Irã e países árabes devem se reunir em Omã na segunda-feira (14) para discutir uma rota no Estreito de Ormuz, segundo o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. A via navegável estava bloqueada após a escalada da guerra iniciada em fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã.
O encontro ocorre enquanto os preços globais do petróleo subiram na última semana. Antes do conflito, cerca de um quinto do suprimento mundial da commodity passava pelo estreito, uma das rotas mais relevantes para o transporte de petróleo.
Reunião discute rota em Ormuz
Pezeshkian falou sobre a reunião durante viagem a Nova Délhi, na Índia, onde participa da cúpula do Brics. Segundo ele, os países árabes e o Irã tratarão de um entendimento sobre a rota em Ormuz.
O presidente também afirmou que os participantes comunicarão a situação da passagem à organização marítima internacional competente. Ele não detalhou quais países árabes participarão do encontro nem os termos que poderão ser debatidos.
Omã convocou a reunião, de acordo com uma autoridade iraniana que falou sob condição de anonimato. Além de Ormuz, a agenda deverá abranger outras questões regionais.
Autoridade reduz expectativa de acordo
Apesar da declaração do presidente iraniano, a autoridade ouvida sob anonimato afirmou que não se espera a assinatura de um acordo sobre a via navegável na segunda-feira.
Assim, há uma diferença entre a expectativa apresentada por Pezeshkian, de discutir um entendimento para a rota, e a avaliação da autoridade sobre a possibilidade de um documento formal ao fim do encontro.
A reunião, portanto, funcionará como fórum de discussão sobre Ormuz e outros temas da região, segundo essa autoridade. Não foram divulgados detalhes sobre participantes, propostas ou eventual calendário de decisões posteriores.
Guerra interrompe passagem estratégica
O Estreito de Ormuz tinha papel central no escoamento de petróleo antes da guerra. Cerca de um quinto da oferta global passava pela rota, segundo as informações disponíveis sobre o período anterior aos ataques de fevereiro.
Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã naquele mês, dando início ao conflito. Posteriormente, Estados Unidos e Irã dispararam contra navios-tanque em Ormuz, em nova escalada na área marítima.
O bloqueio da passagem tornou a discussão de uma rota um tema de impacto internacional. Isso ocorre porque o estreito concentrava uma parcela expressiva do fornecimento global de petróleo antes do agravamento militar.
Tensão alcança outra rota petrolífera
A pressão sobre o transporte de petróleo não se limita ao Estreito de Ormuz. Os houthis, aliados do Irã no Iêmen, avançaram em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, outra rota crucial no Oriente Médio.
Bab el-Mandeb fica no lado oposto da Península Arábica em relação a Ormuz. Dessa forma, a movimentação acrescenta tensão a uma segunda passagem relevante para o fluxo de petróleo na região.
Enquanto representantes se preparam para a reunião em Omã, os preços globais do petróleo já registraram alta na última semana. O encontro de segunda-feira reunirá as discussões sobre Ormuz a um cenário regional marcado pela guerra e pela insegurança nas rotas marítimas.


