Documentos apontam R$ 600 mil em hospedagens de filme sobre Bolsonaro

Notas fiscais reunidas em investigação no STF registram despesas da produtora Go Up Entertainment em hotel de luxo em São Paulo entre outubro e dezembro de 2025.

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Redação
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Documentos do processo no STF registram despesas da produção de Dark Horse em São Paulo.Instagram/Jim Caviezel
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Documentos do processo que apura o financiamento de Dark Horse, filme biográfico sobre Jair Bolsonaro (PL), apontam que a produtora Go Up Entertainment Ltda. declarou ao menos R$ 600 mil em gastos com hospedagens de atores e profissionais em um hotel de luxo em São Paulo. As notas fiscais foram emitidas entre outubro e dezembro de 2025.

O caso está no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça. A Polícia Federal pediu esclarecimentos sobre a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados para a obra, que antes era chamada de Capitão do Povo.

Notas registram despesas da produção

Os comprovantes atribuídos à Go Up Entertainment foram incluídos nos autos que passaram a ser públicos após a retirada do sigilo pelo ministro André Mendonça, na sexta-feira (11). Eles descrevem despesas de hospedagem ligadas à produção em São Paulo.

Uma das notas fiscais soma R$ 298.350,49. No documento, a descrição informa “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”, referência provável ao ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Bolsonaro no longa.

Além disso, os registros mencionam a hospedagem de dois seguranças, com custo superior a R$ 68 mil para a produção. Os documentos acessíveis indicam um total mínimo de R$ 600 mil em despesas relacionadas às estadias.

Documentos cobrem três meses de 2025

As notas fiscais foram emitidas entre outubro e dezembro de 2025. Portanto, os gastos de hospedagem registrados nos documentos se concentram nos últimos três meses daquele ano.

A Go Up Entertainment Ltda. aparece como responsável pela realização de Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os comprovantes relacionam despesas de atores e outros profissionais envolvidos no filme.

O montante de ao menos R$ 600 mil decorre dos arquivos acessíveis no processo. Além da nota de R$ 298.350,49 e do custo dos dois seguranças, os documentos registram outras despesas de hospedagem da equipe.

PF apura rota dos recursos

A investigação da Polícia Federal concentra-se no caminho do dinheiro associado ao filme. Entre os pontos levantados pelos investigadores está a participação do Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos que recebeu parte dos recursos.

Segundo relatório enviado ao STF, a empresa Entre Investimentos e Participações remeteu US$ 12,33 milhões ao Havengate ao longo de 2025. A companhia é ligada a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.

As transferências ocorreram de fevereiro a setembro e, conforme a PF, tiveram valores semelhantes às parcelas previstas em um acordo de US$ 24 milhões para financiar o projeto. Por isso, os investigadores buscam detalhar a relação entre as operações e o longa.

Mensagens associam transferências ao filme

A PF também cita mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. De acordo com o relatório, as conversas reforçaram a ligação entre remessas feitas pela Entre Investimentos e o financiamento de Dark Horse.

Em fevereiro de 2025, diante de dificuldades para efetuar um pagamento destinado ao filme, Vorcaro orientou que a operação fosse feita “via Entre”, segundo os investigadores. Em seguida, Fabiano Zettel informou que o dinheiro seguiria para um fundo.

Poucos dias depois, Zettel enviou a Vorcaro um comprovante de transferência de US$ 2 milhões da Entre para o Havengate. O documento citado pela PF indicava que o pagamento tinha como destino o filme.

Flávio Bolsonaro defende aplicação dos valores

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, em maio, que os recursos pagos por Vorcaro foram destinados integralmente à produção cinematográfica. Ele disse que a produtora poderia apresentar contrato ou prestação de contas para demonstrar a utilização do dinheiro.

A declaração do senador trata da destinação que ele atribui aos recursos pagos por Vorcaro. A investigação conduzida pela Polícia Federal, por outro lado, busca esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados.

O relatório da PF foi encaminhado ao STF, onde Mendonça relata o caso. Os documentos da investigação se tornaram públicos após a retirada do sigilo pelo ministro, na sexta-feira (11).

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