A negociação sobre o Estreito de Ormuz foi adiada nesta segunda-feira (14), enquanto ataques contra rotas marítimas e infraestrutura de energia no Golfo Pérsico ampliaram a preocupação com a oferta global de petróleo. Os preços do barril superaram US$ 100 na semana passada, pela primeira vez desde julho.
O encontro reuniria o Irã e países árabes do Golfo para discutir um acordo apresentado com mediação de Omã sobre a gestão das rotas marítimas no estreito. Antes da guerra em curso, cerca de um quinto do petróleo mundial passava por essa passagem.
Omã adia reunião regional
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, comunicou no domingo (13) que a reunião prevista para esta segunda-feira seria postergada. A justificativa divulgada pelo chanceler foi a busca de consenso entre os envolvidos.
Autoridades iranianas haviam indicado que participariam da conversa com os países árabes do Golfo. A proposta em discussão tratava da administração das rotas marítimas que cruzam o Estreito de Ormuz.
A agência iraniana Fars citou uma fonte do Ministério das Relações Exteriores do Irã segundo a qual alguns países da região solicitaram o adiamento. Ainda de acordo com essa fonte, Teerã e Mascate tomarão uma decisão conjunta sobre a nova data.
Risco cresce nas rotas marítimas
O estreito continuou sob risco para embarcações comerciais. A agência britânica de segurança marítima UKMTO relatou que um navio foi atingido por um projétil durante a travessia no domingo, provocando incêndio e a evacuação da tripulação.
O Irã informou, por sua vez, que um ataque contra uma embarcação comercial iraniana perto de sua costa matou uma pessoa e deixou quatro tripulantes feridos. Os dois episódios ocorreram em meio à redução do tráfego na área.
Dados preliminares de rastreamento indicaram que as travessias de embarcações comerciais caíram para um número de um dígito por dia no fim de semana. Nos dez dias anteriores, a média havia sido de 14 passagens diárias.
Oleoduto saudita interrompe alternativa
A Arábia Saudita interrompeu temporariamente o funcionamento de seu oleoduto Leste-Oeste, usado como rota alternativa ao Estreito de Ormuz. A decisão veio após um ataque que atingiu a estrutura na sexta-feira (11).
Segundo operadores do mercado e compradores de petróleo saudita ouvidos pela Reuters, o petróleo armazenado no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, permitiria manter as exportações por cinco a sete dias caso o oleoduto permaneça fechado.
Passado esse período, até 4% da oferta global de petróleo poderá ficar ameaçada, além dos volumes já afetados pelo menor fluxo em Ormuz. A Arábia Saudita não detalhou a extensão dos danos nem divulgou uma previsão para a retomada das operações.
Petróleo reage à escalada regional
Os preços do petróleo avançaram mais de 3% nesta segunda-feira, após ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, o fechamento do oleoduto e os incidentes contra navios no Golfo. A alta ocorre em um momento de preocupação com a disponibilidade de energia para o mercado internacional.
Nos Estados Unidos, o diesel no varejo atingiu um novo recorde no domingo, acima de US$ 6,20 por galão. O indicador ganhou relevância política no país, onde o preço dos combustíveis costuma influenciar o debate público.
A combinação entre a redução do tráfego em Ormuz e a paralisação do oleoduto saudita pressiona uma parcela relevante da oferta mundial de petróleo. As estimativas sobre o conserto da infraestrutura saudita variam de dias a semanas, segundo fontes consultadas pela Reuters.
Irã condiciona reabertura do estreito
Em entrevista ao veículo pan-árabe Al-Arabi Al-Jadeed, o chanceler iraniano Abbas Araqchi afirmou que Teerã não reabrirá o estreito apenas com um eventual entendimento com Omã. Segundo ele, o país condiciona a medida ao atendimento das exigências iranianas pelos Estados Unidos.
A posição torna mais difícil uma solução diplomática de curto prazo para a circulação marítima. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos ainda não alcançaram os objetivos anunciados pelo presidente Donald Trump ao lançar, em fevereiro, a Operação Epic Fury contra o Irã.
Durante viagem à Irlanda no fim de semana, Trump disse esperar que a guerra com o Irã termine ainda neste ano. O presidente associou esse cenário a uma queda acentuada no preço da gasolina após as eleições legislativas de novembro.
Houthis ampliam tensão no Iêmen
A mídia estatal saudita divulgou imagens de danos a casas e a uma mesquita em Jazan, no sul da Arábia Saudita, após um suposto ataque transfronteiriço dos houthis. O grupo, alinhado ao Irã, também declarou ter atingido uma base militar saudita em província vizinha.
Os houthis afirmaram ainda ter capturado a ilha de Perim, no estreito de Bab el-Mandeb, passagem que controla a entrada do Mar Vermelho. O avanço ao longo da costa é descrito como parte da maior escalada de combates no Iêmen em anos.
Para Washington, a ofensiva cria um novo impasse: apoiar a Arábia Saudita e proteger a navegação, mas evitar a abertura de outra frente de guerra. Três fontes disseram à Reuters que Mohammed bin Salman pediu ajuda militar a Trump; até agora, o governo americano ofereceu apoio de inteligência.


