O Ministério Público de São Paulo denunciou cinco pessoas por um esquema clandestino de coleta e comercialização de sangue de gatos em Monte Alto, no interior paulista. A nova ação penal foi apresentada em 2 de setembro e recebida pela Justiça no dia 10.
Entre os denunciados estão uma médica veterinária apontada como proprietária da clínica envolvida, além de Renato Franco, Celso Truguilo Alves, Everton Leite Silva e José Luiz de Lima. O caso tramita na 2ª Vara de Monte Alto.
MPSP aponta coleta irregular
Segundo a investigação, o grupo captava gatos em cidades do interior de São Paulo. Tutores, principalmente pessoas de baixa renda, receberiam R$ 50 por animal doado.
O sangue seria vendido posteriormente por valores entre R$ 500 e R$ 800 por bolsa. De acordo com o inquérito, o material abasteceria o banco de sangue da clínica pertencente à médica veterinária Thaís Daniele Antonussi.
A investigação aponta que os procedimentos ocorriam sem licença da Vigilância Sanitária, sem avaliação prévia dos animais e sem supervisão de médico veterinário habilitado.
Animais teriam sofrido maus-tratos
O Ministério Público afirma que os gatos eram submetidos a sedação e anestesia geral sem monitoramento. Também não haveria avaliação anterior de saúde, peso ou idade dos animais.
Os procedimentos teriam ocorrido em condições consideradas insalubres, inclusive no chão de residências particulares. A acusação ainda aponta a ausência de licença sanitária e de acompanhamento profissional habilitado durante as atividades.
Thaís Daniele Antonussi, Renato Franco e Celso Truguilo Alves respondem, segundo a denúncia, por seis acusações de maus-tratos a animais e por associação criminosa. Everton Leite Silva e José Luiz de Lima são acusados de associação criminosa e já respondem por maus-tratos na primeira ação penal.
Investigação começou após anúncio
O esquema foi descoberto em 4 de outubro de 2025, depois de uma denúncia sobre um anúncio no WhatsApp que oferecia dinheiro para o fornecimento de gatos.
Guardas municipais foram até uma residência na Rua Marciano de Vasconcelos Nogueira, em Monte Alto. No local, encontraram animais sedados e Cleiton Fernando Torres manuseando um gato desacordado.
Outros cinco felinos também estavam sedados. José Luiz de Lima e Everton Leite Silva auxiliavam o procedimento, enquanto Ângela Aparecida Alves Ribeiro, proprietária da casa, acompanhava a atividade após ceder o imóvel e seus próprios animais.
Nova denúncia amplia responsabilização
Durante a ação, foram apreendidos 108 tubos com sangue de gato, além de seringas, agulhas, frascos com anticoagulante, fotografias de animais sedados e cinco celulares.
A primeira denúncia foi apresentada pelo Ministério Público em 17 de outubro de 2025 contra Cleiton Fernando Torres, Sandra Regina de Oliveira, Ângela Aparecida Alves Ribeiro, José Luiz de Lima e Everton Leite Silva. Parte dos acusados também foi denunciada por associação criminosa.
A nova ação surgiu após o relatório final do inquérito, concluído em 11 de agosto. Com isso, o Ministério Público passou a incluir Thaís, Renato e Celso, apontados como integrantes do núcleo veterinário e comercial do esquema. A Justiça de Monte Alto recebeu a denúncia em 10 de setembro.


