O financiamento de Dark Horse foi detalhado pela produtora Karina Ferreira da Gama, que negou relação direta entre sua empresa e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. Segundo ela, a produtora foi contratada pelo fundo Havengate, apontado como investidor inicial do filme.
O caso é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em meio a apurações sobre recursos ligados a Vorcaro. A homologação de uma delação pelo ministro André Mendonça, porém, não comprova as afirmações feitas pelo colaborador.
Produtora separa empresa de Vorcaro
Karina afirmou que Daniel Vorcaro não fez pagamentos diretamente à produtora responsável por Dark Horse. Ela também negou relações da empresa com companhias vinculadas ao ex-dono do Banco Master.
De acordo com a produtora, seu vínculo contratual ocorreu com o fundo Havengate. Questionada sobre o destino dos recursos, ela disse que o dinheiro foi encaminhado ao fundo, e não à produtora.
Karina declarou que não tinha participado da estrutura do fundo. Segundo seu relato, sua função se limitava à produção do filme após a aprovação do projeto e do orçamento pelo investidor.
Fundo inicia investimento no filme
A produtora disse que o Havengate atuou como investidor inicial do projeto. Antes de contratar a empresa, o fundo teria feito uma due diligence sobre a produtora e seus responsáveis.
Dark Horse não tem emenda.”
Karina Ferreira da Gama, produtora de Dark Horse
O orçamento de Dark Horse começou com estimativa de US$ 24 milhões. Karina explicou que o valor poderia mudar à medida que a equipe detalhasse o roteiro, as locações, as câmeras e o elenco necessários para a filmagem.
Segundo ela, o fundo aprovou tanto o projeto quanto o orçamento. A partir daí, a produtora passou a executar a produção, enquanto o investidor manteve a relação financeira com o empreendimento.
Produção enfrenta cortes no orçamento
Karina situou no fim de 2025 o momento em que a equipe identificou dificuldades financeiras ligadas aos recursos disponíveis para o longa. Naquele estágio, as filmagens já estavam em andamento e envolviam uma estrutura ampla.
Ela informou que o planejamento previa 40 dias de gravações. Diante das limitações orçamentárias, a equipe reduziu e simplificou etapas para concluir o projeto.
Segundo a produtora, o gasto total chegou a US$ 13,3 milhões. Ela classificou os recursos usados na produção como privados e negou a presença de dinheiro público no filme.
STF apura transferências ao Havengate
Uma das frentes no STF examina a relação entre recursos ligados a Vorcaro e o filme. Em 9 de setembro, o ministro André Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Segundo o relato do delator, ele realizou sete transferências que somaram US$ 12,333 milhões para o Havengate Development, no Texas, entre janeiro e setembro de 2025. Ele atribuiu a ordem dos repasses a Vorcaro, após pedidos de Flávio Bolsonaro.
A homologação formaliza o acordo de colaboração, mas não confirma automaticamente o conteúdo narrado pelo delator. Em outra frente de investigação, o STF apura o uso de emendas parlamentares e contratos públicos ligados às atividades de Karina. A produtora negou que Dark Horse tenha recebido emendas e afirmou que não houve projeto público para o filme.


