Trump ataca Suprema Corte após derrota sobre voto por correio nos EUA

Presidente critica ministros que bloqueiam medida do Serviço Postal antes das eleições de meio de mandato de novembro

Da
Redação
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Donald Trump criticou a Suprema Corte após o bloqueio de uma medida sobre cédulas enviadas pelo correio antes das eleições de meio de mandato.REUTERS
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Donald Trump atacou nesta terça-feira (15) os ministros da Suprema Corte dos Estados Unidos após o tribunal bloquear uma medida que permitiria ao Serviço Postal reter potencialmente milhões de cédulas enviadas pelo correio antes das eleições de meio de mandato de novembro.

A decisão representa uma derrota para o presidente republicano, que questiona há anos a segurança do voto por correspondência. O caso envolve uma norma criada pelo governo depois de um decreto assinado por Trump em março e contestada por Estados e grupos de defesa do direito ao voto.

Trump reage à decisão

Trump criticou publicamente os ministros, incluindo integrantes da Suprema Corte nomeados por ele. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou que o tribunal estaria sendo influenciado pela esquerda e que suas decisões fariam os Estados Unidos retrocederem.

O presidente também disse que os ministros não correspondiam às pessoas que havia entrevistado para ocupar os postos na Corte. A crítica ocorreu um dia depois de a maioria dos juízes rejeitar o pedido do Departamento de Justiça para suspender a decisão de uma juíza federal de Boston.

A manifestação amplia o confronto entre a Casa Branca e o tribunal em torno das regras eleitorais. Ao mesmo tempo, a decisão mantém suspensa a aplicação da medida postal enquanto seguem as ações judiciais apresentadas por Estados e organizações ligadas ao direito ao voto.

A Suprema Corte impediu, por enquanto, que o Serviço Postal retenha cédulas enviadas pelo correio com base na nova regra federal.

Esta Suprema Corte está sendo intimidada e manipulada pela esquerda radical”

Donald Trump, em publicação nas redes sociais

Corte bloqueia plano postal

A Suprema Corte rejeitou na segunda-feira (14) o pedido do governo para revogar a ordem da juíza federal Indira Talwani. A decisão foi breve e indicou que o governo provavelmente não teria êxito no mérito do recurso.

O procedimento pretendia dar ao Serviço Postal dos Estados Unidos autoridade inédita para reter correspondências eleitorais. A administração apresentou a proposta como uma alteração limitada nas regras postais, voltada ao combate de uma suposta fraude eleitoral.

Estados e grupos de defesa do voto argumentaram que a mudança poderia causar problemas na organização das eleições. Autoridades eleitorais, inclusive algumas republicanas, alertaram que a implementação perto do pleito poderia provocar desordem e impedir o voto de eleitores.

Ministros divergem sobre implementação

Os ministros conservadores Samuel Alito e Clarence Thomas divergiram da decisão da maioria. Alito afirmou que as dificuldades práticas apontadas pelas autoridades eleitorais não seriam suficientes para impedir a aplicação da norma.

Segundo a posição apresentada por Alito, o governo teria interesse relevante em fazer cumprir a regra. Ele também sustentou que a medida poderia aumentar a visibilidade das correspondências eleitorais federais e permitir uma detecção mais eficiente de fraudes.

Essas não são as pessoas que entrevistei para atuar na Suprema Corte dos Estados Unidos; elas são apenas uma sombra do que eram originalmente.”

Donald Trump, em publicação nas redes sociais

Brett Kavanaugh, também integrante da ala conservadora, apresentou uma opinião concordante. Para ele, a medida poderia estar dentro da autoridade do Serviço Postal, mas os órgãos eleitorais estaduais e locais não teriam tempo suficiente para colocá-la em prática de maneira razoável antes das eleições.

A divisão expõe uma diferença entre a avaliação sobre a possível autoridade legal do governo e os riscos imediatos de executar a regra. Dessa forma, a maioria decidiu manter o bloqueio neste momento, sem encerrar definitivamente a disputa sobre o mérito da política.

Disputa chega às midterms

As eleições de meio de mandato estão previstas para novembro. O pleito ocorrerá sob regras que continuam sendo disputadas judicialmente, enquanto Estados e grupos de defesa do direito ao voto tentam impedir a entrada em vigor da medida postal.

O governo de Trump assinou em março um decreto para endurecer as regras relacionadas ao voto por correspondência. A partir desse ato, o Serviço Postal adotou a norma que acabou suspensa pela decisão da juíza federal e, depois, pela Suprema Corte.

A controvérsia também envolve a posição histórica de Trump sobre o voto pelo correio. O presidente tem feito acusações de fraude generalizada, embora continue utilizando essa modalidade para votar.

Por enquanto, a decisão da Suprema Corte preserva a suspensão da medida durante o andamento das ações judiciais. O resultado definitivo dependerá da continuidade desses processos e de novas decisões sobre a validade da regra.

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