputa política no Distrito Federal. Michelle construiu parte de sua projeção pública nacional durante o governo de Jair Bolsonaro e passou a atuar politicamente de maneira mais direta nos anos seguintes, tornando se uma das figuras do PL na eleição de 2026.
Ceilândia recebe ato eleitoral
O discurso ocorreu na Praça do Trabalhador, em Ceilândia, durante evento de campanha que reuniu Lula e seus aliados locais. O presidente participou do ato em apoio às candidaturas de seu campo político no Distrito Federal.
Entre os nomes presentes estava Leandro Grass, candidato do PT ao Governo do Distrito Federal. Também participaram Erika Kokay, candidata petista ao Senado, e Leila Barros, do PDT, que disputa a reeleição para a Casa.
Ceilândia tem peso simbólico no episódio por ser o local de nascimento de Michelle Bolsonaro. A escolha da região para o ato colocou integrantes da campanha de Lula em uma área associada à trajetória pessoal da candidata do PL e transformou a referência feita por Janja em um dos principais momentos do discurso.
Disputa nacional aparece no DF
As declarações também refletiram a dimensão nacional da eleição. Ao afirmar que combater o bolsonarismo não significava apenas impedir a chegada de um integrante da família à Presidência, Janja vinculou candidaturas estaduais e nacionais ao mesmo confronto político.
A primeira dama mencionou o filho de Jair Bolsonaro que disputa a Presidência sem desenvolver, nesse trecho, uma comparação programática entre os candidatos. O foco de sua fala foi mobilizar os apoiadores presentes contra candidaturas identificadas com o ex presidente e suas posições políticas.
O evento ocorreu em uma campanha marcada por disputas simultâneas para Presidência, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. No Distrito Federal, a eleição para o Senado ganha destaque porque duas cadeiras estão em disputa neste ano, assim como ocorre em todas as unidades da Federação em 2026.
Declaração acirra confronto eleitoral
A referência a Michelle adiciona mais um episódio ao confronto público entre integrantes dos campos políticos de Lula e Bolsonaro. As duas ex e atuais primeiras damas já haviam protagonizado trocas de críticas em ocasiões anteriores, enquanto ampliavam sua participação em agendas políticas e eleitorais.
No discurso de quarta feira, Janja não apresentou uma crítica específica a uma proposta de Michelle para o Senado. A manifestação esteve concentrada na vinculação da candidata ao sobrenome Bolsonaro e ao movimento político associado ao ex presidente.
Até as primeiras horas desta quinta feira (17), as reportagens consultadas sobre o ato não registravam uma resposta de Michelle à expressão “Bolsonara de Ceilândia”. A repercussão ocorre em plena campanha eleitoral, período em que declarações de aliados e familiares de candidatos também passaram a integrar a estratégia de mobilização dos principais grupos políticos.


