O jornal britânico Financial Times afirmou, em edição publicada no domingo (13), que uma disputa interna entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode ter impacto decisivo na eleição presidencial brasileira de outubro.
Na avaliação do jornal, as tensões no tribunal ganharam novo peso após a divulgação de supostas ligações entre Daniel Vorcaro, citado como suposto mentor de uma fraude bancária bilionária, e Moraes. O ministro condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro à prisão, segundo a publicação.
O Financial Times relacionou o episódio à disputa pela Presidência entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A análise do veículo atribui importância eleitoral à repercussão do caso sobre os dois campos políticos.
Jornal aponta disputa entre ministros
O Financial Times descreveu como acirrada a disputa entre André Mendonça e Alexandre de Moraes. Para o jornal, o embate ocorre em um momento de maior pressão pública sobre o Supremo.
A publicação afirmou que o caso afetou a credibilidade da instituição. Ao mesmo tempo, recordou que o STF recebeu reconhecimento internacional nos últimos anos por sua atuação diante da tentativa fracassada de golpe militar após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro para Lula em 2022.
Segundo o jornal britânico, a controvérsia também revitalizou setores da direita brasileira. Esses grupos acusam Moraes de perseguir injustamente conservadores e de cercear a liberdade de expressão, conforme a reportagem.
Caso Banco Master amplia pressão
O jornal afirmou que as revelações elevaram a pressão sobre Moraes, a quem atribuiu o exercício de poder incomum nos últimos anos. A reportagem situou o caso Banco Master no centro das tensões recentes no STF.
O ministro já havia sido alvo de escrutínio, segundo o Financial Times, por causa de um contrato de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa.
Moraes negou anteriormente as alegações de que teria atuado em favor do banco. O contrato de R$ 130 milhões citado pelo jornal envolveu o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa de Moraes.
Análise alcança disputa presidencial
Para o Financial Times, o caso projeta uma sombra sobre a corrida entre Lula e Flávio Bolsonaro. O jornal associou essa leitura, principalmente, à imagem de Lula, que adversários frequentemente vinculam à de Moraes.
A publicação observou que Lula não foi acusado no caso Banco Master. Ainda assim, sustentou que o episódio atinge uma vulnerabilidade política do presidente, ao mencionar que ele foi preso no passado por corrupção e teve as condenações posteriormente anuladas.
Por outro lado, o jornal declarou que Flávio Bolsonaro também foi implicado no caso. A reportagem mencionou que, em maio, veio a público que ele recebeu milhões de dólares do dono do Banco Master para financiar um filme sobre seu pai.
Grupos trocam acusações políticas
Além das críticas da direita a Moraes, o Financial Times relatou acusações da esquerda contra André Mendonça. Segundo o jornal, integrantes desse campo afirmam que o ministro tomou medidas para favorecer Flávio Bolsonaro.
Entre as medidas citadas pela publicação está a autorização de uma investigação contra o filho de Lula. O caso envolve alegações de lobby indevido, conforme a reportagem britânica.
As avaliações e acusações descritas pelo Financial Times integram a análise do jornal sobre as possíveis consequências políticas das tensões no Supremo. A eleição presidencial brasileira está prevista para outubro.


