Trump rejeita mais regras para IA e amplia tensão na Casa Branca

Presidente dos EUA prioriza disputa tecnológica com a China e ganhos econômicos, enquanto parlamentares discutem mecanismos de proteção para sistemas de inteligência artificial

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
8 min leitura
Donald Trump defende a expansão da inteligência artificial nos Estados Unidos enquanto parlamentares discutem mecanismos de proteção para o setor.REUTERS/Evelyn Hockstein
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

Donald Trump rejeitou novos pedidos de regulamentação da inteligência artificial e afirmou, em publicações nas redes sociais na segunda-feira (14), que os Estados Unidos devem priorizar a disputa tecnológica com a China e os ganhos econômicos do setor. A posição ampliou a preocupação entre autoridades da própria Casa Branca.

O presidente também defendeu os centros de dados que sustentam os modelos de IA e disse que a supervisão presidencial já seria suficiente para impedir abusos. Ao mesmo tempo, parlamentares republicanos e democratas discutem mecanismos de proteção, enquanto empresas do setor divergem sobre o grau de intervenção do governo.

Trump prioriza avanço tecnológico

Trump publicou seis mensagens sobre inteligência artificial ao longo da segunda-feira. Nelas, classificou como uma “farsa” os alertas sobre os riscos da tecnologia e acusou críticos de tentar enfraquecer o setor americano.

O presidente afirmou que os Estados Unidos já têm poder regulatório e criminal suficiente sobre as empresas. Além disso, sustentou que um presidente forte e inteligente seria o principal mecanismo de proteção necessário para controlar os sistemas.

Trump considera superar a China e preservar os ganhos econômicos da IA prioridades maiores do que ampliar a regulamentação do setor.

A tecnologia passou a ocupar espaço central na agenda econômica do governo porque impulsiona investimentos em centros de dados, movimenta a indústria e contribui para a valorização de empresas de tecnologia. Trump chamou a inteligência artificial de “galinha dos ovos de ouro”.

Casa Branca enfrenta alertas internos

A reação do presidente veio depois de conversas com assessores e executivos que rejeitaram pedidos recentes por uma desaceleração global no desenvolvimento da inteligência artificial. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, Trump manteve a posição que vem adotando há meses.

Integrantes do governo, entretanto, demonstraram preocupação reservada com a aparente indiferença do presidente aos riscos da tecnologia. O contraste também expôs uma dificuldade política para os republicanos, que tentam convencer eleitores de que levam a segurança da IA a sério.

Os receios públicos incluem a possibilidade de redução de empregos, os efeitos dos centros de dados sobre comunidades e os riscos associados a sistemas cada vez mais avançados. Alertas recentes intensificaram a pressão por novas proteções.

Trump disse que usa inteligência artificial, mas assessores afirmaram que o uso se concentra, em grande parte, na criação de imagens para as redes sociais do presidente.

Vance questiona pedidos de regulação

O vice-presidente JD Vance também questionou a mobilização de executivos por regras mais rígidas. Ele afirmou que os pedidos poderiam funcionar como um “cavalo de Troia” para empresas que se beneficiariam de novas barreiras no mercado.

Vance reconheceu, no entanto, que a tecnologia oferece riscos e benefícios. Segundo ele, a Casa Branca e o Congresso devem trabalhar juntos para criar mecanismos de proteção, sem transformar a população em alvo de alarmismo.

O vice-presidente disse ainda considerar estranho que empresas líderes do setor procurem o governo para pedir regulamentação. A avaliação reflete a divisão entre executivos que defendem supervisão e autoridades preocupadas com a perda de competitividade americana.

Entre os empresários citados está Dario Amodei, CEO da Anthropic, que passou a defender maior controle governamental. Trump criticou o executivo e afirmou que ele estaria tentando se apresentar como alguém sem responsabilidade pelos problemas do setor.

Huang reforça defesa do setor

Trump telefonou para Jensen Huang, CEO da Nvidia, enquanto o executivo participava de uma conferência em Los Angeles. Huang colocou a ligação no viva-voz, permitindo que a plateia acompanhasse a conversa.

Durante o contato, Trump afirmou que os robôs não assumiriam o controle e rejeitou a ideia de que a inteligência artificial dominaria o mundo. O presidente também mencionou uma suposta predisposição familiar para compreender o tema, relacionada ao trabalho de um tio no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Huang se opõe a novas regras para o setor e amplificou os argumentos favoráveis à expansão da tecnologia. A Nvidia ocupa posição central na cadeia de chips usados para alimentar sistemas de inteligência artificial.

A aproximação entre Trump e líderes da indústria ocorre em um momento de forte interesse político e econômico pela IA. Muitos executivos do setor também contribuíram financeiramente para projetos associados ao presidente, incluindo o fundo de sua posse e o salão de baile em construção na Casa Branca.

Congresso discute limites para IA

O presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que pretende reunir Trump, legisladores e executivos do setor para discutir responsabilidades e o papel do governo. A conversa poderia ocorrer em uma ou duas semanas, segundo o republicano.

Johnson defendeu uma discussão cuidadosa e alertou contra uma resposta legislativa apressada. Para ele, burocracia excessiva poderia reduzir a vantagem competitiva dos Estados Unidos e afetar uma questão considerada estratégica para a segurança nacional.

O líder da maioria no Senado, John Thune, também defendeu mecanismos de proteção, mas propôs intervenção mínima de Washington. A preocupação central é manter a capacidade americana de competir com a China.

O senador Bernie Sanders reconheceu que o Congresso costuma avançar lentamente, mas afirmou esperar que os parlamentares enfrentem o desafio. Já o senador John Kennedy disse acreditar que uma legislação ampla não deve avançar antes das eleições de meio de mandato.

Debate se aproxima da China

Autoridades americanas trabalham para incluir a inteligência artificial nas discussões previstas entre Trump e o líder chinês Xi Jinping, que viajará a Washington para uma visita de Estado na semana seguinte.

Trump afirmou que Xi teria indicado que a China não pretende impedir o avanço da IA. Os dois líderes já discutiram mecanismos de proteção para a tecnologia em um encontro realizado em Pequim, em maio, mas obtiveram resultados limitados.

Na semana anterior, o Ministério do Comércio da China informou que os dois governos haviam concordado em estabelecer um diálogo intergovernamental sobre inteligência artificial. A iniciativa pode criar um canal específico para tratar de segurança, desenvolvimento e competição tecnológica.

Enquanto isso, autoridades da Casa Branca devem organizar reuniões com especialistas em inteligência artificial e cibersegurança. O objetivo é avaliar possíveis novas regras, em meio à pressão política por proteção e à resistência presidencial a medidas que possam desacelerar o setor.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *