A investigação sobre o contrato do WiFi Livre SP cita mais de R$ 1,4 milhão em notas fiscais que o Instituto Conhecer Brasil (ICB) teria emitido contra ele próprio. A informação aparece em representação da Polícia Civil de São Paulo reproduzida pelo Ministério Público estadual em manifestação sobre pedido de busca e apreensão.
O caso envolve um acordo estimado em R$ 108 milhões entre o ICB e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo. Os autos se tornaram públicos no domingo (13), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo relacionado à apuração.
Documento aponta falhas no WiFi Livre SP
Segundo a manifestação do Ministério Público, a representação policial relata suspeitas de autofaturamento e pagamentos em duplicidade durante a execução do contrato. Os investigadores identificaram notas emitidas pelo próprio ICB contra a entidade, em valor superior a R$ 1,4 milhão.
A mesma representação menciona aproximadamente R$ 925 mil em pagamentos que teriam sido feitos duas vezes. De acordo com o Ministério Público, parecer técnico da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia também registrou essas irregularidades.
Os valores citados na manifestação organizam os principais apontamentos financeiros atribuídos à representação policial.
| Valores citados na representação | ||
|---|---|---|
| Apontamento | Valor | Referência |
| Notas emitidas pelo ICB contra si próprio | Mais de R$ 1,4 milhão | Autofaturamento apontado |
| Pagamentos em duplicidade | Cerca de R$ 925 mil | Suspeita indicada |
| Contrato com a Urban Connect | R$ 12 milhões | Valor global contratado |
Fonte: Polícia Civil de São Paulo
Contrato previa 5 mil pontos públicos
O acordo previa a instalação, a operação e a manutenção de 5 mil pontos públicos de internet em comunidades periféricas da capital paulista. Os repasses estimados para o contrato somavam R$ 108 milhões.
A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa.”
Ricardo Sayeg, advogado de Karina Gama
Além disso, a representação policial cita a subcontratação da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., atualmente denominada Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda. O valor global informado para esse contrato foi de R$ 12 milhões.
Conforme o documento reproduzido pelo Ministério Público, a empresa teria recebido mais de R$ 2 milhões até dezembro de 2025. O contrato investigado previa 5 mil pontos públicos de internet em comunidades periféricas de São Paulo.
Investigação relaciona recursos a filme
A apuração também examina a suspeita de que recursos do programa municipal tenham sido desviados para atividades ligadas à produção de Dark Horse, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Em relatório citado no material, a Polícia Civil aponta indícios de desvio de finalidade e de confusão patrimonial envolvendo Karina Ferreira da Gama, controladora do ICB, e a Go Up Entertainment, produtora do filme.
O levantamento do sigilo pelo STF ocorreu nos autos relacionados ao possível direcionamento de emendas para financiar a cinebiografia. A investigação, no entanto, também abrange a execução do contrato do WiFi Livre SP.
Defesa nega ter cometido ilícitos
Em nota, a defesa de Karina Gama afirmou receber positivamente a decisão de Flávio Dino de retirar o sigilo da investigação. Segundo a manifestação, a publicidade dos autos permitirá a análise integral dos fatos.
A defesa informou ter apresentado voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentos às autoridades. Também declarou que Karina Gama sustenta, desde o início, não ter praticado qualquer ilícito.
O advogado Ricardo Sayeg afirmou que a apuração deve respeitar as garantias legais da investigada e que sua cliente seguirá colaborando com as autoridades competentes.


