Uma servidora da Prefeitura de São Paulo será afastada por pelo menos 30 dias após ter atestado a demolição de uma estrutura no terreno onde um prédio desabou, na Penha.
Segundo a Procuradoria-Geral do Município, a demolição registrada no documento não teria sido realizada. O afastamento permitirá que a Controladoria investigue a emissão do ateste e a atuação funcional.
Documento será investigado
O documento foi assinado em fevereiro de 2024 por uma servidora da Subprefeitura da Penha. Nele, constava que a demolição havia sido executada integralmente.
A Prefeitura afirma ter encontrado divergência entre o registro administrativo e a situação do imóvel. O advogado da construtora também teria constatado que a estrutura continuava no terreno.
O afastamento é uma medida administrativa temporária e não representa conclusão sobre culpa. A apuração interna deverá reunir documentos, depoimentos e registros do procedimento municipal.
Desabamento atingiu imóvel vizinho
O prédio em construção desabou sobre uma casa na Rua Tequici durante a madrugada de sábado. O acidente deixou duas mulheres mortas, incluindo uma gestante.
Um homem e crianças foram retirados com vida e encaminhados para atendimento médico. Equipes de emergência continuaram procurando outras pessoas que estavam sob os escombros.
Cerca de 60 bombeiros, com viaturas e cães de busca, atuaram na ocorrência. A Defesa Civil disse não ser possível relacionar imediatamente a chuva ao desabamento.
Obra já havia sido fiscalizada
A construção havia sido autuada e interditada em 2019 por falta de alvará. Em 2021, o município recorreu à Justiça para impedir o avanço da obra.
Segundo o prefeito Ricardo Nunes, os responsáveis seriam pai e filho. O filho também teria atuado como engenheiro responsável tecnicamente pela construção do edifício.
A construtora New Home afirmou, por meio de advogado, que a obra estava regular e possuía alvará. A defesa disse que um embargo anterior teria sido cassado.
Polícia procura responsáveis
A Polícia Civil realiza diligências para localizar os responsáveis pela obra. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do desabamento e possíveis crimes relacionados à construção.
Uma câmera de segurança registrou o momento da queda, pouco antes das duas horas. O material poderá auxiliar a perícia na reconstrução da sequência do acidente.
Além da apuração policial, a Prefeitura examinará o histórico de fiscalização e os documentos emitidos. As conclusões dependerão de laudos técnicos e do direito de defesa.


