A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada na terça-feira, 15 de setembro, terminou após um pedido de vista do ministro Flávio Dino e adiou a análise de uma questão relacionada a relatórios da Polícia Federal citados no caso envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a CNN Brasil, o debate também passou a mobilizar grupos políticos durante a campanha presidencial.
Antes da interrupção, os ministros discutiram uma questão de ordem sobre a possibilidade de análise conjunta de temas atribuídos a Moraes e ao ministro André Mendonça. De acordo com a CNN Brasil, o placar ficou em 4 votos a 3 pela tramitação separada dos dois casos.
Pedido de vista adia análise
Flávio Dino pediu vista no início da noite, segundo a CNN Brasil. Com isso, o Supremo encerrou a sessão sem concluir a análise em discussão.
O pedido de vista ocorreu depois de um dia de debate entre os ministros sobre a questão de ordem. A deliberação tratava de decidir se os temas ligados a Alexandre de Moraes e André Mendonça deveriam ser apreciados juntos.
O placar informado antes da suspensão foi de 4 votos a 3 pela análise separada dos dois casos. A sessão, portanto, deixou a definição do mérito para uma data posterior.
Oposição reúne parlamentares em Brasília
Parlamentares de oposição se deslocaram a Brasília para discutir a repercussão da sessão, conforme relatou a CNN Brasil. Parte do grupo acompanhou o julgamento a partir de um plenário de comissão do Senado.
A reunião ocorreu na Comissão de Direitos Humanos, presidida pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Durante o encontro, congressistas criticaram o que classificaram como irregularidades no STF, com menções aos julgamentos relacionados aos atos de 8 de Janeiro.
Os integrantes da oposição voltaram a defender o avanço de um pedido de impeachment contra Moraes. Também cobraram uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o caso do Banco Master, segundo a reportagem.
Governo acompanha discussão no Supremo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a assessores atualizações periódicas sobre a discussão no Supremo, segundo a CNN Brasil. A orientação teria sido para que integrantes da campanha e técnicos jurídicos repassassem informações a cada meia hora.
Na manhã de terça-feira, Lula participou de uma cerimônia no Palácio do Planalto realizada simultaneamente à sessão. Ele não fez discurso no evento, de acordo com a reportagem.
Além disso, ministros do Planalto acompanharam o caso. José Guimarães, da Secretaria de Relações Institucionais, defendeu que a transparência prevaleça nos processos em análise no STF.
Candidatos repercutem sessão do STF
O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, divulgou um vídeo com críticas ao governo Lula e ao Supremo. Na terça-feira, ele cumpria agenda de campanha no Ceará.
Augusto Cury, candidato do Avante, defendeu na segunda-feira, 14 de setembro, que o STF concluísse antes do primeiro turno a análise sobre o pedido de investigação de Moraes. Já Ronaldo Caiado, candidato do PSD, publicou defesa de uma reforma do Judiciário e do afastamento do ministro.
Renan Santos, do Missão, comentou as declarações de suspeição de Dias Toffoli e de impedimento de Kassio Nunes no caso, enquanto Romeu Zema, do Novo, participou de manifestação em Brasília contra os chamados “intocáveis” do STF. As reações mostram que a sessão passou a integrar os discursos dos candidatos durante a campanha.


