Alligator Alcatraz manteve imigrantes em jaulas metálicas nos EUA

Relatório do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna aponta confinamento de 79 pessoas em compartimentos pequenos e falhas em alimentação, higiene e atendimento médico

Da
Redação
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Relatório federal descreveu o uso de pequenos compartimentos metálicos no centro de detenção para imigrantes na Flórida.Megan Varner/Getty Images
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Alligator Alcatraz, centro de detenção para imigrantes na Flórida, manteve 79 pessoas em pequenos compartimentos metálicos entre julho de 2025 e janeiro de 2026, segundo relatório do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos.

Os detidos permaneceram nesses espaços por períodos que variaram de alguns minutos a quase duas horas. O documento também apontou superlotação, falta de acesso regular a água potável e problemas em serviços médicos, alimentação e higiene.

Relatório descreve as jaulas

O relatório, com 34 páginas, afirma que os compartimentos tinham aproximadamente 1,6 metro quadrado. Em áreas externas, os inspetores observaram estruturas metálicas com cerca de 1,30 metro de comprimento por 1,30 metro de largura e 2,36 metros de altura.

A equipe do centro descreveu os espaços como “áreas de relaxamento” destinadas a ajudar os detidos a se acalmar. Segundo os funcionários entrevistados, algumas pessoas pediam para permanecer nesses locais.

No entanto, os inspetores identificaram ao menos um caso em que uma dessas estruturas pode ter sido usada como instrumento disciplinar. O tempo médio de permanência foi de pouco menos de uma hora.

O inspetor-geral classificou o uso dos compartimentos como extremamente incomum e incompatível com padrões de tratamento humano.

Detenção expôs falhas de atendimento

Além das jaulas metálicas, a inspeção registrou condições de superlotação nos alojamentos. As oito unidades analisadas recebiam entre 22 e 31 pessoas cada, acima do padrão de espaço de 7 metros quadrados por detido indicado no relatório.

Os alojamentos não tinham janelas, e os detidos passavam ali a maior parte do dia. Os inspetores também relataram que as pessoas entrevistadas não tinham acesso a água potável e tomavam banho três vezes por semana.

Os chuveiros apresentavam infestação de pequenos insetos. O documento ainda apontou falhas relacionadas a serviços médicos, alimentação e higiene pessoal, embora tenha registrado conformidade nas normas de admissão e uso da força.

Flórida assumiu a operação diária

O centro foi inaugurado pela Flórida no verão de 2025, em uma pista do aeroporto de treinamento e transição de Dade-Collier. A instalação ficava a menos de 80 quilômetros a oeste do complexo turístico de Donald Trump em Miami Beach.

A unidade foi usada durante a intensificação da política de repressão à imigração do governo Trump. O presidente americano visitou o local no verão passado, enquanto autoridades da Flórida e do Departamento de Segurança Interna promoveram a estrutura.

Segundo o relatório, o Departamento de Segurança Interna afirmou que o estado detinha a autoridade sobre as operações diárias. O órgão federal também declarou não ter contrato com a Flórida para administrar os centros de detenção.

O documento ressaltou, porém, que as unidades que abrigam pessoas sob custódia da Agência de Imigração e Alfândega dos EUA devem seguir os padrões de detenção da agência federal. O relatório não esclareceu quais regras a Flórida usava diretamente na unidade.

Centro encerrou atividades em junho

O governador da Flórida, Ron DeSantis, havia afirmado que as instalações seriam temporárias. A unidade encerrou as operações em meados de junho, segundo as informações reunidas no relatório.

Por isso, as recomendações do inspetor-geral perderam efeito prático com o fechamento do centro. Entre as medidas sugeridas estavam a interrupção do uso das pequenas celas metálicas e a garantia de água potável e copos para os detidos.

A criação do centro provocou reação de parlamentares democratas, grupos de defesa dos direitos dos imigrantes, ambientalistas e organizações indígenas. As terras de grupos indígenas fazem fronteira com a área das instalações.

Defensores dos imigrantes e familiares de detidos também relataram preocupações com o local. Já autoridades da Agência de Imigração e Alfândega defenderam que a unidade oferecia condições superiores às de muitas prisões americanas.

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