A Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas de irregularidades em pagamentos relacionados ao Wifi-Livre SP, programa de internet gratuita da Prefeitura de São Paulo. Segundo documentos da investigação, parte das operações teria sido registrada por faturas comerciais, e não por notas fiscais de prestação de serviços.
O contrato entre a administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil, responsável pela execução do serviço, é de cerca de R$ 108 milhões. A apuração também cita indícios de superfaturamento aparente, pagamentos antecipados sem execução correspondente e desequilíbrio econômico-financeiro do ajuste.
Investigação cita faturas comerciais
Entre os documentos analisados pela Polícia Civil estão registros emitidos pela Make One Tecnologia Digital Ltda. A empresa prestou serviços ao Instituto Conhecer Brasil ligados à locação de equipamentos eletrônicos para o programa.
Os papéis mencionados pela investigação identificam os documentos como “FATURA” e os associam ao Wifi-Livre SP. Conforme a Polícia Civil, os valores vinculados ao fornecimento ou à locação de equipamentos são milionários.
A distinção entre faturas e notas fiscais integra o conjunto de elementos sob análise policial. A investigação trata esses registros como parte da apuração sobre a execução financeira do contrato.
Polícia aponta notas canceladas
A Polícia Civil também mencionou a existência de notas fiscais canceladas em documentos usados para a prestação de contas do projeto. Esse ponto aparece ao lado das faturas comerciais examinadas pelos investigadores.
Segundo a corporação, os elementos reunidos indicam questões a serem esclarecidas sobre os pagamentos e os serviços contratados. A apuração não apresenta essas suspeitas como conclusão definitiva sobre responsabilidades.
Além disso, a Polícia Civil citou uma análise técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia. De acordo com o documento policial, essa avaliação teria identificado inconformidades relevantes na prestação de contas.
Contrato financia internet gratuita
O Wifi-Livre SP prevê a instalação de pontos de acesso gratuito à internet em diferentes regiões da capital paulista. Portanto, a investigação alcança um contrato ligado à oferta de conectividade em espaços da cidade.
O Instituto Conhecer Brasil prestou o serviço no âmbito do acordo firmado com a Prefeitura de São Paulo. A entidade é gerida por Karina Ferreira da Gama.
Karina Ferreira da Gama também é dona da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL. A informação identifica a dirigente da entidade contratada, sem alterar o objeto da investigação, centrado na execução do Wifi-Livre SP.
Apuração reúne suspeitas financeiras
Na documentação citada pela Polícia Civil, os investigadores apontam indícios de superfaturamento aparente. Também registram suspeita de pagamento antecipado sem a correspondente execução dos serviços.
Outro aspecto sob apuração é um possível desequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Esses pontos se somam às questões relativas aos documentos apresentados na prestação de contas.
A Prefeitura de São Paulo foi procurada para se manifestar sobre o caso. O posicionamento do município não consta nas informações disponíveis sobre a investigação.


