O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou, segundo relatos atribuídos a ministros e aliados, uma estratégia para se afastar politicamente do ministro Alexandre de Moraes antes da sessão marcada para esta terça-feira, 15 de setembro, no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre em meio à avaliação de lideranças petistas de que a crise pode afetar a campanha eleitoral do presidente.
Entre as iniciativas relatadas está a aproximação do governo com a presidência do STF, exercida pelo ministro Edson Fachin. A orientação no entorno de Lula, ainda segundo esses relatos, é evitar que a imagem do presidente fique diretamente associada à de Moraes durante o julgamento.
Estratégia busca reduzir desgaste
Aliados do presidente avaliam que a sessão no Supremo pode ampliar a pressão política sobre Lula, dependendo do resultado. Por isso, o esforço descrito é separar a atuação do governo da situação enfrentada por Moraes.
O receio no Palácio do Planalto, conforme a apuração relatada, envolve a possibilidade de uma decisão que isente o ministro de investigação. Na leitura de integrantes do governo, esse desfecho poderia fortalecer críticas do campo bolsonarista contra o presidente.
Ao mesmo tempo, petistas próximos a Lula sustentam que o presidente não abandonou Moraes. A posição transmitida por esse grupo é a de que as acusações devem ser investigadas, sem conclusão antecipada.
Fachin ganha espaço nas conversas
A aproximação com Fachin aparece como uma das frentes da estratégia atribuída a Lula. O presidente teria dedicado semanas a reforçar a interlocução com o ministro e com a presidência do Supremo.
Em conversas reservadas relatadas por ministros, Lula teria defendido o fortalecimento de Fachin como resposta à crise. A iniciativa também busca deslocar o foco político da relação entre o governo e Alexandre de Moraes.
A articulação descrita por aliados tenta reduzir a associação entre Lula e Moraes no debate eleitoral. Dessa forma, o Planalto procura administrar os efeitos da sessão sem assumir uma posição de defesa pessoal do ministro.
Sessão embaralha alianças no Supremo
A sessão prevista para esta terça-feira deve abrir o julgamento relacionado às acusações contra Moraes. O cenário é tratado como sensível tanto pelo governo quanto por grupos políticos que acompanham as repercussões do caso.
Nos bastidores, Moraes conta com movimentos favoráveis de Cristiano Zanin e Flávio Dino, ministros indicados por Lula, além de Gilmar Mendes, segundo a avaliação citada. No entanto, a complexidade do julgamento alimenta dúvidas sobre a manutenção de alinhamentos na Corte.
O possível impacto de um placar favorável a Moraes é um dos pontos de preocupação no governo. A avaliação entre aliados de Lula é que adversários poderiam explorar eleitoralmente uma decisão que afastasse a abertura de investigação.
Moraes nega diálogos e favorecimento
Na defesa apresentada ao STF na véspera da sessão, Moraes se manifestou sobre diálogos atribuídos a ele com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O ministro negou a autenticidade das conversas.
Ele também negou favorecimento a Vorcaro em serviços prestados pelo escritório de sua esposa, Viviane Barci. A defesa levou essas negativas ao Supremo antes da abertura do julgamento.
Moraes sustentou ainda a tese de que sofre uma nova ofensiva ligada ao movimento que culminou nos ataques de 8 de janeiro e na trama golpista. Essa é a linha central apresentada pelo ministro para responder às acusações.


