Polícia aponta R$ 925 mil em pagamentos duplicados do ICB

Inquérito da Polícia Civil de São Paulo apura suspeitas de fraudes e desvio de recursos no contrato do programa WiFi Livre SP; defesa de Karina Gama nega ilícitos.

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Redação
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Investigação apura a execução do contrato do Instituto Conhecer Brasil no programa WiFi Livre SP.Reprodução/CNN
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A investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o Instituto Conhecer Brasil (ICB) identificou pagamentos duplicados que somam R$ 925 mil, segundo documentos que embasaram uma operação realizada na semana anterior. O inquérito apura suspeitas de fraudes, desvio de recursos públicos e irregularidades na execução do programa WiFi Livre SP, da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.

O ICB é presidido por Karina Gama, proprietária da produtora Go Up, responsável pelo filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Karina foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Polícia apura pagamentos duplicados do ICB

Os documentos da Polícia Civil apontam que o ICB efetuou pagamentos duplicados no valor total de R$ 925 mil. A apuração relaciona os repasses ao contrato de execução do WiFi Livre SP.

O programa pertence à Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo. A investigação examina a atuação da organização no contrato e possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos.

Além disso, os elementos reunidos pela polícia serviram de base para a operação que também apura um possível direcionamento de emendas parlamentares ao financiamento do filme produzido pela Go Up.

Parecer registra outras irregularidades financeiras

Um parecer técnico da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, emitido em 26 de fevereiro de 2026, concluiu haver graves irregularidades financeiras na ONG. O documento também apontou comprometimento da regularidade da execução contratual.

Segundo a análise, houve autofaturamento do ICB. A prática foi identificada por meio de notas fiscais emitidas pelo próprio instituto para si mesmo, no montante de R$ 1,4 milhão.

Os valores relativos aos pagamentos duplicados e às notas fiscais integram o conjunto de informações analisadas na investigação. A apuração policial, contudo, ainda trata os fatos como suspeitas sob investigação.

Dino retira sigilo da investigação

Flávio Dino autorizou a ação de busca e apreensão contra Karina Gama. O ministro atua como relator do caso no STF.

No domingo, 13 de setembro, o magistrado retirou o sigilo das investigações da Polícia Civil de São Paulo. Com a decisão, foram tornados públicos elementos da apuração relacionados ao ICB e ao contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo.

A retirada do sigilo ocorre após a operação que investigou o possível uso direcionado de emendas parlamentares para financiar a produção cinematográfica. A investigação envolve, ao mesmo tempo, a execução do WiFi Livre SP e esse possível fluxo de recursos.

Defesa de Karina nega ilícitos

Em nota, a defesa de Karina Gama afirmou que a cliente não praticou ilícitos e considerou positiva a decisão de levantar o sigilo. Segundo os advogados, a publicidade dos elementos permitirá a análise integral e objetiva dos fatos.

A defesa declarou ter apresentado voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação. Também informou que Karina continuará colaborando com as autoridades e exercendo o direito de defesa.

Na manifestação, os advogados sustentaram que investigação não equivale a acusação ou condenação e defenderam que o caso seja examinado tecnicamente, dentro da legalidade. A nota também afirmou que a repercussão política não deve substituir o devido processo legal.

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