Petróleo recua após se aproximar de US$ 110 com expectativa sobre Hormuz

Brent caiu quase 4% na sexta-feira, enquanto o mercado reagiu à possível reunião entre Irã e países do Golfo Pérsico sobre o estreito bloqueado.

Da
Redação
A Redação do Jornal Maior reúne a produção jornalística do portal, com cobertura dos principais acontecimentos do Brasil e do mundo.
5 min leitura
Mercado acompanha as cotações do petróleo diante das tensões nos estreitos de Hormuz e Bab el-Mandeb.
Ouvir notícia
00:00 / 00:00

O petróleo recuou nesta sexta-feira (11) depois de o barril Brent, referência internacional, se aproximar de US$ 110 no início das negociações. A queda ganhou força após a notícia de que Irã e Omã articulam uma reunião para discutir a situação do estreito de Hormuz, bloqueado para navegação desde 28 de fevereiro, segundo informações publicadas pelo Financial Times.

Por volta das 10h, no horário de Brasília, o Brent era negociado a US$ 104,01, baixa de 3,38%. No mesmo horário, o WTI, referência dos Estados Unidos, caía 3,02%, para US$ 99,06. A movimentação ocorreu em meio à preocupação com duas rotas marítimas estratégicas para o transporte de energia: Hormuz e Bab el-Mandeb.

Brent perde força após máxima

O Brent iniciou a sessão em alta de 2% e atingiu US$ 109,62 por barril por volta das 21h de quinta-feira (10), no horário de Brasília. A cotação ficou próxima dos US$ 109,68 registrados na sessão anterior.

Ao longo da sexta-feira, porém, o contrato passou a recuar. Por volta das 7h45, chegou a US$ 103,51, o que representava queda de 3,83%.

Depois disso, o preço se estabilizou na faixa de US$ 104. A oscilação mostrou a reação dos investidores à perspectiva de uma abertura de diálogo sobre Hormuz, apesar da continuidade das tensões militares e logísticas na região.

Reunião pode tratar de Hormuz

Segundo o Financial Times, os ministros das Relações Exteriores de Irã e Omã articulam um encontro para segunda-feira (14), em Salalah, Omã. O objetivo seria discutir o controle sobre o estreito de Hormuz.

Duas pessoas ouvidas pelo jornal afirmaram que vários países já haviam confirmado presença. Os participantes, no entanto, não foram divulgados.

Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás transitava pela passagem marítima, conforme a informação publicada. Irã e Omã negociam desde o início do mês um entendimento sobre o controle da área.

Houthis avançam em Bab el-Mandeb

Enquanto as conversas sobre Hormuz avançavam, os houthis mantiveram movimentações no Iêmen. Quatro pessoas do governo iemenita disseram à Reuters que o grupo chegou à ilha de Perim, situada no estreito de Bab el-Mandeb.

Anteriormente, duas fontes do governo iemenita reconhecido internacionalmente e apoiado pela Arábia Saudita haviam informado que suas forças deixaram Perim. Segundo essas fontes, os houthis também tomaram Dhubab, cidade no litoral do Mar Vermelho em frente à ilha.

A região reúne ainda as ilhas de Zuqar e Hanish. A Reuters informou que os houthis tomaram Zuqar na quinta-feira (10), em um avanço que pode ampliar sua presença em uma rota marítima considerada relevante para o comércio de energia.

Rotas alternativas elevam custos

Bab el-Mandeb liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e tem sido usado pela Arábia Saudita para escoar petróleo enquanto Hormuz permanece bloqueado. A passagem está no lado oposto da Península Arábica em relação ao estreito de Hormuz.

Se as duas rotas ficarem bloqueadas, navios-tanque teriam como alternativa contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. Esse trajeto é mais longo e mais caro, segundo o relato publicado.

Por isso, o controle das passagens marítimas tem impacto direto sobre o abastecimento e o frete do petróleo. Um bloqueio simultâneo reduziria as opções de trânsito para exportadores da região.

Oferta saudita registra queda em agosto

A Agência Internacional de Energia informou nesta sexta-feira que o fornecimento de petróleo bruto da Arábia Saudita caiu 2,3 milhões de barris por dia em agosto, para 6 milhões de barris diários. De acordo com a agência, foi o menor nível em mais de três décadas.

A AIE associou parte da redução aos ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Bab el-Mandeb por grupos ligados aos houthis no Iêmen. A Aramco vem usando o oleoduto leste-oeste para levar petróleo da costa leste saudita ao Mar Vermelho.

Imagens de satélite mostraram fumaça nas proximidades desse gasoduto na quinta-feira. A Arábia Saudita não confirmou incidente na área, e a Aramco não respondeu de imediato a pedidos de comentário relatados pela Reuters.

WhatsAppFacebook
Share This Article
Nenhum comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *