Justiça aponta falhas da Enel em apagão após ciclone em São Paulo

Decisão sobre a interrupção de energia de dezembro de 2025 atribui a demora na recomposição do serviço também a problemas de planejamento, manutenção e resposta da concessionária.

Da
Redação
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Decisão da Justiça de São Paulo analisou a resposta da Enel ao apagão causado por ciclone em dezembro de 2025.Paulo Pinto/Agência Brasil
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A Justiça de São Paulo reconheceu falhas da Enel no atendimento ao apagão causado por um ciclone extratropical na Grande São Paulo, entre 9 e 10 de dezembro de 2025. A decisão avaliou que o evento climático não explica, sozinho, a demora para restabelecer a energia.

A ação foi proposta pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público de São Paulo. Além disso, a Justiça rejeitou o argumento da distribuidora de que o ciclone limitava sua responsabilidade perante os consumidores e condenou a empresa ao pagamento das despesas processuais.

Decisão atribui falhas à Enel

Segundo a Defensoria Pública, a análise judicial considerou que o ciclone provocou os apagões, mas não foi o único fator para a demora na normalização do fornecimento. Dessa forma, a decisão relacionou os prejuízos também a insuficiências da própria concessionária.

A Justiça apontou problemas de planejamento, manutenção e capacidade de resposta da Enel. O entendimento afasta a interpretação de que as condições meteorológicas, por si só, justificariam o tempo necessário para a recomposição do serviço.

Entre os pontos levantados na apuração estão a concentração de equipes no horário comercial e uma redução na efetivação da energia nas residências durante a noite e a madrugada. A decisão também mencionou a baixa resolutividade dos atendimentos.

Dados mostram demora no restabelecimento

A Nota Técnica nº 9/2026-SFT/ANEEL, citada na sentença, registrou 6.715 ocorrências de interrupção de fornecimento em 10 de dezembro. Esses registros se referem a interrupções na rede e não equivalem diretamente ao número de pessoas ou imóveis afetados.

Do total, 3.056 ocorrências, ou 46%, levaram mais de 24 horas para serem solucionadas. Em conjunto, elas atingiram 759.304 unidades consumidoras, de acordo com os dados apresentados.

Houve consumidores que permaneceram sem energia até o sexto dia após o evento climático. A interrupção de maior duração registrada chegou a 142,8 horas.

Apuração lista problemas na resposta

A apuração que subsidiou a sentença também apontou uso insuficiente de veículos de grande porte durante a ocorrência. Ao mesmo tempo, foram citadas equipes sem preparação específica para atender situações complexas.

Outro aspecto mencionado foi a deficiência no controle da vegetação próxima à rede elétrica. Quedas de árvores foram um dos efeitos do temporal associado ao ciclone e contribuíram para os danos na infraestrutura de distribuição.

Assim, a decisão tratou a recuperação do serviço como resultado de fatores que ultrapassaram a intensidade do fenômeno meteorológico. A conclusão relacionou o prolongamento do apagão às limitações operacionais identificadas na atuação da empresa.

Temporal afetou a Grande São Paulo

O ciclone extratropical provocou um temporal com quedas de árvores, alagamentos e danos à rede elétrica na região. Na capital paulista, os efeitos também atingiram a circulação urbana.

Em 9 de dezembro de 2025, São Paulo registrou quase 1.500 quilômetros de congestionamento ao longo da tarde, o maior índice daquele ano. Enquanto isso, pontos da região metropolitana tiveram ventos próximos de 90 km/h, segundo previsões de institutos meteorológicos citadas pela ANEEL.

Em ofício, a agência reguladora pediu que a Enel esclarecesse por que seu plano de contingência não garantiu uma recomposição rápida do serviço. O documento solicitou detalhes técnicos, laudo meteorológico, informações sobre o acionamento das equipes e um gráfico da Curva de Recomposição.

ANEEL cobra explicações da concessionária

A ANEEL citou a recorrência e a gravidade das falhas no serviço da distribuidora. O órgão também indicou que a reincidência de problemas graves pode levar à recomendação de caducidade da concessão.

A cobrança da agência se soma à conclusão da Justiça paulista sobre as falhas verificadas no apagão de dezembro de 2025. Por isso, a resposta da Enel ao evento passou a ser examinada tanto na ação movida pelos órgãos de defesa dos consumidores quanto no âmbito regulatório.

A decisão judicial não atribuiu o apagão exclusivamente à atuação da empresa, pois reconheceu o impacto do ciclone. No entanto, considerou que a estrutura de resposta da concessionária agravou as consequências da interrupção para os consumidores.

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