A Operação Frankmobile, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) na quinta-feira (10), mira um esquema investigado por roubo, furto, receptação e comercialização de celulares. Após cerca de dois anos de apuração, a ação cumpre mandados em São Paulo e Goiás e mobiliza cerca de 1.700 agentes de órgãos estaduais.
A Justiça autorizou sete prisões preventivas e 84 mandados de busca e apreensão. Segundo a CNN Brasil, 15 pessoas já haviam sido presas até o balanço citado. Para os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a estrutura investigada reunia etapas que iam da subtração dos aparelhos à revenda, à adulteração ou ao comércio separado de componentes.
Operação alcança São Paulo e Goiás
O MPSP deflagrou a operação com participação da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, das polícias Militar, Civil e Penal e da Secretaria de Estado da Fazenda. As diligências ocorrem nos dois estados previstos nos mandados.
Os alvos das prisões preventivas são apontados pelo Ministério Público como operadores de atividades centrais da suposta organização. Entre as funções descritas pelos investigadores estão a comercialização, o reprocessamento e o desbloqueio de aparelhos, além da receptação e da emissão de documentos fiscais fraudulentos.
O Ministério Público também pediu medidas patrimoniais contra os investigados. Os pedidos incluem sequestro e bloqueio de valores e a suspensão das atividades econômicas de Trocafone S.A., Global Phone Celulares, Agasus Seminovos e PLL Inovação.
Investigação descreve quatro núcleos
Segundo o Gaeco, a cadeia investigada começava com furtos e roubos de celulares. A apuração cita a quebra de vidros de veículos durante congestionamentos na capital paulista, além de ocorrências em grandes eventos.
Depois disso, os aparelhos seguiriam para receptadores e pessoas especializadas em desbloqueio, chamadas na investigação de “Icloudeiros”. De acordo com os investigadores, essa transferência podia ocorrer entre 20 e 25 minutos após o crime.
O terceiro núcleo teria alterado e revendido os aparelhos. Por fim, outro grupo desmontaria celulares para comercializar as peças separadamente, o que, conforme a investigação, ampliaria o lucro e dificultaria o rastreamento dos equipamentos.
Centro de São Paulo concentra receptação
A investigação aponta a Rua Guaianases e vias próximas, como Aurora e Timbiras, como polos de receptação imediata e de depósitos temporários de celulares, conhecidos como “ninhos”. Os autos citados na apuração registram mais de 500 boletins de ocorrência nesses locais em pouco mais de dois anos.
Entre os endereços mencionados estão o Mercado AM Estrela Bebidas e Alimentos, o Edifício Redenção, na Rua Aurora, e o Edifício Los Angeles, na Rua Guaianases. Os mandados nesses pontos contam com apoio do canil da Polícia Penal paulista.
A região da Santa Ifigênia, a Avenida Ipiranga, o Shopping Mundo Oriental e a Galeria Pagé também aparecem na apuração como locais de circulação, manipulação ou escoamento de eletrônicos de origem ilícita. Segundo o MPSP, assistências técnicas e laboratórios teriam sido usados nas etapas de desbloqueio e alteração de aparelhos.
Fraudes buscam ocultar origem dos aparelhos
De acordo com o Ministério Público, os investigados modificavam o IMEI, número de identificação dos celulares, removiam bloqueios técnicos e trocavam componentes. A apuração cita o uso de ferramentas e softwares como UnlockTool, SamFwTool, 3uTools e QianLi.
Os investigadores também relataram a montagem de celulares com peças de modelos diferentes, formando aparelhos “híbridos”. Um exemplo citado é a modificação da aparência de um iPhone 11 para que se parecesse com uma versão mais recente.
Além da manipulação física e digital, a investigação atribui ao grupo a criação de notas fiscais ideologicamente falsas para dar aparência legal aos produtos. Segundo o MPSP, algumas empresas comprariam aparelhos básicos e depois emitiriam documentos de venda para celulares mais caros, sem documentação correspondente à aquisição desses itens.
Apuração cita desvios de contas bancárias
O segundo núcleo investigado também é relacionado a fraudes bancárias. Conforme os investigadores, criminosos acessavam contas das vítimas e transferiam valores para contas de terceiros, ao mesmo tempo em que obtinham dados pessoais.
Nos casos analisados, a divisão descrita pela investigação reservava 30% do valor ao titular da conta usada como “laranja”. Os outros 70% seriam repartidos igualmente entre o responsável pelo furto ou roubo e o desbloqueador do aparelho, com 35% para cada um.
O Ministério Público aponta que a cadeia de receptação e comercialização ajudava a sustentar os crimes de subtração de celulares. Por isso, os promotores avaliam que o desmonte desses núcleos pode influenciar os indicadores de roubos e furtos na capital paulista.
Apreensões e bloqueios seguem em contagem
Segundo o balanço parcial informado pela Polícia Militar, foram contabilizados 453 celulares. Em dois locais vistoriados, porém, as equipes apreenderam cerca de 10 mil celulares e peças, com aproximadamente 5 mil itens em cada endereço; esses materiais ainda passam por contagem.
As equipes também apreenderam R$ 122,5 mil, US$ 268, dois cartões bancários, três relógios e documentos. Uma conta bancária teve cerca de R$ 8 milhões bloqueados, de acordo com o balanço mencionado na operação.
Entre os equipamentos recolhidos estão quatro notebooks, nove tablets, cinco CPUs, um HD e um pen drive. Foram encontradas ainda porções de maconha e cocaína, sem quantidade contabilizada. As diligências e o levantamento do material apreendido continuavam após a divulgação do balanço parcial.


