Suprema Corte dos EUA bloqueia regra de Trump sobre voto pelo correio

Maioria dos ministros interrompeu plano que permitiria ao Serviço Postal reter cédulas enviadas aos eleitores antes das eleições de meio de mandato.

Da
Redação
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Sede da Suprema Corte dos EUA, em Washington29/06/2024 REUTERS/Kevin Mohatt/File Photo
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A Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou nesta segunda-feira (14) uma proposta do governo de Donald Trump que alteraria o envio de cédulas para votação pelo correio. A medida daria ao Serviço Postal dos EUA (USPS) poder para reter potencialmente milhões de cédulas encaminhadas aos eleitores.

Em decisão breve, a maioria afirmou que o governo provavelmente não terá sucesso no mérito do recurso. O bloqueio ocorre antes das eleições de meio de mandato deste ano e preserva, por enquanto, as regras vigentes para o voto postal.

Corte suspende regra postal

O plano contestado foi apresentado pela administração como uma alteração modesta das regras postais. Segundo o governo, a mudança buscaria combater uma suposta fraude eleitoral.

Críticos da proposta, porém, sustentaram que ela ampliaria de forma inconstitucional os poderes do USPS. Eles também questionaram se o serviço estaria preparado para executar a medida.

A decisão impede, neste momento, que o Serviço Postal passe a reter cédulas enviadas pelo correio aos eleitores. O efeito prático é interromper a implementação da regra enquanto o processo judicial segue em análise.

Estados alertam para impactos

Autoridades eleitorais alertaram que a entrada em vigor da regra poderia produzir consequências graves nas eleições de meio de mandato. A preocupação se concentrou no risco de desorganização e de privação do direito ao voto.

Levo esse problema muito a sério, mas ele não é suficiente para me convencer a rejeitar o pedido.”

Samuel Alito, ministro da Suprema Corte dos Estados Unidos

O questionamento judicial reuniu estados e grupos de defesa do direito ao voto. Entre os argumentos apresentados, estava a dificuldade de colocar a regra em funcionamento a tempo do pleito.

Houve ainda alertas de autoridades eleitorais republicanas sobre a possibilidade de caos caso a proposta avançasse. Assim, a controvérsia ultrapassou a divisão entre os partidos e envolveu a capacidade operacional da administração eleitoral.

Kavanaugh aponta falta de tempo

O ministro Brett Kavanaugh, da ala conservadora, apresentou opinião concordante. Ele avaliou que a proposta poderia se enquadrar na autoridade do Serviço Postal.

Ainda assim, Kavanaugh concluiu que autoridades eleitorais estaduais e locais não dispunham de tempo suficiente para implementar a regra de maneira razoável antes das eleições. Esse entendimento ajudou a formar a maioria que bloqueou a medida.

Seu posicionamento separa a discussão sobre a competência do USPS da questão prática do calendário eleitoral. Dessa forma, o bloqueio não decorre apenas do debate sobre os poderes do órgão postal.

Dois ministros divergem

Samuel Alito e Clarence Thomas divergiram da maioria. Alito afirmou que as preocupações práticas levantadas por autoridades eleitorais não justificavam uma decisão favorável aos estados e aos grupos que contestaram a regra.

Na divergência, ele citou o interesse do governo em aplicar a norma e o argumento de que a medida aumentaria a visibilidade das correspondências eleitorais federais para melhorar a detecção de fraudes.

A decisão representa uma derrota relevante para Trump, crítico da votação pelo correio. O presidente já fez alegações falsas sobre fraude generalizada nessa modalidade, embora continue votando pelo correio.

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